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Incêndios florestais extremos: como tornar efetiva a cooperação regional

Natureza, clima e risco de desastres Incêndios florestais extremos: como tornar efetiva a cooperação regional A América Latina precisa institucionalizar a ajuda mútua para responder melhor a incêndios florestais extremos. Set 9, 2026
•	Los incendios forestales extremos superan las capacidades nacionales,
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Ideias-chave
  • Os incêndios florestais extremos superam as capacidades nacionais, tornando indispensável a ajuda mútua.
  • A cooperação é mais efetiva quando existem protocolos, planejamento e mecanismos claros.
  • Por meio do programa regional Preparados e Resilientes nas Américas, o BID impulsiona mecanismos de cooperação regional para institucionalizar a ajuda mútua e fortalecer a resposta.

Os incêndios florestais extremos estão superando cada vez mais as capacidades nacionais na América Latina e no Caribe. Sua escala, simultaneidade e intensidade fazem com que nenhum país possa enfrentá-los sozinho. Entre 2009 e 2019, estima-se que cerca de 33 milhões de hectares tenham sido afetados anualmente na região.

Nesse contexto, a ajuda mútua deixa de ser opcional: é essencial. No entanto, na região ela continua sendo majoritariamente reativa, fragmentada e pouco sistematizada. Para enfrentar esse desafio, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) analisa experiências recentes e propõe avançar rumo a mecanismos mais estruturados de cooperação regional em sua nota técnica “Ajuda mútua para o combate a incêndios florestais na América Latina e no Caribe: experiências, análise comparada e recomendações”. (documento em espanhol)

O caso dos incêndios florestais no Chile em 2023: aprender sob pressão?

Em fevereiro de 2023, o Chile enfrentou incêndios florestais extremos que rapidamente superaram a capacidade nacional de resposta. Em menos de uma semana, centenas de focos simultâneos avançavam fora de controle, afetando mais de 300.000 hectares e deixando milhares de moradias destruídas.

Diante da magnitude da emergência, a comunidade internacional reagiu rapidamente. Brigadas, aeronaves e especialistas começaram a chegar de diferentes países. A solidariedade ficou evidente, mas os desafios também:

  • Falta de clareza inicial sobre as necessidades.
  • Dificuldades para integrar equipes com diferentes abordagens técnicas.
  • Múltiplos canais de comunicação.
  • Alta carga logística para receber contingentes internacionais.

Este caso ilustra um padrão que se repete na região: a ajuda mútua existe, mas nem sempre está preparada para operar em contextos de emergência.

A experiência de 2023 marcou um ponto de inflexão para o Chile: o país empreendeu melhorias substantivas voltadas a fortalecer sua preparação e coordenação para futuras emergências.

Elas incluíram a assinatura de acordos de cooperação com outros países em matéria de incêndios florestais, a elaboração do Plano de continuidade operacional da Corporação Nacional Florestal (CONAF) e uma maior articulação entre a CONAF, o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (SENAPRED) e o Ministério das Relações Exteriores para facilitar a solicitação, recepção e integração de apoio internacional.

 

Reuniones de coordinación. Crédito: FAST de MITECO.
O que as experiências recentes nos dizem

A nota técnica apresenta e analisa cinco experiências recentes de cooperação internacional na região que mostram que a ajuda mútua não segue um único modelo, mas varia conforme o grau de preparação prévia:

  • Apoio sem solicitação formal (Brasil 2019).
  • Cooperação antecipatória baseada em assessoria técnica (Paraguai 2019).
  • Esquemas planejados com protocolos e acordos prévios (Canadá 2023).
  • Resposta simultânea de múltiplos países (Chile 2023).
  • Doações logísticas descentralizadas com enfoque territorial (Colômbia 2024).

Em todos os casos, a cooperação agregou valor, mas também evidenciou seu caráter predominantemente reativo e pouco sistematizado.

