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Custos de transporte locais mais baixos são fundamentais para impulsionar as exportações da América Latina e do Caribe

Novo relatório do BID recomenda investimentos em ferrovias, em vias hídricas e em estradas melhores para estender os benefícios do aumento das exportações para mais municípios

LIMA, Peru – Os países da América Latina poderiam aumentar significativamente suas exportações, especialmente de municípios pobres e mais distantes que ainda não se beneficiaram com a recente ampliação do comércio na região, se focassem seus esforços na redução dos custos de transporte locais, segundo um novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). 

Too Far to Export: Domestic Transport Costs and Regional Export Disparities in Latin America and the Caribbean” (Muito longe para exportar: os custos de transporte locais e disparidades das exportações regionais na América Latina e no Caribe) examina as dificuldades impostas aos exportadores pela infraestrutura de transporte precária, geograficamente desequilibrada e dependente de caminhões na região. O estudo foi apresentado num seminário que foi realizado em Lima, que contou com a presença do Ministro da Economia e Finanças do Peru, Miguel Castilla Rubio.

O estudo, que é focado no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, conclui que os países de toda a região poderiam ampliar significativamente suas exportações se reduzissem os custos do transporte por meio de investimentos inteligentes na expansão da rede de estradas pavimentadas e na promoção do uso de ferrovias e vias hídricas, que têm custo mais baixo. Uma redução de apenas 1% nos custos do transporte poderia aumentar as exportações nacionais em 4% no México e até 7,9% na Colômbia, de acordo com o modelo dos autores. 

“Os maiores beneficiários de uma infraestrutura de transporte mais desenvolvida e eficiente não estariam em São Paulo, Cidade do México, Bogotá, Santiago ou Lima, mas no centro-oeste do Brasil, no sul do México, na serra peruana, no sudeste da Colômbia e no sul do Chile”, diz o economista de comércio exterior do BID, Maurício Mesquita Moreira, coordenador do estudo. Essas áreas, que ainda não foram beneficiadas pelo recente crescimento do comércio da região, poderiam ter um aumento em suas exportações de 10% a 45%, segundo estimativas do relatório. 

Nos cinco países estudados, as exportações concentram-se fortemente em alguns poucos municípios, com frequência ricos, que desfrutam de acesso imediato a portos. Outros municípios mais distantes, muitas vezes localizados em áreas rurais com infraestrutura de transporte inferior, são menos competitivos por enfrentarem custos logísticos mais altos. 

No Brasil, por exemplo, apenas 19% dos municípios exportam, o que representa somente 27% do território do país. Na Colômbia e no Peru, apenas 24% dos municípios exportam. No Chile e no México, a base de municípios exportadores é bem maior (69% e 39% dos municípios exportam, respectivamente), mas a maioria dos exportadores está concentrada em poucas cidades: os dez maiores municípios são responsáveis por 74% do total de exportações no Chile e 69% no México. 

O relatório, produzido pelo Setor de Integração e Comércio do BID, é parte de um esforço contínuo para aumentar o entendimento dos formuladores de políticas sobre as consequências dos altos custos do transporte para o comércio exterior. Ele se segue à publicação, cinco anos atrás, de “Unclogging the Arteries: The Impact of Transport Costs on Latin American and Caribbean Trade” (Desobstruindo as artérias: o impacto dos custos de transporte sobre o comércio exterior da América Latina e Caribe), que examinou como os altos custos dos fretes internacionais afetam a competitividade das exportações da região. 

Ambos os relatórios concluíram que, embora a região tenha sido bem sucedida em abrir os mercados interna e externamente, hoje não são as tradicionais barreiras tarifárias ou não tarifárias que dificultam as exportações da América Latina, mas os custos de transporte dos bens. 

O principal culpado: a falta de investimentos, especialmente em modos de transporte alternativos e mais baratos, como ferrovias e vias hídricas. Em alguns casos, o problema são limitações orçamentárias, mas, em muitas situações, isso acontece porque as instituições públicas encontram dificuldades para projetar, avaliar e executar investimentos em infraestrutura de transporte. Uma reforma regulatória também é necessária para permitir que os governos alavanquem investimentos do setor privado. 

Todos esses problemas criam obstáculos para as promissoras iniciativas de melhoria da infraestrutura que todos os países incluídos no estudo já iniciaram. Entre elas estão os Planos de Logística Nacional do Brasil, Chile e Colômbia e os Programas de Estradas do México e do Peru, que, se integralmente implementados, terão um impacto positivo sobre os custos do transporte e poderão beneficiar as regiões mais distantes e menos desenvolvidas dos países.

Visite o site da publicação www.muylejosparaexportar.com

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