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Discurso do Ex-Presidente Clinton na Conferência do BID

Excelentíssima senhora primeira-ministra, presidente Moreno, amigos,

Boa tarde. Há cerca de três meses, a primeira-ministra e o presidente Préval pediram-me para organizar este modesto evento de comércio e investimento. O presidente Moreno gostou da ideia, e aqui estamos nós.

Alguns anos atrás, eu não poderia ter imaginado um evento como este acontecendo em Porto Príncipe. Não só porque há tantas pessoas aqui, de corporações, de pequenas empresas, de ONGs, pessoas que vivem no Haiti e pessoas do mundo todo, mas porque vocês de fato estão aqui sabendo que este é um momento de grandes oportunidades. Sabemos que é uma grande oportunidade não só para a entrada de investimentos, para obter lucros e exportar para outros mercados, mas para que o povo do Haiti tenha um futuro próspero mais seguro e mais amplamente compartilhado.

Quero expressar uma satisfação especial. Embora eu tenha encontrado aqui muitas pessoas dos Estados Unidos e do Canadá, e mesmo de lugares distantes com a Coreia, gostaria de expressar meu agradecimento especial às pessoas que vieram da América Latina e do Caribe. Nos dez minutos de intervalo para o café esta manhã, encontrei pessoas do Brasil, Colômbia, México, Honduras, Guatemala, claro da República Dominicana e de vários outros lugares. Pessoas que vinham até mim. Isto também é um acontecimento sem precedentes para o Haiti.

Quando eu era presidente e nós lideramos uma coalizão internacional para restabelecer o presidente democraticamente eleito do Haiti e tentar dar início a relações mais normais com o Haiti e todos os seus vizinhos, apenas a Argentina parecia genuinamente comprometida com o projeto. Talvez por razões mais relacionadas à sua própria experiência. Hoje, começando pela liderança dos brasileiros na força de paz das Nações Unidas, há este enorme entendimento amplamente compartilhado de que nosso hemisfério levantará e cairá junto e que não podemos deixar que pessoas fiquem para trás ou ignorar oportunidades onde quer que elas existam. Por isso eu quero dizer, sem desrespeito por ninguém, que, como um apoiador há muito tempo do Haiti, estou especialmente agradecido às pessoas da região que estão hoje aqui.

Quero também agradecer à primeira-ministra, ao presidente e ao governo do Haiti por seu abrangente plano de recuperação; por já estarem trabalhando para fazer mudanças que tornam o Haiti mais atraente a investimentos estrangeiros e por fazerem tudo isso de uma maneira voltada a produzir uma prosperidade mais amplamente compartilhada do que nunca antes. Uma das coisas que prejudicaram tentativas anteriores do Haiti de estabelecer a democracia foi a extrema desigualdade na distribuição de renda e de oportunidades. Se este plano for adequadamente implementado e todos nós fizermos nossa parte, os haitianos subirão juntos. Os ricos ficarão mais ricos, mas haverá uma classe média muito, muito maior, com a entrada nela dos pobres em um ritmo acelerado.

As novas leis em preparação que criarão condições mais seguras para os investidores e farão com que se torne mais atraente para os emigrados haitianos voltarem para casa e investirem aqui são mais uma demonstração do compromisso do Haiti com a abertura de suas portas e a construção de um futuro compartilhado.

Portanto, estou muito agradecido não só aos membros do governo, mas também aos líderes do legislativo que estão apoiando essas iniciativas e que lidarão com vários outros problemas no futuro.

Quero agradecer aos doadores e aos bancos multilaterais de desenvolvimento que estão aqui e que foram muito generosos em fazer a sua parte em favor do desenvolvimento sustentável. Na semana passada, o presidente Moreno expressou seu compromisso de criar um fundo fiduciário multidoadores para apoio orçamentário, o que é muito importante para o governo haitiano fortalecer a capacidade dos serviços públicos e fazer mais para atender as necessidades das pessoas que ainda não serão incluídas tão cedo nesta recuperação econômica e das crianças que precisam de educação.

