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Notícias

Liga de Campeões 2008

POR MATTHEW GEHRKE, RENSO MARTÍNEZ
Y MARÍA CECILIA RONDÓN, MICROFINANCE
INFORMATION EXCHANGE, INC. (MIX)

As microfinanças tiveram um rescimento explosivo em 2007 na América Latina e no Caribe. Tal desempenho foi impulsionado pela crescente demanda por serviços financeiros entre os microempresários das economias da região que vem tendo um crescimento acelerado e por novos financiamentos tanto em dívida como em depósitos.

A região e suas instituições de microfi nanças (IMFs) mantiveram-se à frente dentre as oportunidades de investimento com maior atratividade. As IMFs continuaram a fi nanciar 80% das carteiras de empréstimos da região, com mais de 11,7 bilhões de dólares em fi nanciamento comercial, no intuito de acompanhar o aumento sem precedentes da carteira, que alcançou 37% durante este ano. No entanto, o rápido crescimento também gerou concorrência, acarretando, por sua vez, um declínio na lucratividade. As taxas de retorno sobre os ativos baixaram de 10,6 para 9,8% à medida que as instituições sentiram o impacto da entrada de novos atores e o aumento do risco de carteira por toda a região.

A Microenterprise Americas e a Microfinance Information Exchange, Inc. (MIX) têm a satisfação de apresentar a Liga de Campeões deste ano, nosso relatório anual que classifica as principais instituições de microfinanças da região em oito categorias de desempenho. Com base em um levantamento feito entre 193 IMFs, analisamos os dados de alta qualidade mais recentes obtidos por auditores, órgãos regulatórios e outras fontes para elaborar o relatório de desempenho das IMFs em 2007. Consideradas em conjunto, estas 193 instituições, localizadas em 15 países da região, terminaram o ano administrando um volume de recursos de 12,8 bilhões de dólares em mais de 11,7 milhões de empréstimos a clientes de baixa renda, incluindo todos os tipos de crédito. O crédito destinado especifi camente a microempresários aumentou em 41,7% ultrapassando o valor de 6,2 bilhões de dólares em aproximadamente 6,5 milhões em empréstimos.

Escala (Microempresa)
O ranking da Liga de Campeões deste ano começa com uma nova perspectiva em relação ao setor das microfi nanças da região que apresenta-se cada vez mais diversifi cado – as 100 principais instituições estão classifi cadas por número de empréstimos ativos a microempresários até o fi m de 2007. Com quase 1,4 milhões de empréstimos, as IMFs mexicanas atenderam a mais microempresários do que qualquer outro país da região, graças em parte ao amplo esforço de divulgação e articulação do Compartamos- Banco. No entanto, com um número ligeiramente menor de empréstimos, o Peru quase triplicou os resultados do éxico terminando o ano com 1,57 bilhões de dólares em créditos a microempresários. A diferença entre estes dois importantes mercados deveu-se a média do saldo dos empréstimos que alcançou 1.192 dólares no Peru, quase três vezes a média do México.

Enquanto líderes tradicionais do mercado como o gigante mexicano Compartamos Banco continuaram a se destacar pela sua enorme penetração, a diferença em tamanho entre a maioria das IMFs nas primeiras posições e aquelas que se posicionaram mais abaixo na lista reduziu-se apenas quando foi considerado o crédito à microempresa. Também não foram encontradas mudanças signifi cativas no posicionamento das principais IMFs da região. A maior, CRESOL BASER, do Brasil, um grande grupo de cooperativas de crédito que opera no sul do país destacou-se ao galgar sete posições,  beneficiando-se do enorme potencial oferecido pelo gigantesco mercado brasileiro.

