- Um novo estudo do BID e da CEPAL revela a magnitude da lacuna de financiamento da biodiversidade na América Latina e no Caribe, destacando a necessidade urgente de mobilizar recursos adicionais e realinhar fluxos financeiros e incentivos em direção a investimentos positivos para a natureza.
- A próxima publicação do Grupo de Natureza dos bancos multilaterais de desenvolvimento oferece aos governos um roteiro prático para desenvolver mercados de créditos de natureza de alta integridade, com base na experiência de quatro países.
- Um novo toolkit de capital natural e um MOOC, desenvolvidos pelo BID e pela Natural Capital Alliance da Universidade de Stanford com apoio do GEF, ajudam os países a incorporar o valor da natureza às decisões de políticas públicas e investimento.
Para a América Latina e o Caribe (ALC), a biodiversidade é mais do que um ativo ambiental. Ela é essencial para o desenvolvimento econômico da região. Mais da metade do PIB regional depende de serviços ecossistêmicos, e cerca de 19% dos empregos estão em setores ligados à natureza. O capital natural sustenta setores produtivos, a segurança alimentar e hídrica, a resiliência, os meios de vida e o bem-estar humano.
No entanto, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas colocam esses benefícios em risco. O investimento em conservação, restauração e sustentabilidade continua muito abaixo do necessário. Os países da região precisam de melhores formas de direcionar financiamento para ecossistemas prioritários, medir resultados, mobilizar capital privado e tornar visível o valor da natureza no planejamento econômico e nas decisões de investimento.
A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17 da CDB), que será realizada em Yerevan, Armênia, de 19 a 30 de outubro de 2026, oferece uma oportunidade para avançar esse trabalho. Com base nos avanços da COP16 em Cali, Colômbia, líderes globais, formuladores de políticas, instituições financeiras, organizações internacionais, povos indígenas e representantes da sociedade civil se reunirão para avaliar o progresso e mobilizar as parcerias e os investimentos necessários para alcançar as metas globais de biodiversidade.
Em 2026, o Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) e seus parceiros avançaram em abordagens práticas para financiar a conservação e integrar o capital natural ao desenvolvimento. Trabalhando com governos, outros bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs) e parceiros como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF,na sigla em inglês) e a Natural Capital Alliance da Universidade de Stanford, o Banco desenvolveu novos produtos de conhecimento e ferramentas para ajudar os países a transformar compromissos com a biodiversidade em ação.
Na COP17, o Grupo BID apresentará um conjunto de recursos complementares que abordam três desafios estreitamente relacionados ao financiamento da biodiversidade. Esses recursos buscam ampliar a compreensão sobre a magnitude da lacuna de financiamento da biodiversidade, expandir a gama de soluções financeiras disponíveis para ajudar a reduzi-la e integrar considerações sobre o capital natural aos processos de tomada de decisão, para que os investimentos possam gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos duradouros.
Em conjunto, esses recursos oferecem um roteiro para passar da análise à ação. Vamos examiná-los mais de perto.
De quanto financiamento a região precisa para conservar, restaurar e usar sua biodiversidade de forma sustentável? E como pode mobilizar esses recursos?
Um estudo que será publicado em breve, desenvolvido conjuntamente pela CEPAL e pelo BID, intitulado Estimativa da Lacuna de Financiamento para a Conservação, a Restauração e o Uso Sustentável da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos na América Latina e no Caribe, apresenta uma das primeiras estimativas regionais abrangentes dessa lacuna. O estudo adapta ao contexto econômico, ecológico e institucional da região a metodologia utilizada no estudo global Financing Nature, do Paulson Institute.
O estudo analisa como um financiamento público robusto, o investimento privado e a cooperação internacional podem ajudar a reduzir essa lacuna. Também examina de que maneira o redirecionamento de fluxos financeiros e incentivos existentes, juntamente com instrumentos financeiros inovadores, poderia reduzir a lacuna até 2030.
Esses resultados oferecem uma visão mais clara da magnitude do investimento necessário e de onde o financiamento deve ser direcionado. Mas compreender a lacuna é apenas o primeiro passo. Reduzi-la exigirá mecanismos práticos capazes de atrair e canalizar capital para resultados mensuráveis de biodiversidade, ao mesmo tempo em que se alinham às prioridades nacionais.
Os créditos de natureza podem ajudar a mobilizar financiamento para resultados mensuráveis de conservação e restauração. Para gerar resultados confiáveis, essas abordagens precisam responder às prioridades de cada país e contar com as condições adequadas.
Os governos precisam avaliar onde os créditos podem agregar valor, quem os financiaria e como garantir que os benefícios sejam compartilhados de forma justa. Enfrentar essas questões é essencial antes de ampliar sua escala.