O Haiti também obteve milhões de dólares em alívio da dívida do Banco Mundial, FMI e de governos doadores, entre eles Estados Unidos, França e Canadá. Hoje, temos a MIGA aqui, o braço do Banco Mundial que oferece algumas das garantias de risco para os investidores estrangeiros. Este é um sinal encorajador, embora eu possa lhes afirmar que o risco político no Haiti tem sido o menor que já presenciei. Ainda assim, se estiverem preocupados com isso, você têm o Banco Mundial aqui.

Preciso dizer uma coisa, que não está em minhas anotações. Eu insisti para que tivéssemos este encontro, mas ele não estaria acontecendo e não haveria aqui tantas pessoas da América Latina e do Caribe se não fosse por Luis Moreno. Acho que ele tem sido um líder incrívelmente visionário e ativo à frente do Banco Interamericano de Desenvolvimento e foi o embaixador na Colômbia durante todo o tempo de minha presidência. Ele me ajudou a desenvolver o Plano Colômbia e, se ainda duvidam que ele possa transformar alguma coisa em sucesso, quero lembrá-los que, este ano, comemoramos o 50o aniversário do BID em Medellín, uma cidade que, por mais tempo do que eu posso de lembrar, foi o berço do narcotráfico internacional. O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos e um ex-presidente, com apoio total do Serviço Secreto, foram para Medellín porque essa cidade pertence novamente ao povo da Colômbia, e ele merece boa parte do crédito por isso.

Esta foi uma propaganda política gratuita pela continuidade da melhor liderança que já vi no BID (risos). Não estaríamos fazendo isto sem ele.

Agora, eu também gostaria de agradecer aos doadores bilaterais e, em particular, agradeço que, quando tivemos a conferência de doadores aqui em abril, foram anunciadas doações de cerca de US$ 350 milhões. E agradeço porque os dois países doadores com a maior porcentagem de habitantes em seus países de origem haitiana, Estados Unidos e França, são os dois únicos que estão pelo menos com um terço do processo concluído ou já desembolsando os recursos prometidos. Uma das partes do mandato que recebi do Secretário-Geral da ONU foi garantir que a conferência de doadores da ONU não fosse uma fraude e que não tivéssemos mais uma reunião internacional em que as pessoas dizem que vão dar o dinheiro e, depois, nada acontece. Por isso, quero agradecer ao governo da França por desembolsar um terço do dinheiro com que se comprometeu e quero agradecer ao governo dos Estados Unidos, representado aqui pela Chefe de Gabinete e Conselheira da Secretaria de Estado, sra. Cheryl Mills, que tem vindo ao Haiti ainda mais do que eu desde que demos início a esta iniciativa. Os Estados Unidos desembolsaram 38% do que foi prometido em abril. Todos nós precisamos fazer isso. O que quer que prometamos fazer, temos que manter nossa palavra. Os haitianos já receberam promessas espetaculares de atores locais e estrangeiros por tempo excessivo. É melhor prometer menos e entregar mais. Por isso, quero agradecer aos doadores que estão cumprindo o que prometeram.

Outra parte do mandato que recebi do Secretário-Geral Ban Ki Moon quando assumi esta função foi tentar atrair mais investimentos e apoiar a implementação do plano de desenvolvimento do próprio Haiti. Parte disso é justamente melhorar a imagem do país. Se ouviram o notável pronunciamento da primeira-ministra esta manhã, ela falou sobre isso. Às vezes, o que as pessoas pensam de você não é verdade. Quando se é uma autoridade eleita em um país com a vigorosa imprensa política, isso não pode ser evitado. Mas se a nação estiver lutando para fazer a verdade vir à luz, isso pode ser evitado.

Então eu peço a todos vocês que estão hoje aqui que me ajudem a fazer o que o Secretário-Geral me pediu, que é promover a visibilidade positiva do Haiti quando saírem daqui. Quer vocês pretendam ou não fazer bons negócios aqui neste momento, contem às pessoas o que viram, contem às pessoas o que sentiram.

