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Desenvolvimento de competências: Como virar o jogo na América Latina e no Caribe

Educação, Mercados de trabalho Desenvolvimento de competências: Como virar o jogo na América Latina e no Caribe Enquanto o mundo gira em torno do futebol, o BID lança sua agenda de competências 2025‑2030. Formar talentos também exige estratégia e jogo em equipe. Jun 23, 2026
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Destaques
  • A Copa do Mundo está em andamento — e as competências são a chave para vencer outra partida igualmente importante: a Copa do Mundo do Desenvolvimento. No futebol, são as competências que determinam quem vira o jogo. O mesmo vale para as economias. 
  • O novo Marco Setorial de Educação e Desenvolvimento de Competências 2025-2030 do BID estabelece a agenda estratégica para fortalecer os sistemas educacionais, reduzir as lacunas de competências e ampliar as oportunidades de aprendizagem necessárias para a prosperidade da América Latina e o Caribe.
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No futebol, os melhores times não nascem no dia da partida. Eles são construídos ao longo de anos de trabalho diário, treinamento sistemático e — acima de tudo — das condições certas para que o talento floresça. A Copa do Mundo de 2026 colocará esse processo em evidência diante de milhões de torcedores ao redor do mundo.

O desenvolvimento de competências funciona da mesma forma: por trás de cada pessoa pronta para estudar, trabalhar e inovar há anos de aprendizagem e de oportunidades acumuladas. E, assim como no futebol, os resultados dependem de quanto se investe — e com que sabedoria — antes mesmo de o jogo começar.

É por isso que, enquanto o mundo volta sua atenção para a Copa do Mundo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está lançando seu novo documento de Marco setorial de educação e desenvolvimento de competências 2025–2030: um roteiro estratégico que orienta nossas operações, o diálogo de políticas e a agenda de conhecimento sobre desenvolvimento de competências em toda a América Latina e o Caribe. Um dos compromissos mais importantes da região: transformar a aprendizagem em prosperidade compartilhada e garantir que as oportunidades comecem pela educação.

As competências se constroem ao longo de toda a vida — na sala de aula, no trabalho, na comunidade. A evidência é clara: três anos adicionais de aprendizagem de qualidade se traduzem em uma renda do trabalho 15% maior e em dois pontos percentuais adicionais de crescimento econômico ao longo de quatro décadas.”

— Mercedes Mateo, Chefe da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O placar atual: Três lacunas que a região não pode ignorar

A América Latina e o Caribe conquistaram avanços significativos no acesso à educação nas últimas décadas. Mas encher as salas de aula não basta. O verdadeiro desafio é converter anos de escolaridade em competências reais, relevantes e úteis para a vida e o trabalho. Este novo marco identifica três lacunas críticas: 

  1. Baixos níveis de competências entre os jovens. Apenas 19% dos jovens concluem o ensino médio com proficiência mínima em matemática. Entre os jovens dos 20% de menor renda, esse número cai para 5%. (CIMA, 2022)
  2. Baixos níveis de competências entre os adultos. Mais de 50% dos adultos no Peru, Equador, Chile e México alcançam apenas o nível mínimo de proficiência em leitura, o que significa que conseguem ler apenas textos curtos sobre temas familiares. Nos países da OCDE, essa proporção é inferior a 22%. Há também descompassos significativos entre a educação e as demandas do mercado de trabalho: no Peru, Chile, Equador e México, quase metade dos trabalhadores ocupa empregos sem relação com sua área de formação. (OCDE, 2023; PIAAC)  
  3. Escassez de competências no mercado de trabalho. Mais de 53% das grandes empresas da região apontam a lacuna de competências como a principal barreira à sua transformação — colocando-a acima das restrições financeiras ou regulatórias. (Fórum Econômico Mundial, 2025)  

O problema não se resume a recursos. A região investe 4,2% do PIB em educação, abaixo dos 5,1% da OCDE, e o gasto por estudante é apenas um terço da média dos países desenvolvidos. Mas, mesmo considerando os níveis de renda, a região obtém menos aprendizagem por dólar investido. A lacuna também é de governança, qualidade e relevância. (BID, Marco Setorial 2025–2030)

Para saber mais, veja nosso gráfico sobre o gasto em educação como porcentagem do PIB na América Latina e no Caribe em comparação com a OCDE. Para dados por país, consulte o Centro de Informação para a Melhoria da Aprendizagem, ou CIMA na sigla em espanhol.

