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Background Papers

13/03/2006

O BID e a integração

Um novo e extenso plano para fortalecer a integração dos países da América do Sul e aumentar o comércio regional ganha impulso na medida em que uma série de projetos de infra-estrutura se aproxima da fase de conclusão.

A maioria dos 31 projetos classificados como de prioridade máxima na Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA) –  pontes, estradas, vias férreas, vias navegáveis, gasodutos— deverá ser concluída no prazo estabelecido para 2010, segundo funcionários da IIRSA.

Os projetos fazem parte de uma carteira de 335 projetos agrupados em oito áreas de influência de integração e desenvolvimento, denominadas “eixos de desenvolvimento”.  Em um mapa, observa-se como cada eixo destaca com uma determinada cor suas áreas de influência, atravessando as familiares características políticas e topográficas do continente.

A visão original da IIRSA foi proposta pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a primeira Reunião de Presidentes da América do Sul realizada em Brasília, no ano 2000, com a participação dos 12 Chefes de Estado da região. O Comitê de Coordenação Técnica da IIRSA é constituído pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Corporação Andina de Fomento (CAF) e o FONPLATA, entidade regional que financia projetos de desenvolvimento na Bacia do Prata.

Um exemplo de projeto prioritário da IIRSA é a Rodovia Interoceânica, que ligará o interior do Brasil a portos do Peru, no Pacífico. O segmento brasileiro já foi concluído e a parte peruana está em construção, com apoio financeiro do Brasil, da CAF e do Governo peruano.

Um outro grupo de projetos em fase de conclusão inclui uma série de pontes, rodovias e cruzamentos fronteiriços que ligam Argentina, Brasil, Chile e Paraguai. O Eixo de Capricórnio, assim denominado pela latitude em que se encontra, já é um grande produtor nos setores agrícola, industrial e de mineração. 

O objetivo da IIRSA é fortalecer a integração física dos países da América do Sul, criando novas oportunidades econômicas e incorporando milhões de pessoas às principais correntes culturais e sociais de seus países. Também serão necessárias  medidas para proteger as comunidades afetadas do desenvolvimento não planejado e da destruição de áreas naturais.

Desde o lançamento da IIRSA, há cinco anos, seus funcionários definiram uma estratégia de infra-estrutura regional, identificaram projetos para sua execução e criaram escritórios em cada um dos países participantes para desenvolvimento dos projetos e coordenação com países vizinhos. Também organizaram, em todos os países, várias oficinas com a participação do público.

O grande desafio, agora, é garantir que os 31 projetos prioritários sejam concluídos no prazo estabelecido, segundo Mauro Marcondes, coordenador da IIRSA no BID. "Para garantir que isso aconteça, será necessário o compromisso total dos respectivos governos”, disse Marcondes.

O Comitê de Coordenação Técnica da IIRSA está fornecendo às autoridades governamentais um sistema de gestão de informação baseado na Internet que mostra, em tempo real, a situação de cada um dos 31 projetos.

A segunda frente na estratégia da IIRSA é melhorar o planejamento para garantir a qualidade dos produtos. “Estamos ajudando os países a pensar em termos de desenvolvimento sustentável”, acrescentou Marcondes. Além da construção de obras de engenharia civil, a IIRSA ajudará os países a identificar investimentos que agreguem valor à nova infra-estrutura, tal como a criação de novos centros de produção e logística. Por exemplo, o estado do Mato Grosso produz enormes quantidades de soja, um componente importante na alimentação de frangos. Mas o clima quente do Mato Grosso não é propício para a criação dessas aves em escala industrial. A solução seria estabelecer granjas avícolas em zonas mais altas e mais frias dos Andes e transportar a soja até esses locais pelas novas rodovias.

A terceira parte da nova estratégia da IIRSA é o que Marcondes chama de “software” da integração física, referindo-se à legislação e às regulamentações  necessárias para o trânsito fluido de mercadorias e serviços pelas fronteiras. Isso pode variar de questões claramente definidas, como a simplificação de trâmites em postos de fronteiras, a problemas mais complexos. Por exemplo, o Brasil quer estimular o turismo procedente de outros países latino-americanos, facilitando o acesso a pontos turísticos como as praias do Rio de Janeiro ou as pousadas ecológicas de Manaus. Isso exigirá uma redefinição de rotas aéreas e horários de vôos, além de mudanças em políticas e regulamentos.

“É muito mais difícil aprovar leis do que construir estradas”, concluiu Marcondes.

Segundo Marcondes, uma prioridade importante da IIRSA será contar com a participação dos muitos grupos de interesse e de especialistas técnicos que possam contribuir para os projetos da iniciativa e deles se beneficiar.

Um desses grupos é o setor privado. O principal objetivo da IIRSA é ajudar a liberar o potencial econômico da região, usando a infra-estrutura física regional para impulsionar o comércio, a produção e a geração de empregos. Marcondes exortou os empresários a começar a refletir sobre meios para maximizar os benefícios da nova infra-estrutura de transporte, comunicações e energia, com vistas à criação de alianças comerciais e à oferta de serviços financeiros e de transporte sofisticados.

 

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