- Existe uma pergunta que deveria acompanhar cada relatório que publicamos, cada curso que oferecemos e cada diálogo de políticas que promovemos: tudo isso realmente influenciou decisões que moldam resultados de desenvolvimento?
- Neste ano, pela primeira vez como instituição, tentamos responder isso de forma sistemática em nosso Relatório Anual de Conhecimento do Grupo BID 2025. O que encontramos nos deu razões para orgulho e para avançar mais.
- A instituição está construindo sistemas mais robustos para conectar conhecimento à tomada de decisão, incluindo um Índice de Influência do Conhecimento, ferramentas de IA, reformas de governança e ampliação de avaliações de impacto para garantir que a pesquisa seja visível, acionável e alinhada com janelas de oportunidades em políticas públicas.
Somente em 2025, produzimos mais de 700 novos produtos de conhecimento. Nossas publicações foram consultadas mais de 5 milhões de vezes em todo o mundo, com 61 por cento dos formuladores de políticas na América Latina e no Caribe consultando nosso trabalho, demonstrando nossa liderança na região. Nossos autores receberam mais de 34 mil citações, e nosso trabalho foi mencionado em mais de 1.500 documentos de políticas públicas. Mais de 112 mil pessoas participaram de nossos cursos online. Mais de mil funcionários governamentais participaram de nossos Diálogos Regionais de Políticas. Esses números refletem um compromisso institucional contínuo com a ideia de que o conhecimento não é um complemento do trabalho de desenvolvimento, mas sim a sua base. No entanto, a escala, por si só, não é medida de impacto.
Os momentos mais significativos são aqueles em que o trabalho analítico ajudou a destravar decisões no processo de políticas públicas.
Na Argentina, nossas microssimulações ajudaram a identificar que subsídios de energia no valor de 10 bilhões de dólares por ano beneficiavam desproporcionalmente famílias de maior renda. Trabalhando junto a ministérios e outras organizações multilaterais, essa análise ajudou a orientar um caminho de reforma que protegeu os mais vulneráveis ao mesmo tempo que gerou economia fiscal de 1,3 por cento do PIB. A evidência foi apenas uma parte de um processo mais amplo que envolveu liderança, colaboração profunda, capacidade institucional e engajamento técnico contínuo.
Em Lima, nossa avaliação de investimentos em transporte público identificou melhorias relevantes no acesso ao emprego e à renda, especialmente para mulheres em áreas periféricas. O que aprendemos ali orientou a forma de abordar a próxima geração de projetos de mobilidade urbana na região, desde recursos de segurança em vagões de metrô até capacitação integrada às salvaguardas dos projetos, garantindo que as lições fossem aplicadas em diferentes operações.
No México, anos de trabalho analítico sobre sistemas trabalhistas e previdenciários contribuíram para duas ondas de reformas estruturais. Essa experiência mostrou que a trajetória entre conhecimento e políticas públicas raramente é linear. Presença contínua, confiança construída ao longo do tempo e a disposição de permanecer envolvidos durante transições políticas são tão importantes quanto a qualidade da pesquisa para viabilizar reformas duradouras.
Neste ano, começamos a calcular um Índice de Influência do Conhecimento que vai além de medir quanto conhecimento produzimos e busca entender sua influência. O índice analisa onde nossa pesquisa aparece: notícias online, citações acadêmicas, documentos de políticas públicas e até nas próprias operações do Banco. Isso nos permite passar da medição de produção para a medição de influência e incentiva equipes a projetar conhecimento com impacto real em políticas e operações.
O índice aumentou entre 2020 e 2022 e depois apresentou queda recente. Parte desse padrão reflete o aumento extraordinário da pesquisa sobre COVID 19 durante a pandemia, quando governos e instituições buscavam evidências com urgência. À medida que essa demanda diminuiu, também diminuiu a atenção sobre esse tipo de pesquisa. A tendência também reflete mudanças mais amplas na forma como o conhecimento circula atualmente, desde mudanças nas prioridades políticas até o rápido crescimento de ferramentas de IA que transformam a forma como a informação é descoberta e consumida. Essas mudanças reforçam uma lição importante: produzir boa pesquisa é apenas parte do processo, garantir que ela seja visível, acessível e conectada à tomada de decisão é igualmente essencial.
Pesquisas externas com formuladores de políticas apontam na mesma direção. Em uma pesquisa recente da ODI Global com autoridades governamentais em 120 países, o Grupo BID ficou em primeiro lugar entre bancos multilaterais de desenvolvimento na geração de pesquisa e análise e entre os três primeiros na oferta de assessoria em políticas públicas e assistência técnica.
Em 2025, implementamos diversas reformas que devem gerar efeitos acumulativos ao longo do tempo e fortalecer a conexão entre evidência e decisões operacionais:
- O Comitê Assessor de Conhecimento agora reúne lideranças do BID, BID Invest e BID Lab para coordenar a agenda de conhecimento e assegurar a qualidade no mais alto nível institucional.
- O Fundo de Inteligência em Efetividade do Desenvolvimento investiu 8 milhões de dólares em 2025 para apoiar avaliações de impacto rigorosas. Entre 2009 e 2025, apenas 42 por cento das avaliações planejadas foram concluídas. O objetivo é aumentar esse número para gerar mais aprendizado e incorporá-lo em novos projetos.
- A ferramenta de IA Seek permite que usuários façam perguntas e recebam respostas baseadas em milhares de publicações do BIDrevisadas por pares, reduzindo significativamente as barreiras de acesso à evidências para formuladores de políticas e pesquisadores.
- O Kit de ferramentas de Influência do Conhecimento está ajudando equipes a pensar de forma mais estratégica sobre quem precisa acessar suas pesquisas e como alcançá-los, substituindo uma abordagem passiva de publicação por engajamento ativo alinhado a janelas de oportunidades em políticas públicas
Essas reformas contribuíram para o recebimento do Prêmio Internacional de Gestão do Conhecimento no ano passado, validando externamente a direção adotada.
Este primeiro Relatório Anual de Conhecimento é, em muitos aspectos, um exercício de responsabilidade interna. Ele mostra o que produzimos, como foi utilizado e onde ainda existem lacunas. A conclusão não é de satisfação, mas de impulso. Sabemos que conhecimento não utilizado é uma oportunidade perdida. Sabemos que avaliações não concluídas são lições não aprendidas. Sabemos que evidências que não chegam aos tomadores de decisão representam uma lacuna que ainda precisa ser superada.
O que nos move é uma convicção simples: o conhecimento gerado hoje pode moldar as decisões de amanhã, e essas decisões podem melhorar vidas na América Latina e no Caribe. O trabalho apresentado demonstra que isso já está acontecendo e continuará acontecendo com mais rigor, maior alcance e maior urgência, fortalecendo o papel do Grupo BID como um Banco de Conhecimento para a região.
O Relatório Anual de Conhecimento do Grupo BID 2025 está disponível em:
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Versão em espanhol: