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Três momentos na arte jamaicana

Na arte e na geografia, a Jamaica é um mundo distante. Durante a maior parte de sua história, a pintura e a escultura do país se desenvolveram de forma bastante independente do restante do Caribe e do mundo. Atualmente, os artistas jamaicanos, sobretudo os mais progressistas, continuam praticamente desconhecidos no exterior.

Da mesma forma, as mostras de arte jamaicana, sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra, apresentam as obras com referências mínimas aos movimentos artísticos no resto do mundo.

Mas uma nova exposição, que pode atualmente ser vista na galeria de arte do Centro Cultural do BID, tem uma abordagem diferente. Com 42 pinturas, litografias e esculturas, que cobrem o período dos últimos três séculos até o presente, "Três Momentos na Arte Jamaicana" examina as realizações artísticas do país contra o pano de fundo de toda a arte ocidental. Ao fazer isso, identifica três momentos definidores no desenvolvimento artístico do país.

No primeiro momento - um longo período de tempo que abrange duas décadas de regime colonial -, os artistas refletem uma cultura que permaneceu estoicamente leal às tradições britânicas. A arte era produzida por e para uma minoria.

Um exemplo é Philip Wickstead, de formação inglesa. Impregnado da tradição do barroco tardio, do rococó e do neoclássico, ateve-se fielmente ao propósito de documentar a realidade local das pessoas e dos lugares, ou, como afirma o catálogo da mostra, "do orgulho, da nostalgia e da umidade tropical".

O segundo momento, de 1922 a 1929, começa com a chegada a Kingston da artista Edna Manley e com sua luta para conseguir o reconhecimento dos diversos valores culturais do país. E termina com a consolidação do Partido do Povo em 1929, cuja plataforma cultural incluía o que então se chamava de arte Negra como um dado fundamental para a reavaliação dos valores raciais. Esse período viu surgir a abordagem "intuitiva" da arte.

O terceiro momento, de 1962 a 1972, foi um período de mudança - a independência, o surgimento do Partido Socialista e o movimento dos direitos humanos nos Estados Unidos. A arte expressava uma crescente consciência africana e o ressurgimento do rastafarianismo.

A exposição do BID ficará aberta ao público até 6 de fevereiro.

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