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Apoio à arte caribenha

Embora seja o país mais pobre das Américas, o Haiti abriga extraordinárias riquezas artísticas e culturais. Mesmo sob condições muito difíceis, a cultura continua a desempenhar um papel central na vida cotidiana das pessoas.

Entrada do Museu do Panteão Nacional.

“Todos neste país vêem-se como artistas”, diz Gail Dominique, especialista de país do BID na capital do Haiti, Porto Príncipe. “É algo vivo que salta à vista nas ruas. A cor, a música, o modo como as pessoas andam, como elas falam, como se vestem.” O potencial criativo é enorme. E, com os escassos recursos disponíveis, quase sempre sucata, os talentosos haitianos realmente produzem milagres.

Porém, ganhar a vida como artista é outra história. “O incrível é que as pessoas não desanimam”, diz Dominique. Mesmo sabendo que artistas e artesãos não têm muito futuro, comenta ela, “onde havia 10 artistas hoje há 20”.

Salvar o patrimônio do Haiti. Duas iniciativas recentes apoiadas pelo Programa de Desenvolvimento Cultural do Centro Cultural do BID procuram promover esses talentos naturais e preservar o secular patrimônio cultural do Haiti. Como muitos outros setores no país, as artes e a cultura tradicionais precisam de uma boa dose de assistência, pois correm um sério risco de desaparecer.

“Os haitianos não visitam museus, o que significa que eles não podem contar com a ajuda do público em geral para sua sobrevivência”, diz Dominique. “Eles dependem de contribuições particulares. Os museus também não são uma prioridade para o governo.” Como resultado, o estado de abandono do patrimônio cultural do país favorece sua lenta desintegração e, talvez, seu desaparecimento.

A meta do recém-criado Centro de Restauração Haitiano, dentro do Musée du Panthéon National Haïtien [Museu do Panteão Nacional Haitiano], será cuidar das obras de arte e de outros objetos culturais a fim de deter ou desacelerar sua deterioração. O centro oferecerá os serviços de uma equipe profissional a outras instituições de artes, além de se converter num recurso para a promoção científica e a criação de empregos e para conscientizar os cidadãos quanto ao patrimônio cultural de seu país. Três novos centros catalogarão objetos, capacitarão profissionais de campo e estabelecerão parcerias com grupos de restauração na América e na Europa.

O BID financiou a mobília para o centro haitiano.

Canalizar a criatividade. O outro projeto centra-se no fortalecimento da organização e numa melhor exploração do talento reunido nas muitas iniciativas culturais locais conhecidas no Haiti como coletivas de artistas. Todos os anos, governos municipais organizam eventos culturais que recebem a visita de turistas. Porém, como não há nenhuma preparação sistemática, as cidades perdem a oportunidade de extrair benefícios de seu enorme esforço. O projeto Oficinas Educacionais para Administradores Culturais terá como objetivo central revitalizar o setor a fim de melhorar a gestão de atividades complexas e ajudar os artistas e artesãos participantes a criar uma experiência lucrativa.

O programa oferecerá capacitação em administração de eventos artísticos para agentes culturais, promoverá trocas de idéias sobre administração cultural e procurará ampliar o papel dos agentes culturais nas instituições públicas.

A arte na fábrica de chocolates. Na República Dominicana, “chocopop” não é nem um doce, nem uma dança. É algo para se desfrutar. A cidade de Puerto Plata restaurou a antiga Chocolateria Sánchez, que foi propriedade do ditador Rafael Trujillo, e converteu-a no Centro Cultural del Atlántico. Em 2005, a cidade organizou a III Conferência Internacional de Performances Artísticas, também conhecida como “choco” (“chocolate”) “pop” (iniciais de “Puerto Plata”), com apoio do Programa de Desenvolvimento Cultural do Centro Cultural do BID.

A Chocopop foi montada como um evento eclético e experimental, com artistas dominicanos e internacionais, voltado principalmente para crianças e jovens das áreas pobres adjacentes. As apresentações na conferência de 2005 centraram-se no som como forma de apoio à criação visual. “Temos uma perspectiva de futuro para Puerto Plata”, diz Oscar Hungría, um dos organizadores do evento. Apelidada de “A noiva do Atlântico”, Puerto Plata decidiu investir em opções culturais mais ricas para os turistas de todas as partes do mundo que a visitam. A restauração da fábrica de chocolates é parte de um esforço maior para resgatar o centro histórico da cidade.