- No Pará foi implementado um programa piloto para avaliar competências ambientais com mais de 7.900 estudantes de 90 escolas, sendo a primeira avaliação desse tipo aplicada na América Latina e no Caribe.
- Os resultados do piloto na Amazônia servirão como base para futuras edições da prova PISA e complementarão esforços regionais para promover comunidades ambientalmente responsáveis.
A COP30 foi uma oportunidade de alcance global para discutir como a educação pode promover a sustentabilidade ambiental a partir das escolas. Realizado pela primeira vez na Amazônia, esse encontro colocou a resiliência e o desenvolvimento sustentável no centro das discussões.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como parte de sua agenda de trabalho no setor social, atua para que os sistemas educacionais da América Latina e do Caribe possam se adaptar e permanecer resilientes mesmo diante de condições ambientais adversas. A educação cumpre um papel fundamental no enfrentamento dos impactos dos desastres naturais na região.
Promover o debate sobre educação para a sustentabilidade não é apenas necessário, mas cada vez mais urgente. Avaliar conhecimentos, atitudes e práticas dos estudantes em relação ao meio ambiente permite saber se estamos promovendo uma cultura de responsabilidade e capacidade transformadora. Nesse contexto, o projeto piloto de avaliação no estado do Pará. cujos resultados foram apresentados durante o evento, adquire relevância especial ao considerar aspectos como:
- O diagnóstico da situação para a sustentabilidade ambiental em nível local para orientar melhorias em políticas educacionais (reformas curriculares, formação docente, desenvolvimento de recursos etc.).
- O fortalecimento de redes educacionais para a sustentabilidade ambiental em nível local, com foco na capacidade de aplicar conhecimentos em contextos reais.
- A análise comparativa e o relatório nacional e internacional de resultados na educação para o desenvolvimento sustentável, servem de base para o diálogo regional, a cooperação técnica e a preparação de projetos de melhoria educacional sobre o meio ambiente e o clima.
A experiência do Pará rumo ao PISA 2029
Promover a a educação para o desenvolvimento sustentável durante a COP30 representou uma oportunidade estratégica para articular experiências de governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil em torno de um objetivo comum. O encontro colocou no centro da discussão a necessidade de desenvolver competências para que os estudantes compreendam como as ações humanas influenciam o clima, e como o clima influencia a vida das pessoas e dos ecossistemas.
Nessa mesma linha, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), por meio de seu Programa para Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), implementou em parceria com a Secretaria de Educação do Pará (SEDUC-PA) um programa piloto de avaliação de alfabetização climática no estado, com a participação de 90 escolas públicas. Essa experiência é a primeira desse tipo na região amazônica, e os resultados desse piloto servirão de base para futuras medições do PISA em nível internacional, fortalecendo a incorporação da cidadania verde nas agendas educacionais.
Segundo a OCDE, a avaliação busca identificar o nível de desenvolvimento dos conhecimentos, habilidades, valores e comportamentos dos estudantes para se adaptarem aos desafios climáticos.
Figura 1: Conhecimento autodeclarado sobre questões relacionadas ao meio ambiente e ao clima
O programa piloto foi realizado durante o mês de agosto de 2025 e alcançou mais de 7.900 estudantes de 15 anos, do nono ano do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio, em todo o estado do Pará. A avaliação incluiu um questionário de atitudes, uma prova de conhecimentos e um conjunto de perguntas conceituais sobre alfabetização climática.
Os resultados, apresentados durante a COP30, mostram que os estudantes de 15 anos do Pará possuem uma compreensão relativamente sólida sobre problemas ambientais locais, como a floresta amazônica, mas que seu conhecimento geral sobre o clima ainda é limitado.
Os estudantes do Pará declaram conhecer bem, ou ao menos ter conhecimento geral, sobre temas relacionados à desmatamento e clima (62%), impacto humano na Amazônia (49%) e a relação entre o ambiente e o bem-estar (44%). Entretanto, em outros temas, como reservas, conservação e políticas, os conhecimentos são incipientes.
O que se espera após esse primeiro programa piloto de avaliação?
Durante a COP30, a Secretaria de Educação do Estado do Pará, junto a especialistas do BID, UNESCO, OCDE e da Oficina para a Educação Climática, apresentou sua Política de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima, instituída ao final de 2023, que inclui uma componente curricular obrigatória aos estudantes da educação básica. Esta política já atende cerca de 1.5 milhão de estudantes no Pará, e estão previstas iniciativas para o seu aprimoramento e ampliação, como parte do escopo de uma operação de empréstimo assinada entre o BID e o governo do Pará.
Nesse encontro também foi ressaltada a importância de contar com avaliações que apoiem a implementação de currículos que fomentem a cidadania verde, alinhada à agenda que o BID tem impulsionado nos últimos anos. Medir a cidadania verde com indicadores locais — que incluam não apenas conhecimentos, mas também atitudes, valores, práticas coletivas e engajamento social — é uma dimensão que merece maior atenção na região.
Un tópico mais presente na sala de aula
A medição desse tipo de conhecimento foi um dos temas recorrentes da discussão e ganhará ainda mais importância nos próximos anos. Porém, embora avaliações internacionais como o PISA contribuam para o debate, espera-se que, no futuro, essa temática esteja mais presente na sala de aula, integrando os currículos e as agendas de avaliação nacionais.
Conheça mais sobre os resultados do piloto do PISA no Pará aqui.