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BID lança concurso para trazer inovações que ajudem os deficientes físicos

Como tirar da pobreza pessoas com deficiência? A tecnologia adaptada à realidade latino-americana é parte da solução para integrar essas pessoas na sociedade e no mercado de trabalho, destacou José Gómez, professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT na sigla em inglês), durante sua participação no lançamento de uma iniciativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento para promover soluções inovadoras para pessoas com deficiência na América Latina e no Caribe.

 

Para lidar com a pobreza ligada à falta de inclusão de pessoas com deficiência, o BID lança a iniciativa Um Mundo de Soluções: Inovações para pessoas com deficiência, com a finalidade de melhorar sua inclusão no sistema educacional e no mercado de trabalho por meio do desenvolvimento de novas tecnologias.

 

A iniciativa destinou fundos competitivos e multissetoriais de até US$ 50.000 para o financiamento de projetos piloto que possibilitem a inclusão de pessoas com deficiência. A iniciativa é formada por um concurso de propostas e outro concurso de problemas e soluções.

 

Para esse fim, os especialistas do MIT expuseram que, com tecnologia de baixo custo e fácil de replicar em países da América Latina e do Caribe, é possível construir equipamentos que facilitem a integração de pessoas com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho.

 

A importância econômica da inclusão de pessoas com deficiência envolve toda a sociedade, não só os 10% da população latino-americana e caribenha, ou mais de 50 milhões de pessoas, que apresenta algum tipo de deficiência.

 

O tempo que uma pessoa pode destinar ao trabalho e à produção muitas vezes é reduzido devido à necessidade de atender algum familiar com deficiência que esteja confinado em casa, o que afeta duplamente a economia, pois nem a pessoa com deficiência nem seu parente (mãe, pai ou irmão) trabalham. Essa situação demonstra um ciclo vicioso da pobreza, porque impossibilita o acesso ao trabalho e limita a geração de renda familiar.

 

Outras fontes de informações indicam que a probabilidade de viver em condição de pobreza é duas vezes maior para famílias que têm um membro com deficiência. Por exemplo, uma família com um membro deficiente terá menos oportunidades de renda e mais gastos médicos, o que significa ainda menos renda para alimentação básica, educação de outros membros da família e atividades de lazer.

 

O professor Gómez, responsável pelo D-Lab: Saúde — um curso onde são projetadas tecnologias para a saúde mundial—, explicou que uma cadeira de rodas convencional pode ser um luxo para quem vive em situação de pobreza e que eventuais consertos do equipamento são caros ou impossíveis para famílias com recursos limitados. A proposta é desenvolver e disseminar tecnologias apropriadas para a América Latina e o Caribe. “Procuramos criar tecnologias em conjunto com a população local, já que a inovação vem da incorporação de outras idéias”.

 

Como exemplo, os alunos de D-Lab: Saúde projetaram uma cadeira de rodas para “todo terreno” destinada a países em desenvolvimento, onde muitas vezes o equipamento é utilizado em solos não asfaltados. Basicamente, a proposta é uma cadeira à base de pneus de bicicleta e madeira, que são materiais bastante disponíveis localmente e fáceis de substituir ou consertar. Essa cadeira possui um par de alavancas que ajudam a pessoa que a utiliza a se movimentar em todo tipo de terreno, inclusive subidas, sem precisar arcar com o custo muito mais elevado de uma cadeira de rodas elétrica. O uso das alavancas é mais eficaz do que mover as rodas de uma cadeira convencional.

 

As propostas não precisam ser novas invenções, mas podem ser soluções já existentes que ainda estão indisponíveis na América Latina e no Caribe.

 

O programa tem vários componentes, entre eles fundos competitivos para projetos e um concurso de problemas e soluções. “Queremos ouvir suas idéias, receber suas propostas, e que sejam as pessoas com deficiência e suas organizações que votem quais são os problemas de maior relevância para a América Latina”, disse Flora Painter, chefe da Divisão de Ciência e Tecnologia do BID. “Os concursos servirão como uma ponte para unir o mundo da tecnologia e da inovação às necessidades das pessoas com deficiência”.

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