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Minha cidade está pronta para tornar-se uma cidade inteligente?

Análise Econômica Minha cidade está pronta para tornar-se uma cidade inteligente? Entenda como os municípios podem maximizar o potencial das tecnologias para oferecer melhores condições de vida em suas cidades. Dez 16, 2021
Cidade Inteligente

Este artículo está también disponible en Espanhol / This post is also available in: English

A América Latina e o Caribe (ALC) é uma das regiões mais urbanizadas do mundo. Contudo, apenas uma quantidade reduzida de suas cidades pode ser considerada “cidades inteligentes integrais”. Ainda assim, muitos municípios estão trabalhando para maximizar o potencial oferecido pelo uso das tecnologias da informação e a comunicação para melhorar as vidas de seus habitantes. O Banco Interamericano de Desenvolvimento, como parte de seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico da região (como refletido em sua Visão 2025), aposta na construção de cidades mais sustentáveis e inteligentes capazes de enfrentar de maneira eficiente problemas de mobilidade, segurança ou mudança do clima, entre outros.

Para alcançar esse objetivo, o BID desenvolveu uma metodologia inovadora queavalia o estado de maturidadesmartde cidades de ALC em seu processo de migração para modelos de gestão mais inteligentes.O BID não esteve sozinho, pois contou com o apoio da empresa Deloitte e de fundos de Cooperação do Governo da Espanha e do Programa de Desenvolvimento Estratégico para a Sustentabilidade.

No blog de hoje, analisa-se ametodologia desenvolvida para ajudar as cidades a identificarem e compreenderem seus níveis de maturidadesmart,bem como os principaisfatores chave de sucessoque as cidades devem seguir paraconverter seu município em uma cidade inteligente.

Uma nova metodologia para saber o estado de maturidadesmartde nossas cidades

A nova metodologiafoi desenvolvida levando em conta a realidade e o contexto de ALC.Graças a isso, será possível identificaro estado de desenvolvimento de nossas cidades para converterem-se em cidades inteligentese gerar benefícios para elas, permitindo:

  • Saber onível de maturidadee estado de avanço em sua transição para uma cidade inteligente
  • Identificaráreas de oportunidadepara converter-se em uma cidade mais inteligente
  • Identificarinvestimentos prioritáriose projetos de cidade inteligente que sejam viáveis e que possam impulsionar as cidades
  • Facilitar oacesso ao financiamentopara o desenvolvimento dos projetos

Essa inovadora metodologiasmartcontempla duas áreas de análise: asdimensõese ainfraestrutura.

  • DIMENSÕES:essas definem 6 grandes áreas funcionais por meio das quais se gestionam os serviços da cidade inteligente: meio ambiente, segurança, educação, economia, mobilidade e estilo de vida. Por sua vez, dividem-se em subdimensões, e são utilizadas para avaliar: o grau de adoção tecnológica em tais serviços, as capacidades locais para a identificação, planejamento e desenvolvimento de projetos e a resiliência da cidade para prestar serviços.
  • INFRAESTRUTURA:faz referência às infraestruturas tecnológicas físicas e digitais disponíveis na cidade. Esta parte considera a capacidade e potencial da cidade para gerar e analisar dados e produzir informação útil que ajude na melhora do planejamento e prestação dos serviços.

Ilustração 1: A estrutura da metodologia

Como se avalia o nível de maturidadesmartde uma cidade?

Como parte desta metodologia, é necessário que, para cada uma dasdimensões,se avaliem ascapacidadesque a cidade tem para identificar, planejar e desenvolver projetos através da visão e estratégia, a coordenação com outros atores, as capacidades institucionais, o marco legal, o ecossistema da cidade e o acesso a financiamento.

Da mesma forma, será avaliada aadoção tecnológica. Esta pode ser definida como o nível da implementação de projetos ou soluções tecnológicas, ou de cidade inteligente, em serviços públicos. Finalmente, se procederá a avaliar ouso da tecnologia para fortalecer aresiliênciada cidade mediante ações de preparação, resposta e recuperação diante de contingências e situações de emergência natural, sanitária, entre outras.

Para ainfraestrutura, será analisada a existência de cada tipo de infraestrutura, suas capacidades técnicas e o alcance de seu uso na cidade.