Estamos tentando diversificar esta economia. Esta é outra parte de nosso mandato e outra parte deste plano. De modo que, além da manufatura, do agronegócio e das questões de energia, estamos tentando reconstruir o turismo no Haiti. E eu acho que isso é muito importante. Vou lhes dar uma ideia do potencial a partir de outras coisas que tenho feito. Fiz muitos trabalhos na Libéria, uma nação com a qual os Estados Unidos têm uma obrigação especial, porque o país foi fundado por escravos libertos que não conseguiam viver em igualdade nos Estados Unidos na época em que fundaram a Libéria. Eles enfrentaram terríveis 14 anos de guerra. Sua renda per capita caiu para 260 dólares por ano. Em Monróvia, antes uma cidade próspera, mais de 80% da população não tinha eletricidade três anos depois do final da guerra. Mas nós organizamos alguns empresários afro-americanos que construíram dois hotéis lá e, apenas com essas duas iniciativas em um país com apenas três milhões de pessoas, criamos 1.800 empregos. Isso é apenas arranhar a superfície do que os americanos devem fazer para apoiar o desenvolvimento do turismo no Haiti. Americanos, canadenses, todos nós na área. Basta olharmos para o que o turismo fez pela República Dominicana, nosso vizinho mais próximo, e a nova parceria que os dominicanos têm expressado em relação ao Haiti. A cada semana parece haver um novo avanço para fortalecer os vínculos. Acho que este é apenas o começo. Amanhã, vou visitar o Palácio de Sans Souci na Cidadela para tentar dar destaque ao que talvez seja a mais notável obra de arquitetura conhecida em todo o hemisfério.

No ano passado, acho que houve apenas 800 visitantes, por causa do pouco conhecimento. Em razão das alterações nas advertências de viagem nos Estados Unidos e Canadá, que espero que ainda venham a mudar mais, e por causa da falta de infraestrutura, creio que dois terços desses visitantes eram haitianos americanos e seus amigos e familiares. Há um potencial enorme aqui. Por toda a ilha, e todas as praias e muitos outros locais. Portanto, queremos trabalhar nisso.

Precisamos de infraestrutura. Agradeço particularmente àqueles que contribuíram com o dinheiro que hoje está possibilitando que recuperemos estradas, para podermos reconstruir o agronegócio e o turismo. O Haiti precisa de outro aeroporto, eles precisam de mais um aeroporto no extremo norte da ilha, em Cabo Haitiano (aplausos). Sei que um dos participantes – sei que temos um dos participantes aqui, que estará mais tarde no painel – de Punta Cana na República Dominicana, Frank Ranieri. Tudo o que posso lhes dizer é que nunca pousei em um avião em Cabo Haitiano. Aterrissei em Punta Cana inúmeras vezes e o aeroporto de lá foi desenvolvido com capital privado, mas o governo dominicano ganha uma fortuna com aquele aeroporto todos os anos em tarifas e receitas e eu acredito que mais de um terço de todas as divisas captadas pelo país inteiro entrem por aquele único aeroporto. Isto também poderia acontecer com um aeroporto em Cabo Haitiano. Precisamos fazer isso e precisamos trabalhar com o governo haitiano para encontrar maneiras de construir a rede viária necessária para as pessoas chegarem a lugares com a Cidadela, que não são facilmente acessíveis a partir das praias, e de proporcionar mais oportunidades de transporte.

