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Conferência sobre financiamento e o papel dos bancos de desenvolvimento é aberta juntamente com a Reunião Anual BID-CII

BELO HORIZONTE, Brasil - América Latina e o Caribe e os bancos multilaterais de desenvolvimento devem trabalhar juntos para garantir que mercados e serviços financeiros sejam, além de mais estáveis, eficientes e competitivos, mais inclusivos, proporcionando uma ampla acessibilidade a todos, afirmou o Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno, na sessão de abertura de uma conferência sobre financiamentos regionais.

Moreno afirmou que a maioria da população da América Latina e do Caribe tem acesso muito limitado ou não tem nenhum acesso a serviços financeiros modernos, o que mina sua capacidade de poupar, tomar empréstimos e de gozar da proteção de seguros, bem como de mobilizar eficientemente seus recursos, ainda que reduzidos. Esse fato acarreta grandes custos para essas pessoas e para o crescimento e desenvolvimento das economias da região. Concluiu que a democracia financeira deve ser promovida tomando as medidas necessárias para que uma proporção mais alta da população, particularmente da população marginalizada - como pequenas empresas, produtores rurais e domicílios em condição de pobreza -, tenha acesso a serviços financeiros de qualidade a preços acessíveis.

A conferência sobre “Financiamento latino-americano e o papel dos bancos de desenvolvimento”, que será realizada nos dias 30 e 31 de março no Centro de Convenções Expominas em Belo Horizonte, também foi aberta pelo Ministro do Planejamento do Brasil, Paulo Bernardo; pelo Governador de Minas Gerais, Aécio Neves da Cunha; pelo Presidente da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras (ALIDE), Mario Laborín Gómez; e pelo Presidente do Conselho Administrativo do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Hindemburgo Chateaubriand Pereira-Diniz.

A conferência oferece um espaço para que economistas internacionais de renome analisem o impacto das mudanças nos mercados internacionais de capitais e do comércio global no crescimento da América Latina e do Caribe e no desenvolvimento de novas estratégias, áreas de atuação e instrumentos inovadores de políticas públicas para financiar o desenvolvimento.

A lista de participantes inclui dois ganhadores do Prêmio Nobel, os professores Douglass North da Universidade de Washington, St. Louis, Missouri, e Joseph Stiglitz, da Universidade de Colúmbia, Nova Iorque.

O renomado pesquisador e professor John Williamson, do Instituto de Economia Internacional de Washington, D.C., que inspirou o conceito do Consenso de Washington, lançou o debate sobre seus resultados, implicações para a região e as perspectivas de se adotar essas políticas econômicas face às mudanças propostas na arquitetura financeira internacional.

Williamson reviu e ampliou os conceitos originalmente estabelecidos no denominado Washington Consensus, enfocando as agendas macro e microeconômicas, as instituições e a agenda social. “A América Latina precisa ir além da busca de soluções simples que possam ser resumidas em slogans como Consenso de Washington… (mas) não acredito que isso reflita um desejo de reverter as mudanças observadas nas políticas…”, afirmou Williamson.

Ele enfatizou que, de modo geral, a região pôs em ordem suas políticas macroeconômicas e reconhece a importância de empreender reformas que envolvam não só as instituições mas também as políticas públicas, e acrescentou que as principais reformas institucionais ainda não ocorreram. Enfatizou também que a agenda social ocupa um espaço muito mais amplo atualmente e que a redução da pobreza e uma melhor distribuição de renda sugerem que alguns de seus resultados já começam a ser aparentes.

O Prefeito de Belo Horizonte, Fernando Damata Pimentel, juntamente com o Presidente do Fórum Nacional do Brasil, Paulo dos Reis Velloso, presidiu a primeira sessão das discussões que se estenderão por dois dias.

A conferência, organizada pelo BMDG e pela ALIDE, faz parte de uma série de eventos patrocinados pelo BID que se realizarão em Belo Horizonte antes das sessões plenárias da 47ª Assembléia Anual de Governadores do BID e da 21ª Reunião Anual da Corporação Interamericana de Investimentos, que serão realizadas no período de 3 a 5 de abril.

O evento de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, será a quarta assembléia anual do BID realizada no Brasil, um dos membros fundadores da instituição. O BID é o mais antigo e maior banco regional de desenvolvimento e a principal fonte de financiamentos multilaterais para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe.

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