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Exposição e desigualdades: afrodescendentes durante a COVID-19

Análise Econômica Exposição e desigualdades: afrodescendentes durante a COVID-19 Estão crescendo as evidências iniciais de que a COVID-19 está alcançando as comunidades afrodescendentes no Brasil e na América Latina. Mai 5, 2020
Afrodescendentes enfrentam a COVID-19
Evidências iniciais de que a COVID-19 está alcançando as comunidades afrodescendentes na América Latina têm crescido. Estatísticas do Brasil mostram que a população negra tem maior probabilidade de desenvolver sintomas respiratórios letais (mais de 20%). A costa pacífica colombiana, que tem uma grande população afro-colombiana e indígena, registrou os primeiros casos de coronavírus semanas atrás e todas as províncias do Panamá também registraram casos.  A população negra frequentemente executa o trabalho essencial na linha de frente, fazendo a limpezatransporteentregaestocagem e fornecendo os serviços de saúde que necessitamosPor exemploafro-uruguaios representam 8% da populaçãomas uma em cada quatro mulheres negras sãotrabalhadoras domésticas no país. De acordo com dados sobre imigrantes, 50% dos afro-panamenhosque vivem nos Estados Unidossão enfermeirose enfermagem é uma das profissões mais populares entre as mulheres negras do país.  O que acontece quando combinamos a representação elevada de afrodescendentes nos postos de trabalho classificados como essenciais e a desigualdade histórica no seu acesso à saúde?    Desafios e Opções para Políticas Públicas  Os negros têm menores chances de ter acesso a crédito também possuem menor renda e menor taxa de poupançaComo resultadopodem vir a ter menos capacidade de se abastecer de alimentos e itens domésticos em períodos de criseEles têm também uma probabilidade bem maior de serem trabalhadores informais ou autônomos.  As condições enfrentadas pela população afrodescendente no Brasil e na região são desafiadoras, contudo, elas não são novas e há diversas políticas que governos podem conduzir para reforçar a resiliência histórica dessas comunidades na região. 
  • Priorizar a coleta de estatísticas de atendimento médicodesagregada por raça/cor e grupo étnico e relatar as suas taxas de mortalidade.* A confidencialidade dessas informações deve ser preservada para garantir um atendimento de qualidade e sem discriminação. 
  • Aumentar a realização de testes preventivos, com foco na população negra de alto riscoespecialmente em áreas com alta concentração de idosos e trabalhadores essenciais. 
  • Fornecer estações de higienização das mãos em áreas onde não há acesso à água para lavar mãos e onde há muitos trabalhadores em atividades essenciais. 
  • Trabalhar emparceriacom organizações comunitáriassociedade civilinstituições religiosasmovimentos sociais e governos locais, para garantir que a mensagem alcance as comunidades afrodescendentes. 
  • Disseminar o trabalho fundamental, mas invisível, da população negra, que realiza o trabalho nos serviços essenciaiscomo manutençãolimpezaatendimento à saúdeentregas e apoio médicoCompartilhar amplamente esta informação pode vir a promover um maior senso de respeito e reduzir a percepção de discriminação racial. 
  • Expandir a cobertura de programas de transferência direta para proteger a renda da população afrodescendente que trabalha no setor informal e não usufrui de seguro desemprego. 
  • Garantir o acesso à Internet e tecnologia pelos negros, de maneira a aumentar suas possibilidades de realizar estudo à distânciatelemedicina e trabalho remoto. 
  • Oferecer linhas de crédito e critérios de seleção que priorizem afrodescendentes e fornecedores locais nos processos de compra pública de bens e serviços. 
  • Gerar espaços virtuais em aliançacom o setor privado para vendastreinamentomentoria e apoio aos negóciosvisando ajudar empreendedores negros a identificar novos mercados e sustentar seus negócios. 
Ainda não podemos determinar a extensão dos danos que a COVID-19 irá causar em comunidades afrodescendentes, mas sabemos que ela está revelando desigualdades históricas que podem e devem ser solucionadas de maneira igualitária para todos os cidadãos do Brasil e da região.  Dados do Brasil demonstram disparidades raciais com relação ao COVID-19, contudotambém sabemos que 32% dos pacientes não declaram sua identidade racial e étnica (Correio 24 Horas, 2019).   
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