Agora, quero dizer também que é importante não nos esquecermos do pão com manteiga. Muitos de vocês aqui estão interessados em desenvolver o setor agrícola. Se queremos fazer algo a respeito do desmatamento – e eu falarei mais sobre isso em um minuto – precisamos fazer com que seja mais lucrativo manter as árvores do que derrubá-las. Eu trabalho com desmatamento no mundo inteiro com minha Fundação. Isso não tem nada a ver com o que estou fazendo aqui. Mas estou muito preocupado com esse assunto. Dezoito por cento do problema do aquecimento global a cada ano é causado pela derrubada de árvores. Acabei de ser convidado pelo grupo de biocombustíveis brasileiro – mais de 2.000 produtores que plantam cana-de-açúcar para a produção de etanol – para ir lhes falar sobre o tema, e nunca vi um grupo como esse, um grupo de um setor que se levanta e assume responsabilidade pessoal pelo desmatamento como eles fizeram, ainda que eles não plantem cana-de-açúcar em terras desmatadas. Mas eles sabem que, como a tecnologia brasileira de energia por etanol da cana-de-açúcar é de longe a mais eficiente do mundo, produzindo mais de nove galões de combustível por um galão de gasolina, eles conseguem ocupar as boas terras cultiváveis e isso empurra os plantadores de soja e os pecuaristas para terras mais marginais e para a derrubada da floresta tropical. Então eles me perguntaram o que poderiam fazer a respeito e eu sugeri uma série de coisas para as florestas, mas também sugeri que eles trouxessem mais tecnologia para o exterior, entre outros locais para o Haiti e a República Dominicana, onde poderiam produzir biocombustível e enviá-lo aos Estados Unidos sem a tarifa de 53 centavos por galão, devido às relações comerciais entre nossos países.

Estas são as coisas em que precisamos pensar.

Sou muito grato ao ex-presidente dos Estados Unidos, George Bush, e ao Congresso pela legislação Hope II que ampliou as condições preferenciais que haviam sido anteriormente conferidas ao Haiti para a exportação aos Estados Unidos de itens especificados. Mas não chegamos sequer perto de utilizar todo o potencial da Hope II. Então eu sou muito grato a todos vocês aqui, que estão trabalhando com produção no setor de vestuário e àqueles de vocês que estão pensando em iniciar ou transferir instalações para o Haiti para trabalhar nesse setor. Há dezenas de milhares, talvez até 100.000 empregos potenciais neste país (inaudível) se maximizássemos o que a lei pode oferecer. Posso lhes dizer que todos os países do mundo estão sofrendo com os problemas econômicos do ano passado e o protecionismo está em ascensão em todos os lugares. O único lugar onde não há sentimento de protecionismo é no modo como o Congresso e o povo americano – ambas as partes – se sentem em relação ao Haiti. Eles querem que vocês produzam o que puderem aqui e enviem aos Estados Unidos, para nós comprarmos (risos). Então, obrigado a todos por estarem aqui para isso.