Crescimento
Pelo segundo ano consecutivo as IMFs mexicanas alavancaram seus altos retornos com uma rápida expansão, liderando os rankings de crescimento em empréstimos a microempresas. Apoyo Ecónomico foi a instituição de empréstimo a microempresas que cresceu mais rapidamente durante 2007, alcançando um porte muito maior graças a importantes investimentos em infra-estrutura no intuito de melhor atender os mercados com grande apetite por serviços financeiros.  A empresa Forjadores de Negocios mais do que quadruplicou em dimensões, graças a uma saudável injeção de capital e à experiência em administração dos proprietários do Mi Banco no Peru. Entre as IMFs que mais cresceram na região durante 2007, também destacaram-se empresas de outros países. A D-Miro fi cou entre as cinco primeiras, impulsionada por novo financiamento para dar assistência a um número crescente de clientes de Guayaquil, a maior cidade do Equador e seus arredores. Duas IMFs do Caribe fi guram entre as dez primeiras. A Fundación San Miguel Archángel da República Dominicana e FINCA do Haiti mais do que duplicaram em tamanho, mostrando o potencial de crescimento na sub-região.







Penetração no mercado
Como novo item acrescentado à Liga de Campeões deste ano, analisamos o alcance das operações de crédito para microempresas em relação às populações pobres de cada um dos países da América Latina e do Caribe. As IMFs de três dos países com renda per capita mais baixa da América Latina assumiram um papel proeminente atendendo uma enorme proporção de microempresários. Instituições na Bolívia, Nicarágua e no Paraguai ocuparam 14 das primeiras 20 posições, como resultado de um ano de intenso crescimento e concorrência, considerando os números mais reduzidos de suas populações. Partindo da premissa que não houve superposição de clientes, as principais IMFs desses três países atenderam até 12,1%, 10,9% e 8,6%, respectivamente, de seus mercados potenciais. Algumas IMFs das maiores economias latino-americanas chegaram também a posições destacadas em termos de penetração de mercado. O BancoEstado do Chile assumiu a liderança, dando assistência a 1 em cada 20 cidadãos de baixa renda do país. O CompartamosBanco chegou bem perto, capturando quase 5% da população pobre do México em seu esforço por tornar-se a primeira IMF da América Latina e do Caribe a trabalhar ativamente com um milhão de microempresários.





Poupança
Enquanto o fi nanciamento comercial acompanhou o mesmo ritmo de firme crescimento da carteira em 2007, a poupança não demostrou uma expansão tão rápida quanto a dos empréstimos como forma de fi nanciamento na região, caindo de 74 a 70% do total do financiamento comercial. De fato, apenas uma das IMFs incluídas neste levantamento foi regulamentada durante o ano. De qualquer forma a poupança continuou sendo crucial para o crescimento da carteira de empréstimos das IMFs regulamentadas na medida em que as carteiras de micro-poupança aumentaram em 28,1% alcançando os 8,2 bilhões de dólares com mais de 9 milhões de contas. O banco Caja Social Colombia foi o líder da região com mais de 2,5 bilhões de dólares em poupança voluntária, aproveitando o efeito do crescimento da economia e a pouca concorrência, pois não foi permitida à maior parte das IMFs colombianas mobilizar depósitos. Tanto no Peru como na Bolívia as instituições regulamentadas tentaram consolidar suas posições no setor de poupança já que o cenário competitivo prepara-se para uma dramática mudança em 2008. As instituições CMAC peruanas receberam recentemente autorização para abrir fi liais em qualquer mercado do país, permitindo que os gigantes municipais concorram diretamente pela primeira vez. Na Bolívia, 150 ONGs, incluindo algumas das maiores IMFs estão em processo de regulamentação e pela primeira vez oferecerão produtos de poupança que antes só encontravam-se disponíveis em FPPs e cooperativas regulamentadas.



Eficiência
Apesar da forte concorrência na região, as IMFs da América Latina e do Caribe conseguiram apenas 3,3% de aumento na efi ciência operacional em 2007. É possível que os modestos ganhos em efi ciência para muitas IMFs devam-se sobretudo a tendência de desembolsar empréstimos maiores na medida em que o saldo médio dos  empréstimos em todos os tipos de crédito aumentou em 13,2% durante o ano. Alguns indicadores de efi ciência operacional podem benefi ciar-se do aumento dos saldos dos empréstimos e a conseqüente distribuição de custos com carteiras de empréstimos maiores, o que pode ter acontecido neste caso. Enquanto quase todas as IMFs na tabela de > 500 dólares apresentavam saldos de empréstimos bem acima dos 1.000 dólares, a FMM Popayán da Colômbia destacou-se dentre mais as eficientes da América Latina graças à extrema produtividade de seus funcionários, apesar de um saldo de empréstimos relativamente baixo. Na tabela dos < 500 dólares, FODEMI e FINCA do Equador destacaram-se entre os primeiros fi nalistas ao aumentar sua eficiência e, ao mesmo tempo, apresentaram um decréscimo real na média do saldo de empréstimos.



