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Arte latino-americana com raízes japonesas

Roger Hamilton

Os imigrantes japoneses que chegaram à América Latina na virada do século XX não eram em nada diferentes dos imigrantes de outras origens. Pobres, sem oportunidades e freqüentemente sem sorte, eles viam nas Américas uma terra de esperança e oportunidade.

Como na maioria os recém-chegados eram agricultores, buscaram trabalho em plantações, primeiro no Peru, depois em outros países, principalmente no Brasil. Muitos esperavam retornar à terra natal depois de alguns anos. Grande parte não voltou.

Hoje, embora muitos japoneses tenham permanecido ligados à terra, outros se incorporaram às variadas áreas de atuação da sociedade de seus países de adoção. Tornaram-se banqueiros, empresários, políticos, cientistas, acadêmicos, escritores. E muitos deixaram também sua marca indelével no cenário cultural da América Latina.

A nova exposição da Galeria de Arte do Centro Cultural do BID, “Artistas Niseis Latino-americanos do Século XX”, mostra os trabalhos de dez artistas latino-americanos de ascendência japonesa provenientes da Argentina, Brasil, México e Peru. A exposição, que ficará aberta até 29 de abril, está associada à Reunião Anual do BID deste ano, que a se realizar em Okinawa, no Japão, em abril.

O florescimento da primeira geração de imigrantes japoneses coincidiu com a chegada do abstracionismo à América Latina, o tachismo francês e a abstração lírica, a “pintura de ação” dos Estados Unidos, o informalismo francês e espanhol e outras tendências. Na América Latina, os artistas descendentes de japoneses, pela sua própria cultura estética tradicional de abstração e a preferência por superfícies como telas e pergaminhos em suas expressões artísticas, absorveram essas novas tendências com naturalidade. De fato, muitos dos primeiros artistas reconhecidos de ascendência japonesa na América Latina eram abstracionistas.

Embora construir uma vida nova em outra terra nunca seja fácil, os japoneses rapidamente deixaram uma marca notável. “No que se refere à arte”, disse Félix Ángel, curador do Centro Cultural do BID, “essa é realmente uma história de sucesso, com muitas realizações a celebrar.”

As obras em exibição foram escolhidas entre as coleções do BID, do Museu de Arte da Organização dos Estados Americanos e do Instituto Cultural do México. Várias foram emprestadas pelos próprios artistas.