Quero dizer também que acho importante não nos esquecermos do setor de pequenas empresas. Para aqueles de vocês que estão aqui, que estão financiando empresas ou que estão preparados como ONGs para fazer pequenos financiamentos para abertura de negócios, acho importante lembrar que, em todos os países da Terra, a maioria das pessoas está empregada em pequenas empresas. Muitos de vocês sabem disso, mas, em minha última viagem para cá, visitei uma área de Porto Príncipe em que um jovem empresário de 27 anos e a comissão do bairro haviam decidido que a melhor maneira de fazer as pessoas pararem de derrubar árvores para obter carvão era acabar com a demanda por carvão criando um substituto. E assim eles começaram, pela primeira vez, a recolher lixo no bairro, algo que nunca haviam feito antes. Foi preciso muita gente. Depois, eles começaram a separar o lixo e isso também exigiu muitas pessoas. Depois usaram o material orgânico para produzir fertilizantes compostos, o que também ocupou muita gente. E começaram, então, a usar o papel, que foi a coisa mais incrível que já vi. Eles criaram seu próprio triturador de papel, de modo que uma pessoa pudesse triturar uma grande quantidade de papel por vez. Conseguiram serragem de um fabricante de móveis local que ficou feliz por se livrar dela, misturaram tudo, colocaram em recipientes de metal, molharam, puseram em uma prensa que eles mesmos projetaram – com doze prensas diferentes ao mesmo tempo –, fatiaram, secaram e produziram pequenos tijolos para substituir o carvão. Quatro desses em um fogão haitiano tradicional custam quatro centavos – quatro centavos para fazer o jantar. A mesma quantidade de energia de carvão custa 20 centavos. Quando se considera que quase 70% dos haitianos vivem com menos de dois dólares por dia, reduzir em 80% o custo da energia para preparar uma refeição, que não parece nada para a maioria de nós que vive em circunstâncias mais favoráveis, é uma coisa muito importante. E eles empregam pelo menos dez vezes mais pessoas na cadeia de fornecimento do que é empregado para derrubar árvores, convertê-las em carvão e distribuí-lo para as casas. Eles fizeram tudo isso com uma doação da Fundação Koze e algumas outras ajudas, mas com um investimento privado e um comprador que seja – não temos ainda um comprador para o plástico, o metal, ou o vidro, está tudo sendo separado – poderíamos ver isso se estender para todas as áreas de Porto Príncipe. Poderíamos ver se estender para todas as cidades do Haiti e isso não conflitaria em nada com o que os investimentos internacionais quisessem fazer e acabaria sendo um modelo a ser transportado para o resto do mundo. Quero lhes dizer que, nas megacidades em que trabalho no mundo todo, quando as pessoas me pedem para ajudá-las a combater a mudança climática, eu sempre acho que elas vão me pedir que faça algo para trazer fabulosos painéis solares, fabulosa energia eólica, fazer algo para mudar o modo como os prédios são construídos para torná-los mais eficientes. E a coisa número um que elas sempre me pedem é para fazer algo com relação aos aterros sanitários, porque eles ocupam tanta terra e emitem gás metano, são um risco de saúde pública, estão poluindo a água. Poderíamos fechar todos os aterros sanitários do mundo se houvesse um modelo como esse. Esta é a minha solução 1%. (Levanta um tijolo de papel reciclado.) Nada mal, por um centavo. Digo isso porque esta é a Prova A de uma das coisas pelas quais eu viv Inteligência e Esforço estão uniformemente distribuídos pelo Planeta Terra.

Em todos os países, a organização, os sistemas em funcionamento e os investimentos não estão uniformemente distribuídos. Por isso eu adoro esse projeto e estou tentando conseguir fazer alguma coisa com ele, mas é ainda mais, eu levanto isto hoje como um exemplo de um potencial maior do povo haitiano.

Vou lhes contar uma estatística interessante. Nos Estados Unidos da América, 11% de todos os médicos afro-americanos são haitianos (aplausos). Apenas cerca de 1,5% dos afro-americanos são haitianos. O povo haitiano está se saindo muito bem em toda parte e se sairá bem no Haiti também se nós o ajudarmos e apoiarmos este plano. O que significa que precisamos da devida atenção aqui ao potencial de pequenas e médias empresas.

Preciso fazer mais um agradecimento a meu amigo Denis O’Brien e ao pessoal da Digicel. Eles me pediram há pouco para enfatizar essa nova iniciativa que lançaram, chamada “Iniciativa Jovens Empreendedores”, que possibilita que jovens apresentem propostas de negócios para serem examinadas por um comitê independente, que oferecerá uma doação de US$ 15.000 ao projeto vencedor, dando forte prioridade a projetos que invistam em mulheres a fim de integrá-las plenamente ao sistema econômico haitiano.

Esta é uma parte importante do processo, porque lida com a desigualdade das mulheres no Haiti e, a propósito, na maior parte dos países em desenvolvimento, para a obtenção de crédito, e é um investimento inteligente. A experiência mostrou no mundo inteiro que investir em mulheres possibilita que suas famílias colham os benefícios na forma de melhor nutrição, melhor acesso a saúde e educação e um padrão de vida mais alto. Então eu quero agradecer a Denis O’Brien e à ministra haitiana para Questões de Gênero, que generosamente concordou em contribuir com sua experiência para isso.

