English | Español | Português | Français


Otaviano Canuto do BID.
PRODUTIVIDADE ENERGÉTICA
Começando com um sensor de movimento
Os biocombustíveis recebem toda a atenção, mas a política energética brasileira obtém sucesso graças a eficiência, diversidade e inovação

Paul Constance

Ao caminhar hoje pelos corredores de um hotel no Brasil, provavelmente uma pessoa vai acionar sensores de movimento que acenderão as luzes do teto com nada mais que a passagem de alguém sob eles.

Essa pequena mas eficiente medida de economia de eletricidade é um legado da crise energética de 2001, quando um longo período de seca debilitou o sistema hidrelétrico brasileiro. O governo respondeu a ela lançando uma ampla campanha de economia de energia e determinando que as companhias elétricas reduzissem as tarifas de clientes que baixassem o consumo. A política teve tanto sucesso que o consumo de eletricidade demorou vários anos para retornar aos níveis anteriores à crise.

Para Otaviano Canuto, cidadão brasileiro recentemente nomeado Vice-presidente de Países do BID, os sensores de movimento ilustram um ponto que é muitas vezes esquecido em meio ao entusiasmo que cerca a próspera indústria de biocombustíveis do Brasil. Com manchetes nos Estados Unidos declarando que o “Brasil alcança auto-suficiência energética com o etanol”, explicou Canuto, é fácil passar despercebido o fato de que os sucessos energéticos do país baseiam-se numa política abrangente que inclui o desenvolvimento ativo de novas fontes de petróleo e gás, amplo uso de geração hidrelétrica, biocombustíveis, energia nuclear e, sim, eficiência energética.

“A eficiência é parte crucial da história”, diz Canuto. “No Brasil, aprendemos a lição de que o preço faz diferença, e os consumidores realmente respondem a incentivos que recompensem a redução do consumo.”

Canuto acredita que o Brasil poderá alcançar uma “produtividade energética” muito maior com a adoção de medidas de eficiência ainda mais abrangentes, entre elas a modernização das instalações hidrelétricas já existentes, a aquisição de novas turbinas, a determinação do uso de lâmpadas fluorescentes compactas e a melhoria dos padrões energéticos dos grandes edifícios.

Como autoridade administrativa de terceiro escalão do BID, Canuto é responsável por empréstimos, assistência técnica e outras operações em todos os 26 países membros mutuários do Banco. Ele tem um interesse pessoal por questões energéticas e deve ajudar a orientar o programa de energia renovável do Banco para a região. Parte desse esforço consistirá na exportação para outros países da experiência técnica brasileira em biocombustíveis.

“Discordo daqueles que dizem que a experiência do Brasil com biocombustíveis é específica e não pode ser replicada em outros lugares”, diz Canuto. Ainda que não seja possível igualar a escala do programa brasileiro de biocombustíveis, Canuto acha que muitos países latino-americanos têm os recursos de terras e clima necessários para substituir uma parte significativa de suas necessidades de combustíveis por etanol ou biodiesel. “Esses países também contam com a vantagem de não terem sido os primeiros”, diz Canuto. “Eles podem aprender com os erros do Brasil e, assim, têm oportunidade de avançar mais rapidamente.” Podem, por exemplo, fazer uso das pesquisas brasileiras que produziram centenas de variedades de cana-de-açúcar adequadas a diversos tipos de solos. “Não há a necessidade de começar do zero”, explica Canuto. Novos produtores também podem importar a tecnologia de destilação brasileira, que permite que os operadores alternem a produção de etanol e açúcar, dependendo dos preços de mercado.

O BID, segundo Canuto, tem um papel fundamental na facilitação desse tipo de transferência de tecnologia entre o Brasil e outros países.


Perguntas? Comentários? Sugestões? Escreva para editor@iadb.org

ARTIGOS COMPLEMENTARES
Artigo principal: A escolha da América Latina
Artigo relacionado: O capital privado impulsiona a energia “verde”




Publicado na Web em abril de 2008