A metodologia coleta informação quantitativa (análise de dados) e qualitativa (entrevistas) para realizar essa avaliação, de modo que os resultados fornecem uma pontuação numérica do nível atual de maturidade da cidade. Essa pontuação localiza-se em uma escala de 0 a 5 em 4 níveis de desenvolvimento de cidades inteligentes:

Ilustração 2: Níveis de maturidade como Cidade Inteligente por Pontuação

Depois de aplicar a metodologia, as cidades têm a oportunidade de identificar seu nível de maturidade. Depois disso, podem escolherprojetos específicos que permitam melhorar essa maturidade como cidade inteligente, bem como formular um plano de ação a médio prazo para implementar os projetos.

Ilustração 3: Resultados gerados pela metodologia

Aplicando a metodologia em 10 cidades da América Latina e do Caribe

O BID implementou essa metodologia em 10 cidades de toda ALC. Como resultado, foi identificado que, em média, as cidades avaliadas apresentaram uma maturidade global de2.42, colocando-as em umNível II (intencional)com força na infraestrutura:

Ilustração 4: Resultados gerais da aplicação em 10 cidades da América Latina

Ainda que as 10 cidades avaliadas tenham tido, em média, uma infraestrutura física de2.78(emergente -nível III), e em alguns casos foiintegral, isso não se reflete naadoção tecnológicapor dimensões, que apresentam uma maturidade médiaintencional (nível II).

Ilustração 5: Resultados das dimensõese infraestrutura

Que características uma cidade deve ter para converter-se em uma cidade inteligente?

Depois de finalizar o estudo, o BID e a Deloitte identificaram as fortalezas e desafios comuns para as cidades avaliadas, que são apresentados abaixo:

  • A principalfortalezaé a disposição das cidades em ter não apenas o conceito de cidade inteligente integrado em suas agendas de trabalho como uma opção para melhorar o planejamento e a prestação dos serviços públicos, mas também como uma oportunidade para modernizar a cidade e impulsionar a recuperação econômica.
  • Odesafiocomumna região é a falta de recursos para desenvolver este tipo de projeto. Por isso, é importante definir os modelos de negócio específicos para cada projeto, de forma que permitam gerar os recursos suficientes para ser funcionais e que não apenas dependam, em sua totalidade, de um orçamento da cidade.
  • Da mesma forma, é identificado como umdesafiocontar com infraestrutura física, digital, de dados e com equipamento suficiente para poder desenvolver e apoiar projetos integrais de cidade inteligente que abarquem toda a população. Nessa linha, identificou-se que nem em todos os casos são coletados dados sobre a prestação dos serviços, e quando são coletados, nem sempre são utilizados para realizar análise preditiva e/ou em tempo real para melhorar os serviços que são fornecidos aos cidadãos.

Da mesma forma, de acordo com o estudo, esses são algunsfatores chaveque as cidades devem seguir paraimpulsionar o desenvolvimento de uma cidade inteligente com sucesso:

  • Contar com oapoio do nível mais alto de governo da cidade: o apoio e envolvimento do/a prefeito/a que defina uma visão clara de cidade inteligente que seja a base para coordenar e alinhar as iniciativas da cidade.
  • Contar com um ecossistema sólido do setor privado, academia, sociedade e organizações que apoie a visão de cidade inteligentee trabalhe em uma frente comum e alinhada com a visão de cidade inteligente. Nesse sentido, a aplicação da metodologia nas 10 cidades permitiu identificar que as capacidades do Ecossistema apresentam grandes áreas de oportunidade, porque, ainda que existam diferentes agentes do ecossistema envolvidos no desenho e desenvolvimento de projetos, por vezes as cidades não colaboram com eles, e, nos casos em que se identifica colaboração, nem sempre implica a implementação de projetos de cidade inteligente.

Agora é a vez da sua cidade: o BID te ajuda!

Para contribuir para impulsionar o desenvolvimento de cidades inteligentes na região, o BID colocará essa ferramenta a disposição das cidades da região. Com isso, espera-se que as próprias cidades possam realizar uma autoavaliação e, assim, saber seu estado atual, áreas de oportunidade e potenciais projetos concretos. Além disso, poderão realizar atualizações para medir seu progresso.

A metodologia e suas ferramentas estão disponíveis no repositório de ferramentas digitais do BID, que pode ser acessadoaquiem espanhol, português e inglês:

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