Quero dizer mais uma coisa sobre a diáspora haitiana. Acho que os haitianos no exterior que têm se saído bem sentem, de maneira geral, uma obrigação que 100% deles deveriam sentir: ajudar sua terra natal. E eles podem fazer uma enorme diferença aqui. Os americanos, os canadenses, os franceses, a diáspora haitiana onde quer que esteja. Estivemos trabalhando com essa comunidade nos últimos meses. Tive duas reuniões nos Estados Unidos – uma no Centro Internacional de Convenções de Miami e meu anfitrião está aqui hoje neste encontro, e uma com a comunidade haitiana do nordeste do país. Estamos trabalhando com empenho para identificar as barreiras à participação. É uma grande prioridade para nós. Quero agradecer à primeira-ministra e aos líderes do legislativo por estarem agora examinando uma legislação que removerá um número significativo dessas barreiras, e isso é importante.

O Dr. Paul Farmer, que aceitou ser o Enviado Especial Adjunto das Nações Unidas, montou uma equipe em nosso escritório na ONU que inclui emigrantes haitianos. Isso quer dizer que estamos sensíveis a essa questão. Se tiverem alguma ideia de coisas que poderíamos fazer para obter a participação de mais haitianos que vivem no exterior, será muito bem-vindo.

Quero dizer também que vou tentar trabalhar mais para destacar o potencial de pequenas empresas para serem bons investimentos e mostrar aos investidores que elas oferecem uma base para novos investimentos. Vamos a um parque industrial na Cite Soleil que tem mais cem mil metros quadrados de espaço de armazém e outros serviços para apoiar o mercado de exportações. Esse projeto é apoiado pelo fundo de desenvolvimento da Fundação Soros e por investidores locais em desenvolvimento e deve prestar serviços a importadores norte-americanos de vestuário e têxteis haitianos e, em última instância, gerar 25.000 novos empregos com serviços de saúde no local. Eu agradeço a eles por isso.

Também precisamos pensar não só no que o Haiti fez bem no passado, mas no que poderia fazer bem no futuro, se tiver o apoio certo. Isso envolve desenvolver mercados internos e externos. Estamos conversando com investidores e empresas, promovendo o uso de energia alternativa, manejo de detritos, purificação da água, desenvolvimento de morarias para famílias de baixa renda e projetos de embelezamento, coisas que não só diversificarão a economia para torná-la menos vulnerável a flutuações econômicas internacionais, mas também estimularão o crescimento da classe média.

No fim, todos os nossos esforços terão que ser julgados pelo número de empregos que criarmos, pelo aumento da classe média que alcançarmos e se fomos capazes de ter um bom desempenho para os investidores, possibilitando que eles obtenham lucro por fazer a coisa certa.

Além disso, quero mencionar mais algumas coisas para ser mais específico.

Na semana passada, foi encerrada a Quinta Reunião Anual da Clinton Global Initiative, que realizamos na ONU todos os anos, e tivemos líderes mundiais, líderes empresariais, filantropos, ONGs dos Estados Unidos, além de pessoas de todo o mundo que comparecem como convidados e que, de outra maneira, não teriam condições financeiras para estar ali e, assim, temos todos os setores da sociedade representados, de todos os continentes. Nos dois últimos anos, fizemos uma chamada à ação pelo Haiti. Os dois anos resultaram em compromissos no valor de mais de US$ 420 milhões e agradeço muito por isso. Só na semana passada, houve US$ 258 milhões em novos compromissos, mas um dos compromissos assumidos em 2008, a ponte em Boucan Carré, foi concluído na última semana e vai mudar vidas. Agradeço a Denis O’Brien, aos colegas e parceiros do Dr. Paul Farmer na saúde, ao governo do Haiti, agradeço a todos eles. E também às outras empresas, ONGs e forças da ONU que possibilitaram que essa ponte esteja construída e operacional, permitindo aos moradores alcançar clínicas e hospitais e proporcionando acesso a mercados para os distribuidores e pequenos produtores rurais.

Esse é o tipo de coisa que aqueles de nós que não estão no governo podem fazer. Essas parcerias contribuem para o desenvolvimento econômico e social. Portanto, são imperativos tanto econômicos como morais. Queremos atrair o tipo de empresas, como a Digicel, que estão comprometidos com ambos os imperativos.

