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Tratado de livre comércio México–União Européia abre perspectivas para América Latina

O tratado de livre comércio México–União Européia (TLCUEM), que completa quatro anos de existência neste mês de julho, foi a primeira iniciativa de liberalização do comércio da Europa com um país do continente americano e resultou num crescimento de 27% no comércio bilateral. (1)

Os benefícios de longo prazo do acordo não são facilmente mensuráveis, mas o crescimento constatado de 19% nas exportações mexicanas para a Europa, contra 30% das exportações européias para o México, é considerado baixo, pois a média do crescimento mundial das exportações mexicanas, desde que o tratado entrou em vigor, foi de 18%.

Em conferência realizada na sede do BID em meados de julho, Sérgio Gómez Lora, consultor do Departamento de Integração e Programas Regionais do BID, atribuiu o crescimento pouco significativo das exportações mexicanas à fragilidade do euro em relação ao dólar e a um peso relativamente forte nos primeiros anos de vigência do tratado. Além disso, os exportadores mexicanos ainda não conhecem bem o mercado europeu. Ademais, muitas decisões das multinacionais estabelecidas no México são tomadas na matriz, independentemente das vantagens comparativas oferecidas pelas diferentes localizações das filiais, explicou Lora.

Ele observou que o acordo representou uma grande vantagem para as empresas européias, pois, ainda que elas pudessem investir no México através de suas filiais nos Estados Unidos e no Canadá, “a ausência de um acordo com a UE implicava em privilegiar a relação comercial e econômica do México com seus sócios da América do Norte”.

O TLCUEM pode ser útil para reforçar os efeitos do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), pois fortalece o processo de abertura econômica e de liberalização do mercado mexicano no longo prazo, fator que reduz as incertezas em relação à perenidade do TLCUEM. Os dois tratados juntos somam cerca de 80% do comércio exterior mexicano.

O pioneirismo da iniciativa abriu novas oportunidades de relacionamento entre a América Latina e a Europa. Logo após a conclusão do tratado com o México, o Chile concluiu um tratado similar, e o Mercosul iniciou entendimentos com a EU, explicou Lora.

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(1) As disposições que garantem o livre fluxo de mercadorias e serviços compõem o Tratado de Livre Comércio México–União Européia (TLCUEM), firmado em julho de 2000, que é um dos componentes do Acordo de Aproximação Política, Associação Econômica e Cooperação, ou “Acordo Global”, como ficou conhecido.