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Enfrentando o estresse hídrico: o papel crucial das Parcerias Público-Privadas na dessalinização

Análise Econômica Enfrentando o estresse hídrico: o papel crucial das Parcerias Público-Privadas na dessalinização A dessalinização oferece uma alternativa eficaz para responder à escassez de água na região da América Latina e Caribe via Parcerias Público-Privadas. Mai 11, 2023
Agua

A indústria de dessalinização oferece uma alternativa eficaz para responder à escassez de água na região da América Latina e Caribe, especialmente em um contexto em que é essencial envolver o setor privado, desenvolver e estruturar projetos eficazes que atendam às necessidades sociais.

Para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, a América Latina e o Caribe (ALC) precisam investir mais de US$ 370 bilhões nos setores de água e saneamento.

Em um contexto macroeconômico e fiscal complexo, em que a dívida nacional total da América Latina passou de US$ 3 trilhões em 2008 para quase o dobro hoje (US$ 5,8 trilhões, equivalentes a 117% do PIB), é difícil exigir um compromisso maior de governos. Diante desse cenário, soluções que envolvam o setor privado e o apoio de instituições multilaterais de desenvolvimento devem ser buscadas com urgência, para garantir que esses investimentos sejam eficientes, sustentáveis, inovadores, fiscalmente responsáveis ​​e, que estejam continuamente voltados para projetos que respondam de maneira direta e otimizada ao interesse público e, posteriormente, aos objetivos de desenvolvimento, crescimento e igualdade.

Muitos podem até se surpreender com a necessidade de investir em usinas de dessalinização, uma vez que, a América Latina é a região mais rica em água do mundo, abrangendo cerca de 32% dos recursos hídricos renováveis ​​globais. Todavia, a desigualdade é tão presente aqui quanto em outras áreas: 35% da população da região vive em áreas com estresse hídrico de médio-alto a extremamente alto e 60% enfrenta risco hídrico. Um exemplo da incapacidade institucional de preservar a prestação de serviços de qualidade.

Perspectivas de dessalinização de água na região

Isso se deve, em parte, ao fato de que um em cada três habitantes na América Latina e Caribe vive em áreas costeiras. Com os níveis esperados de crescimento populacional, o consumo de água doméstica, agrícola e industrial vai disparar. Esse problema precisa ser resolvido através de três principais linhas de ação: uso mais eficiente dos recursos (economia de consumo, redução de vazamentos, reutilização), exploração de águas superficiais (reservatórios, represas, rios, águas subterrâneas) e dessalinização.

Até o momento, as tecnologias de dessalinização têm sido amplamente utilizadas e desenvolvidas em países como a Espanha. Em uma conferência realizada em março, organizada em conjunto pelo Escritório de Concessões Nacional do Ministério de Obras Públicas do Chile e o Grupo BID, a AEDyR (associação espanhola de dessalinização e reuso) afirmou que um quinto da produção da sua região é utilizada para a agricultura. Na verdade, a primeira usina de dessalinização da Europa foi instalada nas Ilhas Canárias em 1964.

Especialistas de Israel, Estados Unidos, Austrália e Oriente Médio também apresentaram suas descobertas na conferência, assim como vários representantes da América Latina e Caribe, incluindo AEDyR, Sacyr, Almar Water Solutions, Mekorot, Mitsui, IDE Water Technologies e a Sociedade de Dessalinização de Israel.

Workshop PPPs em plantas de dessalinização de água

Muitos estiveram envolvidos na estruturação de concessões no Peru (Proinversión e Sedapal), Brasil (Unidade de PPP da Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado do Ceará e Companhia de Água e Esgoto do Ceará) e Chile. Curiosamente, a primeira usina de dessalinização industrial do mundo foi instalada nesse país no final do século XIX como um recurso para a indústria mineradora. Hoje, o Chile está explorando o potencial de desenvolver concessões em usinas de dessalinização multiuso.

https://youtu.be/ZtA-9kIZiCU

De acordo com a empresa Almar Water Solutions, os megaprojetos de dessalinização multiuso para uso municipal, industrial e agrícola estão crescendo atualmente – principalmente na região do Golfo, Oriente Médio e Norte da África – por meio de esquemas tradicionais de concessão ou PPPs. A Associação Espanhola de Dessalinização e Reutilização – (AEDyR) e a Sacyr Engenharia e Infraestruturas explicaram como os desafios da dessalinização tradicional foram superados por meio do progresso tecnológico sustentável.

O consumo de energia para dessalinização foi reduzido significativamente, para um quinto dos níveis de consumo de 1970. Isso reduziu o custo da água – o preço atual da água dessalinizada é inferior a um dólar por metro cúbico em comparação com a água engarrafada, que é quinhentas vezes maior.

O setor evoluiu, tornando a dessalinização uma alternativa competitiva em áreas onde não existia e oferecendo esquemas de concessão para garantir o desenvolvimento, operação e prestação de serviços de qualidade. No entanto, devemos sempre ter em mente que o único custo inacessível é não ter acesso à água. Portanto, a discussão deve se concentrar em buscar uma alternativa que proporcione o acesso à água da forma mais eficiente e sustentável.

https://blogs.iadb.org/brasil/pt-br/inovar-para-levar-mais-agua-ao-semiarido-nordestino/https://blogs.iadb.org/brasil/pt-br/como-apoiar-a-reciclagem-inclusiva-na-america-latina-e-no-caribe/
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