O crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior, no primeiro semestre de 2026, superou a alta registrada pelo comércio mundial.
WASHINGTON – As exportações de bens da América Latina e do Caribe cresceram 19,5% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, acima dos 14,5% registrados no comércio mundial, impulsionadas pela alta dos preços do petróleo e de outras commodities e pela demanda por infraestrutura associada à inteligência artificial (IA). Esse dinamismo exportador da região abre uma oportunidade para atrair mais investimento estrangeiro, segundo o Monitor de Comércio e Integração 2026 do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O relatório destaca que, em um cenário global desafiador, a região teve um desempenho notável, impulsionado principalmente pelos maiores volumes exportados e pela contribuição da alta dos preços. O México liderou o crescimento regional (24,6%) graças às vendas de equipamentos de infraestrutura para IA aos Estados Unidos. O avanço das vendas do Caribe (19,1%), concentrado na Guiana e no Suriname, e da América do Sul (16,5%) foi impulsionado pela alta das cotações dos produtos minerais e energéticos, em especial o petróleo.
“A resiliência comercial da América Latina e do Caribe é uma oportunidade para atrair mais investimento. Para aproveitá-la, a região pode combinar seus compromissos internacionais de comércio e investimento com marcos regulatórios nacionais complementares que deem segurança aos investidores”, afirmou Paolo Giordano, economista principal do Setor de Produtividade, Comércio e Inovação do BID.
Principais conclusões do Monitor
- Maior presença nos mercados internacionais: a participação da América Latina e do Caribe nas importações dos Estados Unidos, principal destino do crescimento exportador da região, atingiu o recorde histórico de 22,1% no primeiro semestre de 2026, enquanto as compras norte-americanas do resto do mundo recuaram. A região também recuperou participação no mercado europeu.
- Oportunidades de investimento: embora a região continue sendo a que mais atrai investimento estrangeiro direto (IED) em relação ao tamanho de sua economia, em 2023–2025 recebeu 4,5% menos investimento do que em 2012–2014, e sua participação no estoque mundial de IED caiu de 7,1% para 6,0%.
- Arquitetura regulatória como ativo estratégico: a região pode se beneficiar dos acordos para evitar a dupla tributação, dos tratados bilaterais de investimento e dos acordos comerciais com capítulo de investimento, já que estão associados a uma maior probabilidade de existirem relações de investimento entre países.
Segundo o Monitor, a aplicação provisória do Acordo Mercosul-União Europeia, a modernização de outros acordos comerciais e a reconfiguração das cadeias globais de valor associada à inteligência artificial e à transição energética abrem uma janela de oportunidade para a região. Por isso, o relatório propõe que a agenda externa seja acompanhada de reformas complementares da arquitetura regulatória nacional e de investimentos em bens públicos que reduzam os custos de internacionalização das empresas privadas.
Sobre o BID
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), membro do Grupo BID, se dedica a melhorar vidas em toda a América Latina e o Caribe. Fundado em 1959, o banco trabalha com o setor público da região para desenhar e viabilizar soluções inovadoras e de impacto para o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Impulsionando o financiamento, a experiência técnica e o conhecimento, promove o crescimento e o bem-estar em 26 países. Visite o nosso site: www.iadb.org/pt-br.
Andres Cavelier
Especialista em Comunicações