Pular para o conteúdo principal

Mulheres que transformam a Cidade #5: Profissões urbanas e gênero

Análise Econômica Mulheres que transformam a Cidade #5: Profissões urbanas e gênero Qual o papel das mulheres na tomada de decisão sobre as cidades? Como assegurar maior representatividade na arquitetura e urbanismo? Fev 15, 2021
Blog-Genero-e-Cidades-Profissoes

Como podemos trabalhar para uma melhor representação das mulheres nos campos da arquitetura e do planejamento urbano, tanto na história, como na memória coletiva e na profissão?Neste podcast, respondemos a estas questões fundamentais para uma melhor representação das mulheres nesta profissão.

Ouça o podcast aqui!

Quem faz a cidade:olugar da mulher na profissão de arquiteta e planejadora urbana

As profissões de arquiteto e urbanista foram historicamente ocupadas, principalmente, por homens. No entanto, hoje também há muitas arquitetas e urbanistas. De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, oCAU, em 2019, o Brasilregistrava167.000 arquitetos e urbanistas ativos, cuja maioria (63%) são mulheres. No entanto, as mulheres têm baixa representatividade nas entidades profissionais: estãosubrepresentadasnão apenas na organização da profissão, mas também na história da arquitetura e na memória coletiva nacional.

Enquanto os estudantes aprendem sobre os grandes nomes e obras dos arquitetos masculinos, as arquitetas mulheres permanecem nas sombras. Além de apresentarem paridade, estas profissões também precisam ser transdisciplinares, para pensar a cidade da maneira mais representativa possível.

A plena igualdade de gênero é o 5º objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Em 2019, os Conselheiros doCAU/BR aprovaram a criação de uma Comissão Temporária de Equidade de Gênero no conselho, com o objetivo de cumprir a missão de promover Arquitetura e Urbanismo para todos sem distinção de gênero. O objetivo é implementar uma estrutura administrativa doCAUque respeite os princípios da plataformaWomenEmpowermentPrinciples(WEP), coordenada pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas e a ONU Mulheres.Oprimeiro diagnóstico "Gênero na arquitetura e urbanismo”foipublicado em 2020.

Fonte: DivulgaçãoCAU/BR

A iniciativaCAU+PLURALé uma força de 156 mulheres comprometidas com umCAUmais participativo, com o objetivo de integrar a diversidade de gênero, raça, classe e território dentro da Instituição, para também integrar as perspectivas, experiências e talentos das mulheres na arquitetura e no planejamentourbano, de forma a tornar as decisões mais horizontais e não-hierárquicas. Pela primeira vez na história doCAU-SP, as eleições do conselho, realizadas neste 15 de outubro de 2020, elegeram 100 mulheres, ou seja 64% dos 156 assentos disponíveis para conselheiros estaduais e federais para a gestão 2021/2023.

Para saber mais sobre a discriminação interseccional nas profissões de arquitetura e planejamento urbano, assista ao vídeo“Quem pensa as cidades? Racismo na arquitetura”.As iniciativasArquitetas (In)visíveiseArquitetas Negrassãooutras a destacar:o coletivo Arquitetas (In)visíveis nasceu graças a mulheres estudantes de arquitetura que, durante o curso de graduação, só tiveram acessos aos currículos dos "grandes arquitetos" homens, e queriam reparar a invisibilidade das arquitetas mulheres apresentando a produção feminina, no campo da arquitetura e do urbanismo, por meio de um site que funciona como um banco de dados de mulheres talentosas nessas áreas;o objetivo da iniciativa “Arquiteta Negras”, criada em 2018, é mapear a produção dessas arquitetas e criar uma plataforma, tanto para pesquisa, quanto para contratação, a fim de diminuir a desigualdade racial e de gênero na arquitetura.

E o lugar dasmulheresna tomada de decisão sobre as cidades?

As políticas públicas urbanas são oinstrumentoque organiza e transforma as cidades, especialmente a nível municipal e local.Asmulheresprecisamter oportunidades iguais de acesso a cargos de decisão política e urbana. Se as decisões são estatisticamente tomadas por um grupo homogêneo de pessoas, geralmente homens, brancos e de classe média alta, com seus próprios padrões de pensamento e representações sociais, como criar políticas públicas adaptadas às situações reais de outras pessoas nas cidades, como mulheres ou outros grupos específicos? Quais estruturas permitem ser mais sensíveis às necessidades das mulheres nas cidades, e ao mesmo tempo dar para elas um espaço de fala, aprendizagem e empoderamento?

A criação decomitês de mulheresou conselhos municipais são estruturas interessantes para o desenvolvimento de políticas públicas adaptadas às necessidades das mulheres. Ao criar espaços de diálogo e debate como esses, é possível sensibilizar, legitimar e adaptar certas políticas públicas. Eles representam espaços institucionais fundamentais para o exercício da participação cívica da mulher. A criação de taiscomitês também podeser aplicadajunto aoutros grupos de pessoas que estão, geralmente,subrepresentadasno espaço público, a fim de abrir espaços de diálogos e de trabalho com esses atores sobre suas visões e necessidades na cidade, por exemplo, com crianças ou a comunidade LGBTQIA+.

Uma iniciativa muito interessante é a do Governo doEstado do Paraná, que elaborou em 2014 um“Guia para criação de Conselhos Municipais Dos Direitos da Mulher”que fornece informações, procedimentos e orientações sobre tais estruturas, inclusive uma sugestão de minuta de projeto de lei para criação de tais conselhos.

Por quenós fazemos perguntas sobre gênero no espaço público e na cidade?

Simplesmente porque são lugares que promovem o encontro, a visibilidade e a troca entre as pessoas na sociedade, e onde o gênero é demonstrado. Muitas vezes, o espaço público é definido como um espaço "neutro", quando ele não é. O espaço público também não é público para todos, como seu nome sugere.Paracompreender as relações de poder no desenho, uso e ocupação do espaço público que perpetuamas representações sociais de gênero,e impulsar mudanças,o BID criou umGuiapráticoe interseccional para cidades mais inclusivas.

Baixe o guia aqui!

O guiavisa abrir um espaço de reflexão sobre as perspectivas feministas e interseccionais na concepção e gestão das cidades no Brasil. Aborda o planejamento urbano através da integração de diferentes características dos usuários da cidade como gênero, raça, orientação sexual, idade e condição física.Qual é o papel da mulher no diagnóstico e na tomada de decisões na cidade? As funcionalidades dos espaços urbanos são pensadas de forma equitativa de acordo com as necessidades de cada usuário, incluindo crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas LGBTQIA+, pessoas de distintas etnias e raças? Como esta diversidade de usuários pode ser mais bem integrada na cidade para torná-la acessível, segura e inclusiva?

Participe do evento sobre o tema no dia 8 de março. Inscrições aqui!

Essas são algumas das perguntas que o guia poderá responder, e que serão discutidasem nosso webinarespecialnopróximo 8 de março, na ocasião do Dia Internacional da Mulher: façaaquisua inscriçãoe não deixe de participar enviando perguntas!

Veja também os artigos anterioresda mesmaserie:

Jump back to top