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Pequenas empresas, lucros grandes

Parece tão simples quanto um aperto de mão. Um investidor compra ações de uma empresa, torna-se sócio e participa do lucro. O êxito do empreendimento beneficia a todos os envolvidos: proprietários, investidores, empregados, famílias, fornecedores e clientes.

Apesar disso, na América Latina, foi preciso uma década de tendências macroeconômicas favoráveis para dar aos investidores o nível de tranqüilidade necessário para começar a participar do capital das pequenas e médias empresas da região. Os bancos comerciais em geral consideram essas empresas pequenas e jovens muito arriscadas e muitos investidores ainda vêem a América Latina como um mercado emergente. Mas um punhado de fundos de capital de risco hoje estão comprando ações e pensando no futuro. Vêem um potencial de investimento virtualmente intato: milhares de firmas inovadoras esperando para ser capitalizadas e prontas para crescer.

"Uma economia em desenvolvimento precisa bons produtos e empresários criativos se quiser competir globalmente e ambos em geral vêm do setor de empresas pequenas e médias", diz Andrés Blondet, que dirige um fundo de capital de risco no Peru, onde 75% das 5.000 maiores empresas têm vendas brutas de menos de US$2 milhões. "Esse é o nosso mercado. Essas firmas são as que criam os novos produtos para vender, comprar e exportar."

Os investimentos de capital têm diversas vantagens para as companhias pequenas e jovens. Ao contrário do crédito bancário, não requerem caução. Não requerem que as empresas comecem a pagar dividendos até que o negócio se tenha desenvolvido, liberando-as do serviço da dívida quando mais precisam do capital para construir os negócios. Além disso, os fundos de capital de risco podem trazer consigo uma variedade de contatos e especializações, que vão desde o know-how financeiro ao marketing, que podem ajudar os negócios a atravessar os anos críticos de crescimento e expansão.

"Creio que o capital de risco é provavelmente a única fonte de recursos atraente disponível para esse tipo de negócio", comenta Jerry Barnes, presidente da Mesa International, atacadista americano que importa produtos da América Latina. "Os bancos adoram as empresas que têm muito dinheiro; o capital de risco respeita os que não têm. E está disposto a arriscar o investimento nessas empresas."

O capital de risco é tão novo na América Latina que os diretores dos fundos muitas vezes têm que explicar por que e como vão investir milhões de dólares nas empresas locais. Realizam seminários, colocam anúncios em jornais, trabalham junto às associações comerciais. O Fondo de Asistencia a la Pequeña Empresa (FAPE), dirigido por Blondet, é o único fundo de capital de risco do Peru para o setor da pequenos negócios. Fundado em 1997, o FAPE já fez cinco investimentos de capital e espera fazer 55 mais ao longo da próxima década.

"Muitos empresários não têm noção do que seja capital de risco, por isso temos que explicar a eles", diz Blondet. "O que os entusiasma é não apenas o financiamento mas a idéia da parceria. O que os faz pensar duas vezes é a idéia de ter um sócio de fora dentro da companhia, de perder o controle absoluto."

A Corporación Financiera Ambiental (CFA) - primeiro fundo de capital de risco da América Central e o único que investe exclusivamente em empresas ambientais de pequeno porte - também teve que pouco a pouco educar seus clientes. Desde que a CFA começou a operar em julho de 1996, foram apresentados à diretoria 120 projetos de investimento, dos quais apenas oito foram aprovados.

"Muitas empresas nos abordam com a idéia de que qualquer coisa que tenha que ver com o meio ambiente implica doações", diz Leonardo Ramírez, presidente da CFA. "A primeira coisa é fazê-los entender como funciona nosso negócio. É verdade que podemos assumir mais riscos do que os bancos tradicionais, mas em contrapartida o retorno do investimento tem que ser maior."

Ao mesmo tempo, Ramírez nota que como potencialmente as empresas de desenvolvimento sustentável bem-sucedidas são freqüentemente de alguma forma inovadoras - a carteira da CFA inclui empresas em áreas como a de energia renovável e silvicultura sustentável - as instituições financeiras tradicionais consideram o investimento nelas muito arriscado. "A região necessita novos mecanismos financeiros como capital de risco para empresas que têm um excelente potencial de crescimento mas dependem mais de seu know-how, de sua posição no mercado e de sua capacidade empresarial e inovadora", diz Ramírez.

Instituições como o Fundo Multilateral de Investimentos e a Corporação Interamericana de Investimentos, ambos membros do Grupo do BID, cada vez mais usam capital acionário como uma ferramenta de desenvolvimento, porque oferece lucratividade e sustentabilidade. Tem também como motivo o lucro, para tornar o processo de desenvolvimento mais responsável.

Um empréstimo paga juros ao credor, enquanto que o retorno do investimento de capital vem sob a forma de dividendos baseados no desempenho. Assim, o capital acionário em essência torna os investidores responsáveis pelas companhias das quais detêm ações. "Tornamo-nos sócios a partir do momento em que investimos até o momento em que saímos", diz Blondet, da FAPE. "Não podemos simplesmente fazer um investimento e depois esperar pelo cheque do dividendo."
 

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