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15/10/2012

Mulher latino-americana e caribenha: com mais educação, mas pior remuneração

  • Apesar de ter mais anos de estudo que os homens, as mulheres ainda estão concentradas em ocupações com salários mais baixos, tais como educação, saúde e setor de serviços.
  • Ao comparar homens e mulheres da mesma idade e do mesmo nível educacional, os homens ganham 17% a mais do que as mulheres na América Latina. A diferença salarial tem vindo a diminuir nos últimos anos, mas o ritmo ainda é lento.
  • Mudança de papeis domésticos e estereótipos são essenciais para alcançar a igualdade de gênero no mercado de trabalho.

A diferença salarial entre homens e mulheres na América Latina, apesar de seu recente declínio, ainda prevalece, de acordo com um novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), intitulado "Novo Século, Velhas Disparidades" que compara pesquisas domiciliares representativas em 18 países América Latina e do Caribe.

O estudo foi apresentado na Conferência PODER, um encontro de alto nível realizado em Lima, Peru, onde especialistas como a secretária-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, e a Secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton exploraram estratégias para alcançar a igualdade de gênero no mercado de trabalho.

O estudo, que analisa também as diferenças salariais de minorias étnicas na região, aponta que, embora a diferença salarial média de gênero tenha diminuído de 25% para 17% entre 1992 e 2007, a disparidade ainda é muito alta e há muito trabalho a ser feito.

Com base nos dados produzidos nas pesquisas domiciliares, as mulheres ocupam apenas 33% das profissões mais bem pagas na região, como direito, arquitetura ou engenharia. Nessas ocupações a diferença salarial entre homens e mulheres é muito mais acentuada, com média de 58%. As habilidades necessárias para estes trabalhos são quantitativos, apesar do avanço das mulheres em idade escolar - em média, 0,5 anos a mais que os homens - as mulheres tendem a concentrar-se em carreiras como psicologia, educação ou enfermagem e não desenvolvem essas habilidades.

"A participação das mulheres no mercado de trabalho tem avançado nas últimas décadas, mas a diferença salarial continua. O processo para acabar com essas diferenças tem sido muito lento já que os estereótipos e percepções equivocadas dos papeis de homens e mulheres tem distorcido estas diferenças, não só no local de trabalho, mas também em casa.Esses estereótipos, que aparecem já na primeira infância, funcionam como elementos que desestimulam as mulheres, limitando suas possibilidade de acesso a carreiras com melhores futuros no mercado de trabalho”, diz Hugo Ñopo especialista em educação do BID e autor do estudo.

As mulheres são mais propensas a trabalhar em tempo parcial, como autônomas e no mercado informal. Enquanto um em cada dez homens trabalham em tempo parcial, uma em cada quatro mulheres optam por esta forma de trabalho.Esta flexibilidade do trabalho permite a participação das mulheres no mercado de trabalho, enquanto enfrentam múltiplas responsabilidades em suas casas, tem um custo que reflete em salários mais baixos.

Além disso, as mulheres tendem a entrar no mercado de trabalho mais tarde, participando dele de forma intermitente, devido, por exemplo, à maternidade. Isto pode ser prejudicial à sua experiência e desenvolvimento profissional, fazendo com que as brechas de salário aumentem com a idade.

O que pode ser feito

Para acabar com a diferença salarial, o estudo recomenda distribuir as tarefas em casa de forma igualitária, incentivar as mulheres ao estudo das ciências e matemáticas, e adotar medidas que permitam às mães, mais tempo disponível para participar do mercado trabalho. Um exemplo poderia ser a expansão da oferta de serviços para centros de desenvolvimento infantil. Isto não só ajudaria as mulheres a aumentar sua jornada de trabalho, provavelmente permitindo que passasse de carga parcial a carga horária completa, mas também serviria para aumentar o capital humano da geração seguinte.

Igualar a licença maternidade e paternidade poderia ajudar a nivelar o campo de jogo em relação a decisões de contratação de homens e mulheres. Além disso, incentivaria os homens e mulheres a dedicarem mais tempo aos recém-nascidos, proporcionando uma tomada de decisão mais equitativa.

Minorias étnicas em comparação com a maioria branca e mestiça

O livro também fornece um panorama regional e por países das penalidades salariais que enfrentam as minorias étnicas no Equador, Chile, Paraguai, Guatemala, Brasil, Peru e Bolívia. Para estes grupos, as diferenças de renda são maiores do que as diferenças de renda entre gêneros.Guatemala e Paraguai apresentam as lacunas étnicas de renda mais altas, com 68 e 60% respectivamente. Segundo o estudo, o esforço para esse setor da população deve ser ainda maior, dado o elevado nível de segregação ocupacional e hierárquica e o menor nível educacional destas minorias, entre outras medidas.

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Mais informações

Hugo Ñopo
Especialista em educação do BID
(571) 325-7011
hugon@iadb.org

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