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Artigos

01/05/2006

Avançar um violino por vez

Como a Venezuela transformou a música clássica num veículo de crescimento pessoal e oportunidade para crianças e jovens de baixa renda

Ao caminhar por Sabana Grande, uma barulhenta rua para pedestres em Caracas, é impossível não ser bombardeado pela briga dos sons de reggeton e salsa em alto volume que vêm das barracas de vendedores ambulantes de CDs ao longo da via.

Essa cacofonia característica do movimentado centro urbano da capital da Venezuela forma um nítido contraste com os sons que vêm da escola de música Montalbán, o coração da elogiada Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela (FESNOJIV).

Fundada há 30 anos como produto da visão pioneira do economista, político e músico venezuelano José Antonio Abreu, a FESNOJIV procura melhorar a vida de jovens de baixa renda oferecendo oportunidades artísticas e intelectuais que eles normalmente não teriam.

A maior parte das orquestras juvenis e infantis da Venezuela encontra-se em Caracas, mas a fundação tem alcance nacional e incorpora cerca de 250.000 crianças, tanto em áreas urbanas como rurais dos 24 estados do país. A Venezuela tem 125 orquestras juvenis, 57 orquestras infantis e 30 orquestras sinfônicas profissionais para adultos, além de uma ampla rede de núcleos, ou escolas de música, espalhados por todo o país.

A musica como ferramenta de desenvolvimento. Embora a FESNOJIV tenha produzido alguns músicos clássicos venezuelanos de renome internacional, o cultivo do talento musical não é a meta central da fundação. Seu objetivo mais amplo é promover o desenvolvimento social e urbano por meio da educação musical, ensinando às crianças, desde seu primeiro dia na escola de música, noções de responsabilidade, trabalho, respeito e sacrifício. Essas qualidades podem ser traduzidas em todos os outros aspectos de sua vida, melhorando desde o desempenho escolar até o potencial de ganhos financeiros futuros.

A orquestra pode significar uma intervenção profunda na vida dos jovens, em especial daqueles que vêm de centros de detenção juvenis, da vida nas ruas ou de lares desfeitos. Ou pode representar simplesmente uma pausa criativa na dura realidade de sua vida cotidiana. Qualquer que seja a história desses jovens, a orquestra oferece-lhes um meio de sair da marginalidade, e seu impacto geral sobre a auto-estima é considerável.

Pela sua inextricável conexão com o desenvolvimento humano dentro de comunidades pobres e marginalizadas, a FESNOJIV é parte do Ministério da Saúde e do Desenvolvimento Social da Venezuela, que dedica à fundação US$29 milhões por ano. O BID também vem apoiando vários aspectos de suas atividades desde 1997, incluindo construção de instalações, capacitação de professores de música e fortalecimento institucional.

Não é necessário ter experiência. Embora a experiência musical não seja um pré-requisito para tocar na FESNOJIV, um desejo sincero de participar e aprender é essencial, uma vez que os ensaios geralmente duram de três a quatro horas diárias, seis dias por semana.

A FESNOJIV aceita qualquer pessoa que queira entrar, inclusive crianças a partir de dois anos de idade, e a demanda cresceu tanto que as listas de espera se tornaram rotina. As crianças recebem instrumentos gratuitamente e começam a tocar em pequenas orquestras desde o primeiro dia. Se o violino não lhes agrada, elas tentam com uma viola, e assim por diante, experimentando vários instrumentos até encontrar o mais adequado.

Eliecer Sánchez, coordenador musical da FESNOJIV, compara a participação nas orquestras a um processo de seleção natural, mas enfatiza que os alunos sempre ganham com a experiência, mesmo que lhes falte o talento musical.

Ex-membros da orquestra infantil, Luis Ibarra (direita) e Anthony Vivas agora ensinam música na escola Montalbán.

Para aqueles que têm o dom natural para a música, a FESNOJIV pode abrir portas antes inimagináveis. Veja-se o exemplo de Luis Ibarra e Anthony Vivas, que começaram a tocar violino na orquestra infantil quando pequenos e agora são professores de música na escola Montalbán. Hoje com 27 anos, Ibarra também estuda educação musical na Universidad Central de Venezuela.

Emoção no ar. A estrutura organizacional da FESNOJIV é fortemente descentralizada, com núcleos espalhados por todo o país, alguns mais improvisados do que outros. Para consolidar melhor as atividades da fundação, está em andamento a construção de uma nova sede em Caracas, com financiamento parcial do BID.

O sofisticado prédio que abrigará o Centro de Acción Social por la Música contará com espaço de ensaio para até 4.000 alunos, várias salas de espetáculo (incluindo um espaço para apresentação ao ar livre) e corredores cheios de salas à prova de som. A moderna instalação estará equipada também com tecnologia para realizar oficinas, discussões e ensaios virtuais com pessoas do mundo inteiro.

Depois de quase 10 anos de cooperação com essa iniciativa musical venezuelana tão especial, o BID assinou um novo acordo com a FESNOJIV mediante o qual a instalação tornou-se um dos seis novos projetos incluídos em seu programa de empréstimos de 2006 para a Venezuela. Por seu lado, os administradores da FESNOJIV pretendem continuar a expandir a cobertura do sistema, criando mais centros regionais como Montalbán por todo o país. Além disso, estão em estudo planos para integrar o programa musical ao sistema de escolas públicas.

Enquanto isso, as crianças de baixa renda da Venezuela continuarão a participar de orquestras, algumas delas vindo a se tornar primeiros instrumentos na seção de cordas, outras simplesmente melhorando sua vida por intermédio da música.


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