Para ajudar os governos a orientar essas decisões, o Grupo de Trabalho Técnico sobre Natureza dos BMDs para créditos de natureza lançará uma nova nota de política intitulada Oportunidades, Desafios e o Caminho para Ganhar Escala: Orientações Práticas para Governos, Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMD) e Bancos Nacionais de Desenvolvimento (BNDs).
Elaborada pela Ziranjiti, em colaboração com o Painel Consultivo Internacional sobre Créditos de Biodiversidade (IAPB, na sigla em inglês) e a Aliança de Créditos de Biodiversidade (BCA, na sigla em inglês), a publicação oferece um roteiro prático para avaliar o grau de preparação, identificar usos viáveis para os créditos de natureza e aproveitar políticas e instituições existentes para mobilizar financiamento público, privado e filantrópico em favor de resultados mensuráveis e positivos para a natureza.
Com base em quatro estudos de caso de países, Chile, República Dominicana, Irlanda e Tailândia, a publicação ilustra como diferentes contextos de políticas, instituições e mercados moldam as abordagens que os países podem adotar.
Em conjunto, essas experiências demonstram como os mercados de créditos de natureza podem ampliar o conjunto de instrumentos para o financiamento da biodiversidade. No entanto, mobilizar recursos é apenas parte da equação. Os países também precisam de capacidade, dados e estruturas de tomada de decisão para reconhecer a natureza como um ativo econômico e incorporar seu valor às escolhas de políticas públicas e investimento.
Integrar o valor da natureza às decisões de políticas públicas e investimento requer ferramentas práticas, capacidade técnica e abordagens que possam ser adaptadas a diferentes países e setores.
Na COP17, o BID apresentará novos recursos desenvolvidos com a Natural Capital Alliance da Universidade Stanford e financiados pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF): um toolkit prático de implementação, um curso online autoinstrucional e uma série de estudos de caso e relatórios de países. Esse trabalho se baseia na parceria BID–GEF, que apoia tanto a capacidade técnica quanto soluções de financiamento para a conservação.
Primeiro, o Natural Capital Implementation Toolkit reúne orientações passo a passo, ferramentas de avaliação, estudos de caso e materiais de capacitação. Ele ajuda governos e profissionais a selecionar métodos adequados a seus desafios de desenvolvimento e contextos institucionais e a utilizar os resultados para subsidiar decisões de políticas públicas, planejamento e investimento.
Segundo, o curso online aberto e massivo (MOOC) autoinstrucional, Natural Capital for Development: Valuation, Investment and Policy, complementa o toolkit com capacitação prática em avaliação, valoração e contabilidade do capital natural. Por meio de métodos aplicados e exemplos do mundo real, os participantes aprendem a incorporar os benefícios da natureza às decisões de políticas públicas e investimento em diferentes setores.
Em terceiro lugar, os relatórios de países e os estudos de caso mostram como as abordagens de capital natural estão orientando o financiamento de áreas protegidas e decisões que ampliam os benefícios que a natureza proporciona às pessoas, desde a segurança hídrica e energética até a proteção contra inundações e os meios de subsistência.
Os relatórios de país estão disponíveis em inglês e espanhol para Belize, Colômbia, Uruguai e Chile. Os estudos de caso abordam Belize, Colômbia, e Chile. Essas publicações oferecem um roteiro de como os países da América Latina e do Caribe estão transformando dados sobre serviços ecossistêmicos em ações concretas por meio de títulos verdes, investimentos direcionados em infraestrutura e marcos de políticas públicas resilientes.
Em conjunto, o toolkit, o curso e as evidências dos países oferecem um caminho prático para passar da conscientização sobre o valor da natureza à sua integração sistemática nas políticas públicas, no planejamento e nas decisões de investimento.
Conservar, restaurar e usar de forma sustentável a biodiversidade e o capital natural é essencial para a prosperidade, a resiliência e o desenvolvimento de longo prazo da região.
As três iniciativas apresentadas foram concebidas para funcionar de forma integrada: o estudo sobre a lacuna de financiamento ajuda os países a compreender a magnitude do desafio; o roteiro de créditos de natureza explora novas formas de mobilizar recursos; e o toolkit de capital natural e o programa de capacitação ajudam os tomadores de decisão a incorporar o valor da natureza às políticas e aos investimentos. Juntos, esses recursos levam a discussão da identificação do problema ao financiamento e à implementação de soluções em escala.
Junte-se ao Grupo BID e a seus parceiros na COP17 para conhecer essas publicações e ferramentas e discutir sua aplicação em toda a região. Consulte nossa agenda de eventos e o programa do Pavilhão dos BMDs para obter detalhes das sessões e oportunidades de participação.