Quero aplaudir um dos organizadores desta conferência, a Organização Internacional do Trabalho. Eles estão aqui esta semana para um encontro com empresas comprometidas a realizar seus negócios de uma maneira que assegure que os empregos estejam de acordo com as normas de condições de trabalho internacionalmente aceitas.

Queremos construir o Haiti melhor do que era antes das tempestades. Não só criando empregos, mas criando empregos diversificados e sustentáveis, não só gerando energia, mas desenvolvendo energia mais verde e mais sustentável que reduzirá a poluição, reduzirá o desmatamento e reduzirá o ônus financeiro de ter que comprar energia de fora. Queremos construir casas, mas queremos que as casas sejam resistentes a furacões e enchentes, além de acessíveis. Queremos aumentar a produção agrícola, mas queremos embalá-la melhor e fazê-la ser mais bem transportada, comercializá-la melhor e fazer com que uma parte maior dela reverta em renda legítima para os produtores.

Nosso trabalho está apenas começando, mas quero falar sobre algumas das coisas que já foram feitas. Mencionei o fundo para o desenvolvimento econômico da Fundação Soros e seu projeto de investimento no Haiti. Quero agradecer a eles por seu compromisso de US$ 25 milhões e dizer que eles estão procurando parceiros potenciais, em um esforço para expandir a capitalização inicial para US$ 150 milhões para investimentos na indústria de vestuário, agricultura, logística, turismo, energia e moradia. Para os investidores, participar desse fundo é uma ótima ideia, já que George Soros tem um excelente histórico de ganhar dinheiro em sua vida (risos).

Quero agradecer a Michael Carey, um empresário irlandês, e a um grupo de seus colegas que estabeleceram recentemente a Soul of Haiti Foundation para criar parcerias de longa duração entre empresários haitianos e irlandeses.

Quero agradecer a James Lee Witt (que foi meu Diretor de Gestão de Emergências) e seus associados. Eles se comprometeram a oferecer capacitação em preparação para desastres a mulheres haitianas e já vêm trabalhando aqui com a equipe da ONU para isso.

Uma das pessoas que vieram aqui comigo em minha viagem em março é um cidadão indiano chamado Desh Despandi, que alimenta um milhão de crianças na Índia por dia. Um milhão de crianças, com um programa que trabalha para melhorar a nutrição e o desempenho escolar. Ele se ofereceu para ajudar a louvável iniciativa de melhorar a alimentação nas escolas que já está em andamento e ampliar a escala de cobertura do governo para o mais próximo possível de 100% das crianças que precisam se alimentar na escola.

Quero agradecer a um amigo do governo, Rolando Gonzalez Bunster, que se ofereceu para trazer cinco moinhos de vento com oito megawatts de capacidade que são produzidos pela VESPAS, uma empresa dinamarquesa. Estes são os melhores moinhos de vento do mundo e queremos provar que o Haiti tem total capacidade para usar energia eólica com eficácia. Esperamos que isso seja o começo. Esperamos que isso venha a ser uma grande contribuição para a independência energética do Haiti no longo prazo, mas não adianta fazer esses investimentos se não existir a capacidade. Eu agradeço a você, Rolando, e peço ao governo que os instale o mais depressa possível.

Na semana passada, tivemos também US$ 2 milhões prometidos pela water.org e pelo famoso ator Matt Damon, para fornecer água potável e saneamento básico a mais 50.000 haitianos. A Habitat for Humanity comprometeu-se com quase US$ 5 milhões para construir moradias para 1.500 famílias em duas cidades destruídas pelos furacões do ano passado e reconstruí-las com melhores condições. Uma empresa chamada Sunlight Solar, que trabalha em colaboração com minha Fundação, ofereceu-se para dar energia solar a 500.000 haitianos em áreas rurais onde eles não têm eletricidade, de modo que, à noite, eles pelo menos terão alguma luz para as mães poderem trabalhar e as crianças poderem estudar. Isso ajudará 2.500.000 pessoas.

