Durante a pandemia, a demanda de tráfego de Internet de banda larga cresceu até 60% em comparação com o período anterior à crise. Aaceleração da digitalização se tornou uma realidade que veio para ficare,se antes a banda larga era um desejo, a pandemia a transformou emuma necessidade básicapara o crescimento da economia, educação, saúde, lazer, produtividade no campo, inclusão social e tantas outras áreas.
É verdade que o Brasil tem avançado muito neste setor. Uma pesquisa que publicamos recentemente, indica que 95% dos brasileiros afirmam ter acesso à internet pelo celular – o que é um número considerável. Por outro lado, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reporta uma penetração da banda larga fixa de 51,3%.
Prover os brasileiros de todas as regiões com conexões rápidas e estáveis ainda é, portanto,um desafio a ser superadoe que requermuita atenção e estratégia para priorizar e alocar da forma mais otimizada possível os recursosdisponíveispara investimento– que serão cada vez mais preciosos.
Por que aplicar novas tecnologiaspara levar internet aonde o sinal não chega?
Diante deste cenário, é necessário lançar mão de diversos instrumentos para melhorar a conectividade.A aplicação de recursos e de esforços terá de ser mais do que nunca otimizada.Para isso,acreditamos queo uso de tecnologia de ponta, incluindo inteligência artificial e big data,será crucial paracanalizar investimentos de maneira mais eficiente e precisa.
Éeste o objetivo do projeto“Crowdsourcingpara Conectividade Digital do Brasil”, para simplificar: C2DB,que lançamos com aAnatel.Aocruzar dados demográficose socioeconômicoscom dados de uso de banda larga e telefonia móvelsomados aalgoritmos inteligentes,será possívelchegar à granularidade de um estádio de futebol naidentificação deáreas em que é preciso melhorar a conectividade.Os dados serão uma bússola para que os investimentos sejam certeiros e ocorram onde a conexão é pior, onde há mais gente, ou aonde simplesmente o sinal não chega.
Financiada pornosso braço com o setor privado, BIDInvest, com apoio do BID e, em parceria com a Anatel,a iniciativafunciona assim, de modo geral: os celulares, os tablets e computadores evoluíram muito nos últimos anos e oferecem, além da conexão, dados técnicos para análise da cobertura e qualidade dos serviços de telecomunicações.Com isso, as próprias operadoras e reguladores, como a Anatel, podem complementar seus dados com os fornecidos pelos aparelhos e, assim, ter maisevidência empíricapara avaliar a cobertura e a qualidade dos serviços. Isso é feito com dados obtidos coletivamente, de uma massa anônima de usuários, daí o termo "crowdsourcing".
O potencial dessa abordagem é imenso e, temos certeza, dará mais visibilidade e consistência para a tomada de decisão em investimentos e em políticas públicas de conectividade. A União Internacional de Telecomunicações, ITU, recomendou há apenas um ano o uso de Crowdsourcing para regulação no setor de telecomunicações (E.812). Iniciativas similares com menor alcance e com tecnologia similar, estão sendo feitas no México e na Costa Rica, contudo, pela escala e pela profundidade, o projeto C2DB é um projeto pioneiro na América Latina.
Além disso ao reduzir assimetrias de informação, o Projeto C2DB, complementará os esforços do Governo Brasileiropara orientar o desenho de políticas públicas de acesso à Internet e ampliar a infraestrutura de conectividade, bem como criar um ambiente mais propício para investidores interessados em ampliar suas redes e atender a demanda não atendida pelo serviço.
Quais osimpactosdas melhorias em conectividade para o desenvolvimento econômico?
O acesso à internetbanda larga tem assumido papel fundamental para manter em alguma medida os negócios e os serviços públicos em operação.E espera-se que a demanda de tráfego continue a crescer no futuro, enfatizando a importância de facilitar o acesso à infraestrutura para permitir o desenvolvimento econômico, inclusão social e transformação digital dos setores público e privado.
Os motivos que levam a isso são diversos:
- Existem vários estudos que correlacionam positivamente o crescimento do PIB com o aumento no acesso à banda larga. Por exemplo, de acordo com o Banco Mundial, um aumento de 10 pontos na penetração da banda larga fixa poderia elevar o PIB em 1,38% nas economias em desenvolvimento.
- A expansão da banda larga permite eficiência nos setores público e privado. No setor público, um processo on-line é 20 vezes mais barato do que sua versão presencial.
- Calculamos que se o Brasil atingir a média de penetração de banda larga vista na OCDE, ou seja, suprindoumalacunade investimento estimada emUS$ 21,8 bilhões, o país terá um crescimento de 6,53% no PIB e quase 3 milhões de empregos diretos serão criados.
- A expansão da banda larga implica na implantação de mais infraestrutura e equipamentos de rede, o que cria empregos para todos os tipos de empreendimentos, desde operadores de redes móveis multinacionais (MNOs) até desenvolvedores de infraestrutura local e pequenos provedores de serviços de banda larga (ISPs). Queremos com este apoio de Cooperação Técnica acompanhar os esforços do Governo do Brasil nesse sentido.
Acreditamos que a infraestrutura de conectividade é o alicerce da digitalização. Por isso,oprojetoC2DBse insere numa estratégia mais ampla do BID para apoiar o Brasil na sua digitalização. Para isso, lançamos também recentementea linha de crédito Brasil Mais Digital, que tem a melhoria da conectividade como um de seuspilares.
A linha de crédito, de até US$ 1 bilhão, tem como objetivo financiar projetos do governo federal, dos Estados eMunicípios, ou até iniciativas privadas via bancos de desenvolvimento, com o foco na transformação digital no Brasil. Os recursos serão usados inclusive para projetos queimplementeminfraestruturahabilitantepara que essa transformação digital ocorra.
Temos certeza de que ampliar o acesso àinternetde qualidadepermitirá aos alunos assistir a aulas online, aos cidadãos obter serviços públicos de maneira virtual, aos empresários fechar negócios, enfim, melhorará a vida das pessoas.E isso que nos motiva!
Leia mais!
Real 5G: alternativas para ampliar a conectividade digital no Brasil
O que o Brasil ganharia se a computação em nuvem ganhasse espaço no setor público