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O que funciona na prevenção da violência nas escolas? A abordagem comportamental

Educação O que funciona na prevenção da violência nas escolas? A abordagem comportamental Novas evidências sobre intervenções comportamentais mostram quais programas escolares reduzem o bullying e a agressão, e o que implicam para a região. Nov 5, 2026
Estudiantes
Ideias-chave
  • As escolas podem desempenhar um papel fundamental na prevenção da violência escolar por meio de intervenções comportamentais.
  • Na América Latina e no Caribe, os programas voltados a promover mudanças no comportamento dos estudantes e na sua autorregulação emocional funcionam: desenvolvem habilidades socioemocionais e conseguem reduzir o bullying e os níveis de raiva.
  • Integrar a prevenção às disciplinas, durante o horário regular de aulas, apresenta o maior efeito médio observado entre as estratégias avaliadas.

     
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É possível prevenir o bullying. Para um ministério da educação, a questão é como fazer isso: há muitas opções sobre a mesa, e nem todas dão o mesmo resultado. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sintetizou 88 avaliações de impacto do mundo todo, e essas novas evidências ajudam a responder a esta pergunta: programas escolares voltados a mudar comportamentos podem reduzir a agressão e o bullying com efeitos relevantes para o desenho de políticas na América Latina e no Caribe?

Este artigo faz parte de Escolas que Cuidam, uma série de blogs do BID que reúne evidências sobre o que funciona para prevenir a violência a partir da escola. Aqui, resumimos o que funciona melhor nos programas de prevenção da violência comportamental e o que ainda falta saber, sobretudo para a região, onde as evidências crescem, mas ainda apresentam lacunas.

O que é a prevenção da violência comportamental?

A prevenção da violência comportamental (BVP, na sigla em inglês) reúne intervenções escolares voltadas a mudar comportamentos, com duas abordagens principais.

  1. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) enfatiza a reestruturação cognitiva e a autorregulação.
  2. Os programas de desenvolvimento socioemocional e comportamental fortalecem habilidades socioemocionais e promovem comportamentos positivos.

Os resultados completos foram publicados na Nota de Evidência do Centro de Informação para a Melhoria da Aprendizagem (CIMA) do BID, “O que funciona na prevenção da violência comportamental no ambiente escolar?”. A nota apresenta o tamanho médio dos efeitos, expresso em desvios-padrão (DP), uma medida que mostra quão grande é o impacto em relação à variação média (ou típica) entre os estudantes. Para interpretar esses números, são usados os critérios de Matthew Kraft (2020), que fornecem um referencial para avaliar impactos educacionalmente significativos.

Quais programas contra o bullying funcionam melhor?

As evidências apontam para quatro características dos programas que funcionam:

  1. Dentro do currículo e do horário regular. Segundo a revisão sistemática, incorporar essas atividades ao currículo formal é a estratégia mais eficaz. As intervenções realizadas fora do horário de aulas e aquelas ensinadas como disciplina independente alcançam efeitos um pouco menores. Os programas que integram a prevenção às diferentes disciplinas, durante o horário regular de aulas, apresentam o maior efeito médio: 0,41 DP.
  2. Com foco na regulação emocional. As estratégias que desenvolvem habilidades de regulação emocional são especialmente eficazes no ambiente escolar. Os programas que combinam desenvolvimento socioemocional e comportamental são os mais avaliados e se mostram eficazes e amplamente aplicáveis em diferentes contextos. Entre as abordagens, a terapia cognitivo-comportamental registra os maiores efeitos (0,94 DP) sobre os comportamentos relacionados à violência.
  3. Cara a cara. Os programas presenciais apresentam efeitos sólidos (0,40 DP), o que está associado à interação direta e à modelagem de comportamentos.
  4. No ensino primário e no secundário. Os efeitos são consistentes ao longo da educação obrigatória.

Em 2025, o BID promoveu a integração do desenvolvimento socioemocional nos currículos nacionais como eixo transversal. Esta revisão sistemática de evidências oferece novos argumentos a favor dessa ideia no campo da prevenção da violência com abordagem comportamental.

O que muda nos estudantes quando se promove a abordagem de prevenção da violência?

Os programas reduzem o bullying, com um efeito médio de 0,45 DP. As agressões físicas e verbais também diminuem, embora de forma mais moderada, o que sugere que podem ser comportamentos mais difíceis de modificar.

Grafica violencia

A forma como os estudantes enxergam a violência também muda. Os programas reduzem a aceitação da violência ao questionar as crenças e normas sociais que a legitimam (0,27 DP) e melhoram a capacidade de reconhecer suas diferentes formas (0,37 DP).

Além disso, há benefícios para a saúde emocional, mesmo que esse não seja o objetivo principal dessas intervenções. Os níveis de raiva caem (0,37 DP), e a ansiedade e o estresse também diminuem (0,27 DP).

Saude Mental figura

Funciona na América Latina e no Caribe?

As evidências indicam que esses programas têm efeitos moderados na América Latina e no Caribe. Na região, o efeito médio é de 0,27 DP, o mesmo observado nos países de alta renda. Esse efeito se situa na faixa considerada educacionalmente significativa, o que indica que esses programas podem produzir melhorias relevantes para as políticas públicas em diferentes contextos.

O que ainda falta saber sobre a prevenção do bullying?

As evidências são sólidas quanto à redução da agressão e do bullying, mas deixam em aberto algumas perguntas importantes para a região. A primeira diz respeito à origem dos estudos: a maioria vem de um pequeno grupo de países de alta renda, liderado pelos Estados Unidos.
 

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A América Latina apresenta uma contribuição crescente, com estudos realizados no Brasil, no Chile, na Colômbia e no México. Na América Central e no Caribe, persistem lacunas importantes. Para a região, essa é uma oportunidade de gerar evidências próprias sobre o que funciona em suas escolas.

Também não se sabe o suficiente sobre os programas virtuais. A única estimativa disponível para uma intervenção totalmente virtual mostra um efeito praticamente nulo (0,01 DP), e os formatos híbridos alcançam impactos mais modestos (0,10 DP). Em outras palavras, é possível que essas intervenções dependam de dinâmicas interpessoais difíceis de reproduzir on-line.

Há ainda lacunas de evidências sobre a prevenção em toda a escola e sobre a violência fora do ambiente escolar. Além disso, um estudo de David Evans, Gabriela Smarrelli e Yi Ning Wong destaca a falta de evidências sobre o papel da aplicação de leis relacionadas ao tema ou da melhoria da resposta institucional à violência.

O que os governos podem priorizar?

Para quem formula políticas educacionais, vale a pena considerar estas quatro recomendações:

  1. Integrar a prevenção ao currículo formal, dentro do horário regular, que é a estratégia com maior efeito. A exposição repetida e o reforço dos conteúdos em diferentes contextos poderiam trazer benefícios adicionais.
  2. Priorizar a modalidade presencial. Os formatos híbridos podem funcionar desde que mantenham oportunidades reais de interação cara a cara.
  3. Garantir uma implementação sólida nos programas amplos, especialmente naqueles com múltiplos componentes.
  4. Avaliar com rigor em diferentes contextos da região, já que as lacunas atuais limitam a possibilidade de generalizar os achados.

Mais evidências sobre o que funciona

A Nota de Evidência CIMA faz parte da série “O que funciona em educação”, que apresenta resultados de uma revisão sistemática de evidências para entender o que funciona em diversos temas educacionais. Acesse aqui para ler os resultados completos e explore aqui os mapas interativos de evidências. Encontre mais notas de evidência sobre o que funciona em educação no CIMA.

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