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Redescoberta do próprio patrimônio

Alguns poderiam dizer que levar crianças de famílias de baixa renda para visitar museus e fazer excursões pela cidade onde vivem é uma perda de tempo em comparação com outras necessidades mais básicas, como ensinar a ler e escrever, ou manter a criança na escola até a conclusão do curso.

Mas não pensam assim os diretores do Museu de Arte Moderna de Bucaramanga. Por quê? Porque as crianças mais pobres dessa cidade colombiana não têm as oportunidades e o estímulo necessários para seu desenvolvimento. Elas recebem pouco ou nenhum apoio da família. Raramente saem do bairro onde moram. O desconhecimento da própria cidade, sua história, monumentos e as disponibilidades culturais produz um vazio enorme em sua noção de identidade pessoal.

As crianças reproduziram em maquetes as cidades que visitaram.

O programa “As crianças da comunidade olham a cidade” é uma tentativa de melhorar essa situação. Com o apoio do Centro Cultural do BID e de outras instituições públicas e privadas, o museu desenvolveu uma iniciativa que permitiu que 600 crianças dos bairros mais pobres de Bucaramanga adquirissem conhecimentos sobre a cultura e a história de sua cidade e explorassem suas obras de arte mais representativas. Para muitas dessas crianças, o programa representa uma oportunidade única.

“A idéia é reforçar os valores das crianças e ajudá-las a entender nosso patrimônio”, explica Edilma Martínez Martínez, coordenadora educacional. A razão, dizem os organizadores, é que as crianças precisam aprender desde cedo a “ler” o significado social, artístico e histórico de seu patrimônio.

As crianças participantes divertiram-se muito em excursões dedicadas a temas históricos, comerciais e culturais/educativos. Tiveram de prestar muita atenção nas explicações e observar todos os detalhes, porque, ao fim de cada excursão, tinham como tarefa reproduzir em desenhos e maquetes a cidade que haviam acabado de ver pela primeira vez.

O programa de Desenvolvimento Cultural no Campo, do Centro Cultural do BID, apóia pequenos projetos que promovem iniciativas culturais nos países membros da América Latina e do Caribe por intermédio dos escritórios regionais do Banco.