- Da ambição ao investimento: Proteger e restaurar a natureza exige métricas claras, confiáveis e comparáveis que traduzam resultados ecológicos em resultados prontos para o financiamento, permitindo que investidores e governos ampliem investimentos positivos para a natureza.
- A clareza mobiliza capital: Ao simplificar o cenário complexo de métricas sobre a natureza, o Guia de Financiamento da Natureza ajuda os profissionais a demonstrar impacto, fortalecer a confiança e reduzir a lacuna global de financiamento da biodiversidade.
- Liderança do BID e do BEI: O BID, em conjunto com o BEI e parceiros dos BMD, liderou o desenvolvimento deste Guia, impulsionando a ação conjunta dos bancos multilaterais de desenvolvimento em favor da natureza e transformando a mensuração em um catalisador para o investimento.
Proteger a natureza é um dos grandes desafios (e oportunidades) da atualidade. A conservação, a restauração e o uso sustentável dos ecossistemas não são apenas um imperativo moral; são também investimentos estratégicos para o nosso futuro comum. No entanto, existe uma verdade fundamental: não é possível gerenciar o que não se mede e não é possível financiar o que não pode ser medido.
Para governos, instituições financeiras e equipes que lideram projetos voltados para a natureza, demonstrar resultados é essencial. Mas, em um cenário saturado por centenas de métricas, estruturas e padrões, identificar os mais adequados pode ser uma tarefa difícil. Essa complexidade muitas vezes limita o investimento, restringe a comparabilidade e dificulta comunicar o impacto de uma forma que os investidores entendam e confiem.
Para responder a esse desafio, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Europeu de Investimento (BEI), em nome do Grupo de Trabalho sobre a Natureza dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs), lideraram o desenvolvimento do novo produto de conhecimento “Financiar a Natureza: Guia prático para a seleção de métricas de resultados”, com apoio técnico da The Biodiversity Consultancy. O guia é um produto fundamental da Nota de Perspectiva dos BMDs e ajuda a traduzir estratégias ambiciosas no âmbito da natureza em resultados mensuráveis, confiáveis e financiáveis.
A lacuna global de financiamento da biodiversidade é estimada em US$ 711 bilhões por ano. (Paulson Institute, Financing Nature 2025). Os recursos disponíveis atualmente estão muito abaixo do necessário, não apenas para conter a perda de biodiversidade, mas para ir além: conservar, restaurar e garantir o uso sustentável dos sistemas naturais que mantêm nossas economias, meios de subsistência e culturas. Fechar essa lacuna não exige apenas capital adicional: requer clareza e consistência na forma como os resultados são mensurados e comunicados.
Este guia faz a diferença, pois oferece um roteiro claro e prático para ajudar as equipes a navegar pelo complexo mundo das métricas da natureza e alinhá-las com os instrumentos financeiros e ecossistemas adequados, bem como com os resultados esperados. Quando as métricas são pertinentes, transmitem confiabilidade, atraem capital e tornam os investimentos na natureza mais escaláveis e com maior impacto.
Desenvolvido coletivamente pelos bancos multilaterais de desenvolvimento e lançado na COP30 da UNFCCC em Belém, o guia responde às linhas de ação do Plano de Ação Conjunta dos BMDs sobre Natureza, Pessoas e Planeta. Complementa os Princípios comuns para monitoramento e taxonomia de finanças para a natureza, que disponibilizam um conjunto de instrumentos para fortalecer o monitoramento, o relatório e a verificação (MRV) e promover a transparência em todo o ecossistema de financiamento para a natureza.
O guia foi elaborado para desenvolvedores de projetos, governos, instituições financeiras e organizações de conservação que buscam projetar, monitorar e avaliar investimentos positivos para a natureza. Ele ajuda a passar da complexidade para a clareza através de um processo simples de duas etapas:
- Definir e avaliar a rota de impacto. Esclarecer os objetivos do projeto, identificar os fatores que provocam a perda da natureza do IPBES e mapear como ações específicas levam a resultados ecológicos.