Reduzir as lacunas de competências é essencial para impulsionar o crescimento e a produtividade em toda a região. Um aumento das competências cognitivas equivalente a três anos adicionais de escolaridade pode acelerar o crescimento econômico em 2 pontos percentuais do PIB ao longo de 40 anos e elevar a renda do trabalho em 15%.  

Investir em competências é fundamental tanto para o crescimento econômico quanto para a inclusão social — e a ampliação do acesso à educação secundária e terciária foi decisiva para reduzir a desigualdade na renda do trabalho na região no início dos anos 2000.

No BID, estamos convencidos de que este é o momento de impulsionar o gasto inteligente em educação. Não se trata apenas de números — trata-se de um compromisso com o crescimento e a equidade. Trata-se de garantir que cada menina e cada menino da América Latina e do Caribe possam aprender, independentemente de onde nasceram ou da escola que frequentam. Por isso, seguiremos caminhando ao lado da região nessa transformação.

A tática: Três pilares que funcionam em conjunto

No futebol, nenhum time vence apenas com craques. É preciso estrutura, organização e jogadas que se conectem. Nosso novo Marco Setorial propõe exatamente isso: três pilares interdependentes que, juntos, formam um plano de ação para transformar os sistemas de competências da região.

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Pilar 1. Fortalecer a capacidade institucional em todo o sistema

Sem sistemas sólidos, nenhuma intervenção consegue ganhar escala. Este pilar estabelece as bases institucionais: financiamento equitativo e sustentável, professores bem selecionados e capacitados, sistemas robustos de monitoramento de desempenho e estruturas de governança que separam a execução da avaliação e da supervisão. 

O desafio inicial é considerável: a região precisará de mais de 3,2 milhões de professores adicionais até 2030 para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4. Os Sistemas de Informação para a Gestão Educacional (EMIS, na sigla em inglês) ainda são incipientes ou fragmentados na maioria dos países, e os mecanismos de garantia de qualidade na educação pós-secundária e na formação técnica e profissional ainda têm lacunas significativas a superar.

Pilar 2. Promover trajetórias de aprendizagem contínua ao longo da vida 

A aprendizagem não deveria parar — mas, na América Latina e no Caribe, muitas pessoas saem do sistema cedo demais. Apenas 37% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados no ensino superior, em comparação com 54% nos países da OCDE. A lacuna socioeconômica se amplia a cada etapa: 85% dos jovens de famílias de alta renda concluem o ensino médio, contra apenas 53% dos de baixa renda. 

Este pilar propõe respostas concretas: infraestrutura escolar inclusiva e resiliente, ampliação da jornada escolar, sistemas de alerta precoce baseados em dados para identificar estudantes em risco de evasão, apoio financeiro direcionado e modelos de aprendizagem flexíveis, modulares e híbridos que permitam aos adultos continuar aprendendo sem sair do mercado de trabalho.

Pilar 3. Aumentar a qualidade e a relevância da aprendizagem

O acesso à educação não garante a aquisição de competências úteis. Cerca de 75% dos jovens de 15 anos da região têm desempenho abaixo do nível mínimo de proficiência em matemática, em comparação com 31% nos países da OCDE. Ao mesmo tempo, 40% não conseguem resolver problemas colaborativos básicos — uma competência fundamental nos ambientes de trabalho atuais.  