Qualidade dos ativos
A crescente concorrência por clientes em toda a região e a pressão sobre os tomadores de empréstimos devido ao aumento dos preços das commodities no mundo todo em 2007, levou à um aumento do risco na carteira de muitos países e na região em geral. Segundo Gabriel Solorzano da FINDESA, “Algumas empresas que decidiram continuar crescendo, tornaram menos rígidas as regras para os empréstimos, o que aumentou o número de pagamentos atrasados”. Por região, as IMFs da América do Sul enfrentaram o maior aumento em pagamentos pendentes, com PAR >  30 Days (atrasos de mais de 30 dias) apresentando elevação superior a 30%. O Peru e a Colômbia ocuparam os primeiros lugares no continente, alimentando a preocupação relativa ao endividamento devido à saturação nos dois mercados. No México, América Central e Caribe o risco da carteira cresceu em quase 10% em cada uma das regiões, sendo que o risco continuou apresentando-se superior ao da América do Sul como um todo. Apesar destes desafi os, as IMFs com menor risco em carteira da região lutaram contra o crescimento da inadimplência graças à elevada qualidade de suas práticas de crédito. Em vários casos, a alta qualidade dos ativos influi na efi ciência e lucratividade da IMF. Quatro instituições com baixo risco em carteira posicionaramse entre as mais eficientes da região pois gastaram menos recursos tentando recuperar dívidas não amortizadas. Várias instituições mexicanas  desemgalgaram as posições mais altas em 2007 devido à qualidade de seus ativos e, ao mesmo tempo, terminaram o ano situadas entre as mais lucrativas. ProMujer Peru destacou-se entre todos os candidatos, figurando entre os 20 primeiros de todas as categorias.

Lucratividade
As margens de lucro, de modo geral, sofreram decréscimo na região em 2007, porém as microfinanças figuraram como um setor altamente vantajoso para as instituições mais lucrativas da América Latina. Apesar dos tradicionais campeões de desempenho, como o CompartamosBanco e o CrediAmigo do Brasil, continuarem ocupando os primeiros lugares, a grande maioria das IMFs da lista deste ano figuram pela primeira vez em tal lista. Algumas tiveram boa classificação devido a melhorias no desempenho institucional. A Fundación  José Nieborowski da Nicarágua e CEAPE Maranhão do Brasil aumentaram drasticamente suas margens e terminaram entre as 10 primeiras colocadas ao cortar custos operacionais e riscos na carteira. Outras como Friendship Bridge na Guatemala e EDPYME Efectiva no Peru classifi caram-se entre as mais eficientes da região. Em alguns casos, as IMFs mais efi cientes da região operaram em mercados mal servidos, frequentemente localizados em áreas rurais, nos quais foi possível aumentar a margem de lucro e crescer cobrando taxas de juros mais altas ao invés de aprimorar a eficiência. Isto aconteceu especialmente no México, cujas IMFs ocuparam sete das primeiras dez posições, com retornos sobre ativos superiores a 15%. Das sete, apenas a Financiera CONSER conseguiu fi gurar na lista das eficientes. Porém a margem entre resultados no México encolheu em comparação a anos anteriores, mostrando os primeiros sinais da influência  do aumento da concorrência no mercado. Mesmo o Compartamos-Banco enfrentou, pela primeira vez em anos, uma (pequena) redução em sua margem devido à concorrência de novos e dinâmicos atores como Conserva e gigantes emergentes da área de consumidores como o Banco Azteca e o Banco Wal Mart.



