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Mulheres representam 30,6% dos empregadores no Brasil segundo novo estudo do BID e ABDE
  • Publicação produzida por BID e ABDE apresenta a lacuna de gênero no financiamento no Brasil e analisa as principais características das empresas lideradas por mulheres.  

  • No Brasil, considerando todos os portes de empresas, as mulheres representam 30,6% dos empregadores e 35,3% dos trabalhadores por conta própria.  

BRASÍLIA, Brasil - De acordo com o novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), "Caracterização de MPMEs brasileiros e barreiras ao acesso ao crédito a partir de uma perspectiva de gênero", as mulheres representam apenas 30,6% dos empregadores no Brasil e 35,3% dos trabalhadores autônomos, considerando todos os portes de empresas.  

O dado é revelado pela publicação que analisa as  principais características das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) lideradas ou de propriedade de mulheres no Brasil, avançando na compreensão das necessidades do segmento sob uma perspectiva de gênero e na construção de soluções adequadas para enfrentá-las com políticas públicas eficazes. 

"Remover barreiras para que as mulheres empreendas não interessa apenas a elas, mas à sociedade em geral, razão pela qual essa é uma prioridade para o BID. Como parte da nossa Visão 2025, restaurar o crescimento econômico requer incluir todos", diz Morgan Doyle, representante do Grupo BID no Brasil.   

A presidente da ABDE, Jeanette Lontra, complementa: "Temos uma sociedade onde mulheres empreendedoras ainda enfrentam dificuldades até para conseguir um empréstimo para poder investir em suas empresas". 

Perfil das empresas brasileiras lideradas por mulheres 

Segundo o estudo, as mulheres têm maior participação em saúde, educação e serviços sociais, representando 56% dos empregadores nas microempresas e 51% das pequenas empresas do setor. O quadro reflete concentração em atividades assistenciais, com considerações sociais e econômicas a serem consideradas no momento do financiamento. Além disso, as mulheres que lideram os negócios têm um percentual maior de anos de estudo do que os homens, com 43% das mulheres com 16 anos ou mais de estudo, em comparação com 30% dos homens.  

Da mesma forma, metade das mulheres empregadoras têm um parceiro em sua empresa ou negócio, enquanto entre os homens esse percentual cai para 42,4%. Esses dados podem indicar a necessidade de composição do capital e distribuição de riscos da empresa, divisão de responsabilidades na empresa e, também, a possibilidade de ausência da empresa por determinados períodos. 

Acesso ao crédito 

As informações coletadas mostram ainda que, no último trimestre de 2020, 58% do valor do microcrédito concedido destinou-se a microempreendedores do sexo masculino, uma diferença de 16 pontos percentuais em detrimento das microempresas femininas).  Isso pode mostrar uma combinação de microempreendedores masculinos que têm acesso mais fácil ao crédito do que as mulheres, ou que são sub-representados entre os empreendedores. 

Essas realidades enfrentadas pelos negócios femininos no Brasil são interpretadas no estudo que conclui também que uma das formas de diminuir disparidades é por meio da oferta de produtos financeiros voltados para as mulheres. Nesse sentido, o estudo mostra a importância das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) do Sistema Nacional de Desenvolvimento; no total, 14 IFDs no Brasil possuem ou oferecem linhas ou programas específicos para mulheres empreendedoras.  

Por fim, o estudo aponta que a agenda no Brasil sobre o financiamento dos negócios femininos deve focar no crescimento econômico, mitigando os efeitos da crise do Covid-19 sobre o tecido produtivo, reduzindo desigualdades e avançando produtos financeiros por meio da inclusão financeira das mulheres.   

O estudo recomenda melhorar o acesso ao crédito para micro, pequenas e médias empresas de propriedade ou lideradas por mulheres para promover a resiliência nas empresas, cadeias produtivas e na economia do país.  

Baixe o estudo completo aqui

Sobre o BID 

A missão do Banco Interamericano de Desenvolvimento é melhorar vidas. Fundado em 1959, o BID é uma das principais fontes de financiamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico, social e institucional da América Latina e do Caribe. O BID também realiza projetos de pesquisa de ponta e presta assessoria política, assistência técnica e treinamento para clientes públicos e privados em toda a região. Acesse nosso tour virtual

Sobre a Associação Brasileira de Desenvolvimento 

A missão da Associação Brasileira de Desenvolvimento é contribuir para o desenvolvimento sustentável – econômico, social e ambiental – do Brasil e representar com excelência os interesses de seus associados. Criada em 1969, a ABDE define e executa ações de fortalecimento do Sistema Nacional de Desenvolvimento, sistema composto por Instituições Financeiras de Desenvolvimento de todo o Brasil.  

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Rafael Cavazzoni Lima
Chefe de equipe do projeto do BID
rlima@iadb.org