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BID e MDR apresentam metodologia para cidades mais compactas, conectadas e coordenadas
  • Metodologia DOT integra transporte público e planejamento urbano, melhorando a qualidade de vida de pessoas que vivem em áreas periféricas e promovendo cidades ambientalmente sustentáveis 

A urbanização acelerada nas últimas décadas no Brasil levou a cidades dispersas e desconectadas, com a maior parte da população vivendo em áreas distantes, com difícil acesso ao transporte público, a serviços básicos e com baixa qualidade de vida. Com a pandemia, as dificuldades para estas pessoas foram agravadas, com aumento do desemprego e perda de renda.  

Para oferecer aos gestores municipais as melhores práticas para reverter este quadro, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) lançam a publicação Desenvolvimento orientado ao transporte: como criar cidades mais compactas, conectadas e coordenadas: recomendações para os municípios brasileiros.  

Ainda pouco conhecida no Brasil, a metodologia de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (DOT) permite aos gestores municipais integrarem o transporte público e o planejamento urbano de maneira sustentável sob o conceito de cidades “3C”: compactas, conectadas e coordenadas. Os projetos urbanísticos DOT são pensados de maneira a articular a oferta de mobilidade e as diferentes atividades desenvolvidas no território urbano.  

Um exemplo prático é estimular, por exemplo, a concentração de habitações e atividades socioeconômicas nas proximidades de corredores e estações de transporte público de massa, para que haja um desenvolvimento urbano com maior adensamento construtivo e populacional nessa área sob uma abordagem ambientalmente sustentável.   

Nesse sentido, sob a estratégia DOT, a política urbana considera múltiplos aspectos como: otimizar o uso do solo; aproveitar as oportunidades de recuperação de mais-valias fundiárias; desenvolver novas infraestruturas para o transporte público sustentável e a mobilidade ativa; recuperar áreas urbanas e equipamentos públicos, além de articular com o setor privado em todo o ciclo de vida do projeto, com a justa distribuição de custos e benefícios da urbanização. Faz parte ainda da estratégia promover uma oferta diversificada de atividades econômicas buscando atender à demanda de mercado, com geração de empregos e redução de tempos de deslocamento.   

A publicação apresenta os principais conceitos desta nova maneira de pensar o espaço urbano, com resultados da aplicação do DOT nas cidades de Bilbao (Espanha), Bogotá (Colômbia), Londres (Reino Unido), Tóquio (Japão) e Washington DC (EUA), seja para projetos específicos ou como estratégia de planejamento urbano integrado. O estudo oferece ainda propostas de ações para que instituições brasileiras realizem e incentivem projetos urbanos sob esta metodologia.  

Desafios e oportunidades da implementação do DOT no Brasil  

Considerando que em 2030 mais de 90% da população brasileira será urbana, o DOT se mostra uma oportunidade de pensar estrategicamente a organização das cidades. O estudo demonstra como formular um plano prático, com medidas para vencer obstáculos institucionais, jurídicos e de financiamento para adotar o sistema DOT no Brasil. Inclui ainda sugestões de governança para as distintas escalas de atuação DOT: nacional, estadual, metropolitana, municipal e de projetos urbanísticos.  

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, considera fundamental o planejamento urbano das cidades, com o foco em mobilidade e sustentabilidade, para possibilitar a melhoria da qualidade de vida da população. “Investir em soluções de mobilidade urbana é possibilitar mais conforto, segurança, saúde, economia e condições de produtividade às pessoas. Uma das missões do MDR é, justamente, viabilizar obras e projetos na área, bem como planos diretores e diretrizes para orientar os municípios”, explica o ministro.  

O representante do BID no Brasil, Morgan Doyle, vê no DOT uma oportunidade para repensar as cidades que queremos no pós-pandemia. “Esta metodologia possibilita integrar pessoas, espaços públicos e empresas de maneira sustentável no espaço urbano. Dessa forma, é possível aproveitar melhor os investimentos em infraestrutura urbana, o que implica também em menores custos públicos, algo especialmente importante diante da difícil situação fiscal que a crise gerada pela COVID-19 está causando”, disse.  

Contato de Imprensa

Borges De Padua Goulart Janaina

Borges De Padua Goulart Janaina
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Hobbs,Jason Anthony

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