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Títulos verdes e sustentáveis não são modismo, são oportunidades que o Brasil deve aproveitar

Análise Econômica Títulos verdes e sustentáveis não são modismo, são oportunidades que o Brasil deve aproveitar Conheça as tendências e as oportunidades valiosas trazidas pela emissão títulos verdes e sociais que o Brasil não pode deixar escapar. Abr 13, 2021
Titulos-verdes

Na contramão (ou talvez como efeito) domomentodesafiadorque caracteriza aseconomiasglobais,crescemointeresse eoespaçopara um filãoparticularno mercado financeiro mundial:ostítulos de dívida temáticos, sobretudo ossustentáveis– ousustainaiblebonds.

Segundo cálculos da consultoriaBloombergNEF, o volume de emissões de títulos de dívida ligados a princípios sustentáveis cresceu 29% em 2020, pleno anode pandemia,somandoUS$ 732 bilhões.

Por aqui,embora o mercado brasileiro ainda seja uma pequena fração do global,o salto foi ainda mais expressivo:passamos de US$ 2,2 bilhões para US$ 5,3 bilhões nas emissões acumuladas, um salto de 140%, segundo a consultoria Sitawi Finanças do Bem.

Trata-se de umsegmentoque, mesmo com a persistência da pandemia neste ano, devemanter trajetória de rápida expansão, de acordo com os principais atores dos mercados globais.

Para o Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID),envolvido em 30% das emissões de títulos temáticos na América Latina e Caribe,e para o Banco do Brasil, queconcluiu recentemente os preparativos para estreia no mercado de dívidas com viés sustentável,não se trata de modismo, mas de uma tendênciasólidaquetrazoportunidades valiosasque o Brasil não pode deixar escapar.

Um exemplo concreto se dá no agronegócio, pivô da balança comercial brasileira e um dosfocos definidos pelo BBcomo ativos elegíveispara lastrear suas futuras emissões de títulos temáticos.Se por um lado osetor é alvo de pressõesinternacionais por contade questões ambientais, é verdade também quecada vez maiores parcelas da agricultura brasileira aderemàsboas práticas de preservação e promovemo reflorestamentoe a biodiversidade.

Por meio daavaliação estruturada de práticas de sustentabilidade edo rigor trazido pela metodologia que embasa os títulossustentáveis,é possível justamente identificar quem são esses bons atorese, assim, atrairrecursos de investidoresambiental e socialmentecomprometidos– que representam, felizmente, uma parcela cada vez maior no mercado financeiro.

Falamos de recursosamplamentedisponíveisnas gestoras globais – ou traduzindo para o jargão do mercado, “liquidez”, mascujo acesso não depende apenas da oferta de retornos financeiros positivos. De modo acertado, cada vez mais, os investidores olham também para o histórico da instituição para onde vão seus recursos, seu compromisso com a sustentabilidade, sua gestão corporativa e sua responsabilidade socioambiental– princípios de ESG, na sigla em inglês, ou ASG, no mercado local.

Além dos títulos sustentáveis, o leque de opçõesdas finançassustentáveis inclui ainda nomenclaturas como títulos verdes(um pouco mais conhecidos no mercado nacional) etítulos sociais. Há ainda osSustainability Linked Bonds eSustainabilityLinkedLoans(títulose empréstimosligados à sustentabilidade), nos quaisos papéis não estão vinculados a ativos específicos, mas financiam, por exemplo, projetos de uma instituição que se comprometa a reduzir o consumo de energia não-renovável e performance de carteira sustentável.

Toda essa diversificação de rótulos em um mercado ainda em desenvolvimento pode confundiros investidores.Por isso, tornar públicos os preparativos e as operações desse tiponão é apenasjogadade marketing, masrepresenta um esforçodidáticoedeestímulo aum mercado que, apesar dos benefícios claros e do potencial represado, não se desenvolverá sozinho– ou ao menos não com a velocidadequeprecisamos.

Segundo a Organização dasNações Unidas,serão necessários entre US$ 5 e 7 trilhões por ano até 2030 – dos quais 2,5 trilhões em economias em desenvolvimento – para que o mundo alcance as metas estipuladas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e no Acordo do Clima de Paris.

São recursos que,no Brasil por exemplo,poderão auxiliara suprir lacunas em áreas como saneamento básico, energia renovável, transporte público ou agricultura sustentável.E, mais do que isso, écapitaldisponível entre investidores comprometidos a contribuir cada vez mais para um mundo mais justo, resiliente e sustentávele quefará a diferença na vida dos brasileiros.

*Ana Maria, Marcio e Jorge lideram os esforços de sustentabilidade no Banco do Brasil; Maria NettoeMorganDoyle, representante do Grupo BID no Brasil,conduzem essa agenda no BID

** Este artigo foi publicado originalmente pelo Estadão no di a 19 de abril de 2021: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/financas-verdes-e-sustentaveis-nao-sao-modismo-sao-oportunidades-que-o-brasil-deve-aproveitar/

https://blogs.iadb.org/brasil/pt-br/como-o-sistema-financeiro-contribui-para-a-transicao-a-uma-economia-verde/
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