News banner image

Notícias

Remessas para América Latina e Caribe superam US$45 bilhões em 2004

Trabalhadores latino-americanos e caribenhos residentes no estrangeiro enviaram um recorde de US$45,8 bilhões a seus países de origem em 2004 em comparação com US$38 bilhões o ano anterior, anunciou hoje o Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Em geral, as remessas são enviadas por trabalhadores em nações industrializadas, que mandam por vez entre US$100 e US$300 a suas famílias. Esses fluxos são uma fonte crucial de capital para diversos países na América Latina e no Caribe. Em 2004, como nos últimos dois anos, as remessas excederam o total combinado de cooperação externa e investimento estrangeiro direto recebido pela região.

Cerca de três quartos do volume total de remessas para a América Latina e o Caribe vieram dos Estados Unidos. A Europa foi a segunda maior fonte, enquanto o Japão continuou a ser a principal origem de fluxos para o Brasil e o Peru, assim como o Canadá no caso da Jamaica e do Haiti.

O México continuou a ser o principal destinatário, recebendo perto de US$16,6 bilhões o ano passado. Brasil foi o segundo, com US$5,6 bilhões, seguido de Colômbia, com US$3,9 bilhões. O impacto das remessas, porém, é maior nas economias menores da região. Haiti, o país mais pobre das Américas, recebeu pouco mais de US$1 bilhão de seus expatriados – mais de um quarto de seu produto interno bruto.

Segundo a pesquisa do Fumin, cerca  de 25 milhões de latino-americanos e caribenhos adultos vivem fora de seus países de origem. Dois terços deles mandam regularmente dinheiro para suas famílias. Em escala global, há perto de 175 milhões de pessoas que deixaram seus países de origem por razões econômicas.

Ainda que as remessas reflitam a crescente integração dos mercados de trabalho, Donald Terry, gerente do Fumin, destacou que este fenômeno se baseia fundamentalmente num fator  humano: o compromisso dos imigrantes com suas famílias. “Estas são famílias transnacionais, que vivem e contribuem em dois países, duas economias e duas culturas ao mesmo tempo”, disse ele.

“O mundo se adaptou às mudanças em comércio e investimentos, adotando novas regras políticas e econômicas para ajustar-se às novas realidades. O mesmo precisa ser feito para os trabalhadores emigrados que se tornaram uma parte vital dos mercados de trabalho mundiais”, acrescentou Terry.

O Fumin começou a trabalhar em 2000 na questão das remessas para avaliar seu impacto econômico e social na América Latina e no Caribe. Suas pesquisas  revelaram a magnitude desses fluxos, bem como os altos custos das transações que a maioria dos imigrantes tinha que pagar para enviar dinheiro a suas famílias.

Por meio de projetos e outras ações, o Fumin encorajou a concorrência em um mercado tradicionalmente dominado por empresas de transferência de recursos, atraindo o interesse de bancos, cooperativas de crédito, instituições de microfinanciamento e empresários inovadores para o setor de remessas. Nos últimos cinco anos, no caso da América Latina e do Caribe, os custos das remessas caíram pela metade, para cerca de 7%.

Em conjunto com outros parceiros, o Fumin está atualmente financiando vários programas para ligar as remessas ao microfinanciamento, procurando expandir o acesso de milhões de trabalhadores emigrados e suas famílias aos serviços financeiros formais.

O Fumin, fundo autônomo administrado pelo BID, apóia o desenvolvimento do setor privado na América Latina e no Caribe, com ênfase na microempresa e nos pequenos negócios.