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22/09/2010

Desigualdade de renda aumenta a probabilidade de depressão emocional, segundo estudo do BID

Análise comparativa de vários países mostra que as pessoas que moram em áreas urbanas têm mais probabilidade de ser deprimidas; a religiosidade reduz a probabilidade de depressão

A desigualdade de renda pode aumentar a probabilidade de depressão emocional, em particular entre pessoas que vivem em áreas urbanas, de acordo com um novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O estudo, que analisou dados da Pesquisa de Opinião Pública Gallup 2007 para 93 países, mostra que a probabilidade de sofrer de depressão sobe quando a desigualdade, conforme medida pelo Índice GINI, aumenta. As pessoas que vivem em áreas urbanas têm mais probabilidade de ser deprimidas do que as que moram em áreas rurais, provavelmente porque a desigualdade é mais perceptível em áreas urbanas. O estudo também encontrou que o nível de renda, medido pelo produto interno bruto per capita do país, não afeta a probabilidade de depressão.

O estudo do BID “A Cross-Country Analysis of the Risk Factors for Depression at the Micro and Macro Level”, escrito por Natalia Melgar e Máximo Rossi, economistas da Universidad de la República, no Uruguai, é o primeiro a oferecer uma ampla análise comparativa internacional do efeito de fatores ambientais, como desempenho econômico, sobre a depressão emocional.

O documento é parte do projeto de pesquisa em andamento do BID sobre qualidade de vida na América Latina e Caribe. A depressão é uma das doenças mentais mais difundidas no mundo. Transtornos mentais podem custar até 4% do produto interno bruto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. O estudo dos fatores que podem levar à depressão é importante para melhorar a qualidade de vida e a felicidade, além de ser útil para os formuladores de políticas na identificação de grupos de risco e elaboração de políticas de saúde pública.

O documento mede a probabilidade de cidadãos de um país serem mais propensos a depressão do que cidadãos dos Estados Unidos. Os pesquisadores usaram os Estados Unidos como referência devido à ampla disponibilidade de dados e pesquisas nesse país. Cidadãos da Etiópia, Coreia do Sul e Bolívia têm a mais alta probabilidade de ser mais deprimidos do que pessoas que vivem nos Estados Unidos, enquanto cidadãos da Mauritânia, Albânia e Dinamarca são os que apresentam menor probabilidade. Trinta e dois países não apresentaram diferenças significativas em relação aos EUA.

Gráfico I: Países em que as pessoas têm mais probabilidade de ser deprimidas do que cidadãos dos EUA

A probabilidade de depressão diminui quando a porcentagem de pessoas religiosas na população total é alta, de acordo com a pesquisa. Entre os 14 países com a mais alta desigualdade que registraram baixas probabilidades de depressão, o documento encontrou que pelo menos oito tinham uma alta porcentagem de pessoas religiosas: Honduras e Panamá (alta porcentagem de católicos); Níger e Senegal (alta porcentagem de muçulmanos); Jamaica e Uganda (alta proporção de protestantes); e Brasil e Moçambique (onde a filiação agregada às três religiões é muito elevada). Esse efeito pode ter mais do que compensado o efeito da desigualdade de renda, segundo o estudo.

Gráfico II: Países em que as pessoas têm menos probabilidade de ser deprimidas do que cidadãos dos EUA

O documento também revela que a probabilidade de depressão é mais baixa em países com uma porcentagem mais elevada de pessoas acima de 65 anos de idade e tende a aumentar em países com um alto número de pessoas com idade entre 15 e 64 anos. È interessante observar que, individualmente, ser mais velho tende a favorecer a depressão.

A análise econométrica entre os países também confirma os achados de pesquisas anteriores que examinaram a relação entre características individuais e o risco de depressão. Homens tendem a ser menos deprimidos que mulheres. A probabilidade de depressão é quase 1,6 ponto percentual menor se a pessoa for do sexo masculino, de acordo com a pesquisa.

Pessoas casadas ou que vivem como casadas tendem a ser menos deprimidas do que pessoas solteiras, enquanto os que passaram por um rompimento conjugal ou viuvez têm maior probabilidade de depressão do que solteiros e/ou casados. Além disso, ser divorciado (uma experiência que pode envolver conflito com outra pessoa) tem um impacto negativo maior do que ficar viúvo.

Sem surpresa, experiências de vida negativas, como estar desempregado, também aumentam a probabilidade de depressão. O estudo mostra que o efeito é relativamente alto, elevando a probabilidade de depressão em aproximadamente 3,7 pontos percentuais.

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