- Selecionar e aplicar as métricas corretas. Escolher entre as métricas de pressão-estado-resposta aquelas que refletem melhor o contexto do projeto, a disponibilidade de dados e os resultados desejados.
Para apoiar a implementação, o guia inclui:
- Um documento central com uma estrutura de métricas e anexos com conselhos práticos (por exemplo, sobre a coleta de dados viabilizada pela tecnologia).
- Um conjunto de ferramentas em planilha eletrônica com modelos para cada etapa do processo.
- Uma biblioteca de estudos de caso que mostra como aplicar a abordagem em diferentes contextos.
O guia promove métricas que:
- Evitam o nature-washing mediante afirmações baseadas em evidências.
- Estão alinhadas com padrões de referência como o Grupo de Trabalho sobre Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza (TNFD, na sigla em inglês), a Rede de Metas Baseadas na Ciência (SBTN, na sigla em inglês), a Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) e a Associação Internacional de Mercados de Capitais (ICMA, na sigla em inglês).
- Medem os resultados, não apenas as ações, enfatizando a mudança ecológica através de métricas do estado da natureza.
- Fortalecem os sistemas de MRV com melhor administração de dados através de auditorias externas, rastreabilidade, participação comunitária e uso de plataformas abertas e soluções tecnológicas.
- Conectam os resultados ao financiamento, diminuindo a lacuna entre os resultados ecológicos e o desempenho financeiro e tornando esses investimentos mais atraentes.
Essa ferramenta é voluntária, flexível e centrada no usuário, aplicável a diferentes tipos de ativos (dívida, capital, garantias) e ecossistemas (terrestres, de água doce e marinhos). Esteja você desenvolvendo um título de biodiversidade, um sistema de financiamento baseado em resultados ou um projeto de restauração, o guia ajuda a garantir que as suas métricas sejam confiáveis, comparáveis e estejam alinhadas com estruturas como a Estrutura Global de Biodiversidade (GBF, na sigla em inglês).
Ao fornecer uma linguagem comum entre especialistas ambientais e investidores, o Guia ajuda a eliminar a lacuna entre o interesse pela natureza e a ação financeira, propondo um caminho estruturado para a elaboração de investimentos transparentes, responsáveis e positivos para a natureza.
Ele é mais do que um instrumento de relatório: é uma alavanca estratégica, ao permitir que as equipes conquistem a confiança dos parceiros, demonstrem impacto com credibilidade e aumentem o financiamento para a natureza onde ele for mais necessário.
The Guidance was launched during a high-level session at COP30 in Belém, where representatives from governments and multilateral development banks highlighted the importance of having credible and comparable metrics to scale up nature finance. The session opened with keynote remarks by João Paulo Capobianco, Deputy Minister of the Environment and Climate Change of Brazil, and Ilan Goldfajn, President of the Inter-American Development Bank.
“Os bancos multilaterais de desenvolvimento estão trabalhando como um sistema — utilizando princípios comuns, dados compartilhados e projetos-piloto reais para dar escala e credibilidade ao financiamento da natureza. Porque, para proteger a natureza, precisamos investir nela; e, para investir, precisamos medir. Este Guia mostra como fazer isso”, afirmou o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ilan Goldfajn, durante o evento de lançamento.
André Aquino, Assessor Especial de Economia e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, moderou o evento e conduziu um painel com Richard Amor, Diretor de Parcerias do EIB Global; Ruth Davis, Representante Especial do Reino Unido para a Natureza; e José Ricardo Sasseron, Vice-Presidente de Negócios, Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil.
A sessão foi encerrada com palavras finais de Yoko Watanabe, Diretora de Meio Ambiente do Banco Asiático de Desenvolvimento, falando em nome do Grupo de Trabalho sobre Natureza dos BMDs e de sua Ação Conjunta sobre Financiamento da Natureza. Ao longo das intervenções, os participantes ressaltaram que o avanço de marcos de mensuração críveis é fundamental para mobilizar fluxos de financiamento para a natureza mais amplos e eficazes.