Um sistema que depende da improvisação

A análise comparada identifica três desafios estruturais que limitam a efetividade da ajuda mútua em incêndios extremos:

  • Quando ativar a cooperação: as decisões sobre solicitar ajuda internacional raramente se baseiam em critérios técnicos predefinidos. Em muitos casos, respondem a decisões políticas ou midiáticas.
  • Como coordenar múltiplos atores: chancelarias, agências técnicas, sistemas de proteção civil, migração, alfândegas e atores internacionais operam em paralelo, gerando duplicidades ou falta de coordenação.
  • Como gerir a logística em crise: receber ajuda internacional implica uma operação complexa que envolve transporte, alojamento, alimentação, seguros, integração operacional e fornecimento de insumos em contextos nos quais os sistemas nacionais já estão saturados.
Da solidariedade à efetividade

Para além da resposta imediata, a ajuda mútua gera benefícios de longo prazo para a gestão do risco:

  • Fortalece capacidades técnicas por meio do aprendizado conjunto.
  • Gera confiança entre instituições e países.
  • Permite testar novas práticas em campo.
  • Estabelece bases para uma cooperação futura mais estruturada.

A principal lição é: a ajuda mútua é fundamental, mas precisa ser institucionalizada e avaliada para responder de forma eficaz a incêndios florestais extremos. Isso implica avançar rumo a sistemas mais previsíveis e coordenados por meio de:

  • Memorandos de entendimento, acordos e protocolos claros para a solicitação, oferta e mobilização de ajuda.
  • Padrões de referência voluntários para brigadas, equipamentos, capacidades, aeronaves etc.
  • Sistemas de monitoramento e avaliação pós-incêndio.
  • Integração da ajuda internacional ao planejamento nacional.

Sem esses elementos, a cooperação continuará dependendo da improvisação, justamente quando há menos margem para isso.

Uma agenda regional em construção

A América Latina e o Caribe não partem do zero. Existem esforços regionais que estão avançando rumo a uma maior articulação, incluindo plataformas técnicas e redes de informação que promovem o intercâmbio de dados, experiências e capacidades.

Alguns exemplos são o Grupo de Especialistas em Incêndios Florestais da América Latina e do Caribe (GEFF-LAC), assim como a Rede Amazônica de Manejo Integral do Fogo (RAMIF), impulsionada no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que criou recentemente o Comitê de Resposta a Incêndios Florestais (CRIF). Essa iniciativa conta com o apoio do programa de coordenação regional Amazônia Sempre do Grupo BID. Tais iniciativas representam passos importantes para consolidar capacidades técnicas, geração de conhecimento e articulação regional em torno do manejo do fogo.

Esses avanços refletem uma tendência clara: a região começa a se mover de respostas reativas para uma abordagem mais estruturada e colaborativa. O desafio agora é escalar esses esforços, conectá-los entre si e traduzi-los em mecanismos operacionais que funcionem sob pressão.

Essas iniciativas mostram que a região já conta com bases sobre as quais construir uma cooperação mais efetiva.

O BID impulsiona uma agenda para fortalecer a ajuda mútua

A região não precisa partir do zero, mas deve avançar com maior decisão. Institucionalizar a ajuda mútua permitirá responder de forma mais rápida, melhor e coordenada a incêndios que não reconhecem fronteiras.

O BID apoia os países da região por meio de cooperações técnicas e investimentos para fortalecer a prevenção, preparação e combate a incêndios sob uma abordagem de manejo integral do fogo.

Em particular, impulsiona uma agenda para estruturar a ajuda mútua, facilitando a análise de experiências, a identificação de lacunas e o desenvolvimento de mecanismos regionais de cooperação. Isso é realizado por meio do programa regional Preparados e Resilientes nas Américas, com o qual se promovem a prevenção, a preparação, a coordenação regional e soluções financeiras para fortalecer a resiliência diante desastres na América Latina e no Caribe.

Para se aprofundar nessas experiências e explorar recomendações específicas para a região, convidamos você a consultar a nota técnica completa: “Ajuda mútua para o combate a incêndios florestais na América Latina e no Caribe: experiências, análise comparada e recomendações”.

 

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