Enfrentar esse desafio requer currículos baseados em evidências e uma pedagogia estruturada; professores com desenvolvimento profissional contínuo e de alta qualidade, além de apoio em sala de aula; formação técnica e profissional alinhada às necessidades do mercado de trabalho; e a integração estratégica da tecnologia — incluindo a inteligência artificial — que potencialize o ensino sem substituir a relação entre professor e estudante. 

 

As jogadas concretas: O que o BID está propondo?

O Marco Setorial é mais do que um diagnóstico. Ele define linhas de ação em três níveis prioritários para orientar as operações, o diálogo de políticas e a agenda de conhecimento. Entre as principais propostas estão:  

  • Gasto inteligente: fórmulas baseadas em necessidades, mecanismos de pagamento por resultados e parcerias público-privadas para a infraestrutura educacional. O objetivo: gastar mais e gastar melhor.
  • Professores como ativo estratégico: seleção baseada no mérito, alocação equitativa e eficiente, desenvolvimento profissional contínuo e apoio pedagógico em sala de aula. A evidência é contundente: um excelente professor pode melhorar de forma significativa a aprendizagem dos estudantes em pouco tempo.
  • Sistemas de alerta precoce e tutoria: sistemas baseados em dados para detectar estudantes em risco de evasão, combinados com apoio acadêmico direcionado. Na Guatemala, um sistema desse tipo reduziu a evasão na transição do ensino fundamental para o médio em 9% entre os participantes.
  • Formação técnica alinhada ao mercado de trabalho: currículos cocriados com os empregadores, aprendizagem no ambiente de trabalho, certificação de competências e microcredenciais acumuláveis. Apenas 9% dos estudantes do ensino superior na região estão matriculados em programas técnicos, em comparação com 30% na América do Norte e no Leste Asiático.
  • Tecnologia com propósito: a tecnologia pode ser uma aliada poderosa — mas só quando bem utilizada. Não se trata de encher as salas de aula de dispositivos; trata-se de colocar a tecnologia a serviço do ensino. A aprendizagem melhora quando as ferramentas digitais e a inteligência artificial complementam a relação entre professor e estudante, em vez de substituí-la.    
Um time com histórico: O que o BID já alcançou

Desde 2015, o BID investiu mais de US$ 5 bilhões no desenvolvimento de competências por meio de 57 empréstimos e 24 operações de doação — alcançando quase 30 milhões de estudantes em toda a região. Mais de US$ 2 bilhões foram destinados à infraestrutura educacional. Mais de 1 milhão de professores receberam capacitação. Foram apoiados mais de 600.000 estudantes com deficiência e 800.000 estudantes indígenas. (BID, Marco Setorial 2025–2030, Seção IV)

O novo Marco Setorial incorpora as lições aprendidas dessa experiência: a tecnologia funciona melhor quando acompanhada da capacitação docente; o financiamento por resultados precisa de instituições sólidas para ser implementado; e nenhum programa isolado transforma um sistema sem reformas de governança mais profundas.  

  

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Passe a bola: Porque as competências se constroem em conjunto

No futebol, a bola circula entre os jogadores. Cada um a recebe, a processa e a passa adiante. Ninguém vence sozinho.

Quais são as competências de que a região precisa para vencer a Copa do Mundo do Desenvolvimento?

Essa é a pergunta que exploraremos ao longo da Copa do Mundo de 2026. Nas próximas semanas, compartilharemos reflexões sobre as competências capazes de transformar a América Latina e o Caribe: quais são as mais urgentes, o que a evidência nos diz sobre como desenvolvê-las e o que os países podem fazer para reduzir a lacuna.    

Passe a bola. Porque as competências, assim como o futebol, se constroem em conjunto.  

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O Documento de Marco Setorial de Educação e Desenvolvimento de Competências 2025–2030 do BID orienta as atividades de operações, diálogo de políticas e geração de conhecimento do BID em toda a região.   

Saiba mais sobre o Marco Setorial de Educação do BID
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