Houve alguns outros interessantes compromissos assumidos. A Organização Internacional do Trabalho, com base em seu sucesso em duplicar o número de empregos na indústria de vestuário no Camboja, está se associando outra vez à International Finance Corporation, por meio do programa Better Works Haiti, para fazer a mesma coisa aqui. Essa é uma coisa boa. Representantes de gigantes da indústria de vestuário, como Gap, Walmart e Levi’s, concordaram em trabalhar com fábricas haitianas, a OIT e o governo para assegurar que todas as peças de vestuário e produtos têxteis estejam de acordo com as diretrizes da OIT e que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.

A Royal Caribbean, que hoje traz a maior parte dos turistas que vêm para o Haiti a cada ano, comprometeu-se em começar a trazer turistas para a Cidadela como parte de suas atividades em terra e também concordou em criar uma nova escola a ser sediada em Cabo Haitiano, operada pela RCCL, o Ministério do Turismo e a câmara de comércio local, para capacitar a população do norte do Haiti no setor da hospitalidade. Eles ainda estão fazendo muitas outras coisas, mas o tempo não me permite falar delas. Quero transmitir a eles a meu agradecimento especial. Eles têm sido maravilhosos.

A Biotech e o governo do Haiti assinaram esta semana um acordo para usar uma usina de açúcar para começar a expandir a produção de açúcar aqui e estimular o agronegócio, criar centenas de novos empregos e dar ao Haiti o potencial de entrar no mercado dos biocombustíveis. Precisamos ver se conseguimos fazer isso aqui de uma maneira, a propósito, que ajude no problema do desmatamento, não só no Haiti, mas no Brasil, como expliquei anteriormente.

Portanto, há muitas outras coisas acontecendo. Vou mencionar apenas mais uma. O empresário irlandês Terry Cloune, da taxback.com, vai estabelecer uma nova central telefônica em Porto Príncipe. Se podemos ter uma central telefônica nos Estados Unidos operando da Índia e do Paquistão, não vejo por que não podemos ter uma no Haiti. Eles empregam muitas pessoas em um bom ambiente. Quero lhes agradecer por isso.

Vou lhes dizer uma coisa. Quero me comprometer com todos, com a excelentíssima senhora primeira-ministra. Nosso pessoal e o pessoal do BID – eu conversei com o presidente Moreno sobre isso – assumem o compromisso de que iremos pessoalmente acompanhar cada empresário e empresa aqui representado que quiser nossa ajuda para fechar um negócio. O que queremos é saber exatamente o que vocês querem fazer, exatamente o que precisam que seja feito, exatamente quais são os passos entre o momento atual e o cumprimento efetivo de um compromisso com o Haiti. Quando soubermos de modo bastante específico o que vocês querem fazer, o que estão procurando fazer, estaremos em posição de obter alguma ajuda ou de dizer se vocês considerariam a possibilidade de modificar isto ou aquilo, de modo a podemos ajudá-los a obter a ajuda de que precisam.

Trabalharemos em estreita associação com o governo do Haiti, como sempre fazemos. Mas isto é realmente importante. Porque muitos de vocês vieram aqui para ver o que está acontecendo e para ver se essa história de Haiti é real ou só relações públicas. Isto é real. Uma maneira de a tornarmos real – o Banco Interamericano de Desenvolvimento e nosso escritório – é pegar as coisas que não puderem ser concluídas aqui e as levarmos adiante com firmeza. Mas vocês precisam nos ajudar. Se querem nos ajudar a obter financiamento, se querem ajudar porque acham que vai demorar muito para conseguir aprovação do governo, se querem ajudar porque não sabem como conseguir acesso ao porto – quaisquer que sejam as suas dúvidas, quanto mais específicos vocês forem, mais fácil será para todos nós trabalhar com o governo daqui a fim de tentar resolver esses problemas.

Portanto, este é o meu compromisso com vocês, mas não posso mantê-lo sem a sua ajuda.

Muito obrigado. E vamos seguindo em frente.

FIM.