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BID lança iniciativa para gerar oportunidades econômicas para a maioria na América Latina e no Caribe

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento Luis Alberto Moreno apresentou hoje uma nova iniciativa para gerar oportunidades econômicas para as pessoas de baixa renda na América Latina e no Caribe, as quais constituem a maioria da população da região.

Em um briefing realizado na sede do BID em Washington, D.C. e transmitido às representações do Banco em toda a região, Moreno explicou que a iniciativa Construir oportunidades para a maioria visa buscar soluções inovadoras para ajudar as pessoas de baixa renda da região a desenvolver seu potencial econômico e acumular um patrimônio.

Moreno observou que os benefícios do crescimento econômico não alcançaram a grande maioria da população da América Latina e do Caribe. Cerca de 360 milhões de pessoas, ou 70% da população da região, têm renda com poder de compra abaixo de US$3.000 ao ano.

“A América Latina e o Caribe alcançaram a estabilidade macroeconômica, mas isso não é suficiente para resolver os problemas das pessoas que vivem na pobreza ou à beira da pobreza”, disse Moreno, que assumiu a presidência do BID em outubro de 2005. “De fato, os índices de pobreza e desigualdade mudaram muito pouco nos últimos 45 anos.”

“Creio que é hora de adotar um novo enfoque: menos macro e mais micro. Em poucas palavras: temos que atacar diretamente os obstáculos que impedem que a maioria possa melhorar sua qualidade de vida”, acrescentou.

A falta de um crescimento com base ampla leva à exclusão econômica, aos conflitos sociais e às tensões políticas. A maioria da população da região paga uma “multa da pobreza”, um obstáculo ao progresso de suas famílias, de suas comunidades e de seus países.

Ao mesmo tempo, essa população representa um verdadeiro gigante adormecido. Para estudar o potencial econômico da maioria na América Latina e no Caribe, o BID se associou a dois prestigiosos centros de estudos independentes, o World Resources Institute de Washington (WRI) e o Instituto Libertad y Democracia de Lima (ILD).

O ILD, dirigido pelo economista Hernando de Soto, realizou em 12 países da região uma avaliação do “capital morto” —  ativos, como empresas, propriedades e terrenos, sem registro e sem título que não podem ser usados como garantia de empréstimos porque não estão legalmente reconhecidos. Segundo o estudo do ILD, esses bens somam US$1,2 trilhão.

O WRI, reconhecido mundialmente por seu trabalho em temas ambientais e nos mecados de pessoas de baixa renda, calculou o poder aquisitivo da maioria na América Latina e no Caribe. Segundo seu estudo, essa população constitui um mercado de US$510 milhões ao ano, medido pela paridade do poder de compra.

O BID, por sua parte, desenvolveu o Mapa da Maioria, uma ferramenta de Internet que expõe em gráficos interativos informações estatísticas sobre os diversos temas da iniciativa desagregadas por decis de renda, bem como em níveis nacionais. A ferramenta usa dados provenientes de pesquisas de domicílio realizadas na região e de instituições públicas e privadas.

Especialistas do BID também realizaram uma série de estudos sobre os setores de concentração da iniciativa, em que se fazem diagnósticos breves e se propõem ações concretas, com exemplos de casos bem-sucedidos que poderão servir de modelo para projetos.

Novos rumos, setores específicos

O desafio para os países da América Latina e do Caribe, e portanto para o BID, é proporcionar à população de baixa renda acesso a oportunidades e ferramentas que lhe permitam realizar seu potencial econômico.

O BID se concentrará em alguns poucos setores onde possa ter impact habitação popular, serviços microfinanceiros, infra-estrutura social (água potável, eletricidade, transporte urbano e estradas rurais), capacitação de mão-de-obra e incentivo à pequena e média empresas, acesso a tecnologias modernas de informação e comunicação e registro de indocumentados.

“Não temos todas as respostas. Por isso, proponho trabalhar com governos, empresas do setor privado e organizações da sociedade civil para alavancar a experiência, os recursos e as vantagens comparativas de cada um”, disse Moreno.

A fim de catalisar essas alianças e estimular as propostas, o BID criará uma rede de Centros de Inovação e Oportunidade em vários países da região, assim como em sua sede em Washington. O BID financiará parte dos custos de operação desses centros, que serão escolhidos com base em sua capacidade para pesquisar, formular, implementar e avaliar projetos piloto para atender às necessidades da maioria de baixa renda.

As lições aprendidas com esses projetos piloto orientarão uma parcela crescente do volume de empréstimos do BID — que tem capacidade para emprestar até US$8 bilhões ao ano — para realizar operações de maior calibre.

Moreno também anunciou que o BID dedicará mais recursos a setores específicos. Nos próximos cinco anos duplicará os empréstimos a projetos de infra-estrutura social para pessoas de baixa renda, até US$1 bilhão ao ano. Criará um fundo de empréstimos de US$1 bilhão para pequenas e médias empresas. E aumentará em 50% o financiamento para capacitação de mão-de-obra até US$2 bilhões ao longo de cinco anos.

O BID também planeja medidas para triplicar o volume de microcrédito para a região, de US$5 bilhões para US$15 bilhões até 2011. Em matéria de remessas, apoiará os esforços para reduzir seus custos da média atual de 5,6% para 3%.

Moreno disse que o BID continuará a fornecer empréstimos significativos a setores tradicionais, já que seu mandato requer que dedique pelo menos metade do montante anual de empréstimos a programas em setores sociais como saúde e educação, e a outras tarefas fundamentais, como a modernização do Estado e a segurança do cidadão.

A iniciativa Construir oportunidades para a maioria será lançada em um fórum no Centro de Conferências do BID (1330 New York Ave, NW, Washington, D.C.), nos dias 12 e 13 de junho. Entre os principais expositores convidados estão a primeira-ministra da Jamaica Portia Simpson Miller, Bill Clinton, o Cardeal de Honduras Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, o presidente da Telmex, Carlos Slim, o presidente do World Resources Institute, Jonathan Lash,  o presidente do Instituto Libertad y Desarrollo, Hernando de Soto, e Nicholas Negroponte, fundador de One Laptop per Child.

Os painéis da conferência abrangerão os principais temas da iniciativa, com destaque para estudos de casos de programas inovadores para melhorar o padrão de vida das populações de baixa renda. Haverá também uma feira tecnológica, em que empresas privadas e organizações sem fins lucrativos exibirão produtos e serviços que atendam às necessidades de consumidores de baixa renda. A feira terá lugar no átrio do edifício principal do BID (1300 New York Ave, NW, Washington, D.C.), de 13 a 14 de junho.