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Futebol além dos gramados

O que o gol que deu a vitória aos Estados Unidos no final de seu jogo com a Argélia na Copa do Mundo de Futebol tem a ver com o emprego dosjovens latino-americanos? Ou o que a serenidade com que o goleiro inglês enfrentou um erro que custou a vitória de sua própria equipe tem a ver com a autoestima dos adolescentes do Brasil?

Tem muito, pela perspectiva do A Ganar, um programa de capacitação de jovens latino-americanos apoiado pelo Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento e pela organização de voluntariado norte-americana Partners of the Americas (POA), que teve início no Brasil, Equador e Uruguai em 2005 e, agora, será replicado em outros seis países da região.

“Eu fico o tempo todo pensando nessas coisas”, disse Paul Teeple, diretor da POA. “Em como usar os exemplos do Mundial nos currículos dos cursos. Aproveitar a paixão da Copa para aplicá-la à vida dos jovens”.

A Copa do Mundo de Futebol, acrescenta ele, é uma ferramenta para inculcar nos jovens inscritos no programa valores como perseverança, trabalho em equipe, honestidade e maturidade, qualidades que os ajudam para melhorar sua autoestima, suas relações sociais e até a conseguir emprego.

O programa da capacitação profissional para jovens, que associa o esporte às ferramentas para avançar na vida, tem números eloquentes a mostrar nos três países em que foi lançado três anos atrás: 70% dos jovens inscritos no programa já estão trabalhando e muitos dizem se sentir confiantes e aptos para lidar com os desafios profissionais graças ao que aprenderam no programa.

Esses resultados animaram Argentina, Colômbia, México, Haiti, Jamaica e República Dominicana a iniciar seus próprios programas A Ganar, também com apoio do Fumin e da POA. O Fumin aprovou um financiamento de US$ 3,6 milhões para essa nova iniciativa, cujo objetivo é abrir oportunidades de emprego para pelo menos 5.400 jovens que, de outro modo, não conseguiriam entrar no reduzido mercado de trabalho de seus países.

“Estamos felizes com a expansão do novo projeto para mais países”, disse Fabian Koss, coordenador do Programa Juventude no Escritório de Relações Externas do BID. “É maravilhoso ver como os instrutores e facilitadores do A Ganar de vários países estão trabalhando juntos para melhorar o programa e aprender com as lições que ele tem produzido”.

A fórmula do sucesso do A Ganar foi usar esportes populares e conhecidos como o futebol para ensinar habilidades que possam ser aplicadas no ambiente de trabalho. Na Argentina, para “nacionalizar” o projeto ainda mais, o esporte de referência será o rúgbi, muito popular nesse país.

A ideia é que os jovens possam comparar o que precisam usar no campo com o que se espera deles no trabalho.

A capacitação ocorre em três fases. Na primeira, o esporte é relacionado ao trabalho. A segunda é a capacitação técnica profissional propriamente dita e a terceira põe as duas primeiras em ação no mundo real por meio de estágios e práticas profissionais.

“Acreditamos que este modelo seja fundamental como ferramenta de desenvolvimento”, disse Maritza Vela, líder de equipe do projeto que expande o programa A Ganar para os novos países. “Não é apenas a expansão do modelo, mas também a introdução do rúgbi, do beisebol e do hóquei na grama nesses novos lugares. O Banco confia plenamente que a utilização do esporte é importante para as crianças com recursos escassos, muitas das quais vivem em áreas em que a violência é cotidiana”.

Os jovens que passaram pelas aulas do A Ganar garantem que, graças ao programa, melhoraram suas capacidades de trabalhar em equipe, de comunicação, de saúde e desenvolvimento físico, entre outras.

De 83% a 93% dos jovens que concluíram o programa declararam-se satisfeitos com os resultados, que se refletiram em uma melhora da autoestima e no preparo para entrevistas e para a busca de oportunidades e informações, segundo a SIC Desarrollo, uma firma de consultoria que realizou uma avaliação do impacto no final do projeto.

Ainda que o objetivo central do A Ganar fosse melhorar as possibilidades de obtenção de emprego para os jovens, temas como relações com a comunidade e a família, cuidados pessoais e introdução de novos valores também foram relevantes para os participantes. O programa certificou 18 entidades de educação e capacitação, que ofereceram 45 cursos em que foram inscritos 3.475 jovens, dos quais 2.816 completaram as três fases, superando as metas inicialmente estabelecidas.

A ideia é fazer uso produtivo de parte da paixão despertada pelo esporte, em especial o futebol. Além de levar a uma vida mais saudável e equilibrada, o esporte também pode melhorar as oportunidades profissionais. 

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