Conclusão
As microfi nanças na América Latina e no Caribe enfrentarão no futuro seus maiores desafios. O aumento sem precedentes dos preços das commodities pode ter um impacto direto na capacidade de muitos tomadores de empréstimo de baixa renda de pagarem suas dívidas. Além disso, políticas públicas desfavoráveis em alguns países podem vir a minar o desempenho do setor das microfinanças, enquanto a crescente disponibilidade e facilidade de crédito ao consumidor (com o risco correspondente de sobreendividamento) em outros países irão testar os balanços e os resultados de muitas instituições. Mesmo considerando que o caminho a seguir trará obstáculos, as instituições fi nanceiras bem administradas e diversifi cadas que trabalham para oferecer serviços financeiros aos pobres encontrarão espaço para o crescimento e a sustentabilidade em alguns dos mercados mais dinâmicos do mundo. A MIX e a Microenterprise Americas agradecem a todas as instituições participantes por compartilharem suas informações financeiras e de articulação e por promover a transparência na região.

Nota metodológica: Todos os dados apresentados estão em dólares americanos para o ano que terminou em 31 de dezembro de 2007 e devem ter suficiente qualidade e detalhe para respaldar uma análise crítica e detalhada. Os dados financeiros devem vir acompanhados de documentos apresentados por terceiros verificando as contas. Todos os dados são reclassificados segundo os padrões do setor para apresentação de declarações financeiras e ajustados usando a metodologia padrão MIX do MicroBanking Bulletin. Apenas a informação de empréstimos e carteira da lista de “escala” não sofre tal ajuste. Os programas e departamentos de microfinanças que fazem parte de entidades maiores devem também apresentar dados confiáveis sobre as alocações que constam das declarações de rendimentos para que possam ser considerados para a lista subsidiária dos “top 20”. Caso contrário, as IFMs que não puderem ser integralmente analisadas só serão consideradas para figurarem da lista baseadas em volume, e figurarão com um asterisco (*). Seguindo a metodologia da MIX, a análise define uma instituição de microfinanças como uma entidade com um volume financeiro médio de menos de 250% da média do nível das receitas individuais (GNI per capita) do país no qual está sediada. Para fins de comparação, só foram consideradas no levantamento instituições que declararam mais de 5.000 clientes. Exceções notáveis da lista provavelmente foram excluídas porque ou não puderam apresentar ou não apresentaram informação comprovada dentro do prazo. Algumas instituições não foram incluídas na lista de escala devido ao seu tamanho mais foram incluídas em outras categorias com base em seu desempenho. Para mais informação a respeito das definições e métodos utilizados visite www.mixmbb.org.

Definições de tipos de crédito da MIX: Microempresa: Outorgado a pessoas ou empresas para financiar a produção ou comércio de bens e serviços; em geral diretamente a pequenas e microempresas. Consumidor: Outorgado a pessoas para financiar a compra de bens de consumo que não tem propósito comercial ou empresarial, incluindo melhorias na casa ou empréstimos para saúde ou educação. Agradecimentos: Os autores gostariam de agradecer a Charles Cordier (MIX), Carolina Vidal (MIX), Blaine Stephens (MIX) e Ángel Salgado (REDCAMIF), pela sua contribuição no sentido de expandir a cobertura de IMFs deste ano. Nossos agradecimentos também dirigemse às seguintes organizações que ofereceram valiosa assistência ao facilitar a coleta de dados para este artig ACCION, ASOFIN, COPEME, FINCA International, Opportunity International, ProDesarrollo, ProMujer, REDCAMIF, RFR. Finalmente os autores gostariam de agradecer aos seguintes profissionais por fornecer valiosíssima informação para esta análise: Gabriel Solorzano (Findesa), David Torres (Caja Popular Mexicana), Julio Herbas (BancoSol), Naldi Delgado (ProMujer Peru), Diego Fernandez Concha (PRISMA), Leonor Melo de Velasco (FMM Popayán), Francisco Moreno (Fundación Espoir), Santa de Euceda (ODEF OPDF), Jose Guillén (COAC San Jose), Fernando Álvarez Toca (CompartamosBanco), e Ricardo Suxo (Diaconia).