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Março-Abril 2000

Não telefone, mande um e-mail
A concorrência está reduzindo os custos da comunicação na América Latina, especialmente para os usuários da Internet


Quanto custa?

PAUL CONSTANCE

Há anos os entendidos em tecnologia anunciam a chegada da era de comunicações de custos ultrabaixos graças à concorrência cada vez maior e ao custo cada vez mais baixo dos equipamentos. Esta previsão se aplica à América Latina?

A resposta depende do país em que você vive e dos serviços que você usa, de acordo com um novo estudo do Instituto Alexis de Tocqueville (ADTI), um grupo de pesquisa de Arlington, Virginia. Pela segunda vez em dois anos, a ADTI registrou o custo dos serviços de telecomunicações em 21 países da região e nos Estados Unidos (veja gráfico).

A nova pesquisa mostra que os latino-americanos que não fazem muitas chamadas telefônicas continuam a desfrutar de custos baixos. Em 14 dos países da região, o custo de 200 minutos de chamadas locais é mais baixo do que nos Estados Unidos, que têm preços muito baixos pelos padrões internacionais. No entanto, a maioria dos países latino-americanos não oferece um pacote de tarifa única e uso ilimitado para chamadas locais (característica padrão nos Estados Unidos). As tarifas são acumuladas por minuto, o que acarreta para os usuários que falam mais ao telefone faturas muito maiores do que a média dos Estados Unidos. O preço das chamadas internas de longa distância também é relativamente baixo na América Latina: o custo de 50 minutos fica bem abaixo de US$10 nos países pesquisados, com exceção da Venezuela (US$12,50), da Argentina (US$16,50), do Uruguai (US$23,50) e da Bolívia (US$24).

Mas o quadro não é tão positivo para os latino-americanos que usam muito o telefone, fazem chamadas internas e internacionais de longa distância e gostam de surfar na Internet. Como o gráfico mostra, o custo de um conjunto de "uso intenso" de serviços nos Estados Unidos é quase a metade do da Jamaica, o segundo país de mais baixo custo da pesquisa. Em todos os demais países da América Latina e do Caribe, a cesta de serviços de "uso intenso" custa diversas vezes mais que nos Estados Unidos – uma séria desvantagem competitiva para as empresas que estão tentando entrar no próspero mundo do comércio eletrônico. Esses custos mais altos se devem em parte à prática de subsidiar as tarifas locais e internas de longa distância com tarifas altas para chamadas internacionais e de acesso à Internet. Podem também se dever à falta de concorrência: de acordo com a ATDI, os seis países mais caros na categoria "uso intenso" permitem monopólio dos serviços telefônicos internos e de longa distância. (Honduras é descrita como país de concorrência parcial".)

A falta de concorrência nas comunicações por voz de linha fixa também pode afetar um fator custo não medido pela pesquisa da ADTI: o preço e o período de espera de uma nova linha telefônica. Em muitos países latino-americanos, as tarifas de conexão ainda são elevadas e os períodos de espera longos. Como resultado, a "teledensidade" (ou o número de linhas telefônicas fixas por 100 pessoas) é ainda muito baixa. A dificuldade de se conseguir uma nova linha alimentou o crescimento espetacular da telefonia celular na região. Praticamente inexistentes há dez anos atrás, os telefones celulares se multiplicaram até alcançar pelo menos 30% de todas as linhas telefônicas fixas em 11 países latino-americanos. E o preço de 200 minutos de serviço celular é, na média, 70% mais alto na América Latina do que nos Estados Unidos.

O aspecto de mais rápida evolução das telecomunicações na América Latina hoje é o do acesso à Internet. Dois anos atrás, apenas alguns países ofereciam uma tarifa uniforme de uso ilimitado para este serviço. Hoje, somente dois países pesquisados – Costa Rica e Trinidad e Tobago – não oferecem acesso ilimitado pelas linhas telefônicas. Além disso, o preço do acesso ilimitado vem caindo constantemente na maioria dos países, graças à feroz concorrência entre os provedores de serviço da Internet. Se Costa Rica e Trinidad e Tobago fossem excluídos da pesquisa, o custo médio do acesso ilimitado na América Latina seria de somente US$22 – apenas ligeiramente mais alto do que a tarifa típica dos Estados Unidos. No Brasil e nos Estados Unidos, diversas companhias começaram a oferecer gratuitamente acesso ilimitado à Internet. Mas existe uma armadilha. Como o Brasil e quase todos os outros países latino-americanos ainda cobram entre US$0,02 e US$0,05 por minuto para a chamada local que os usuários devem fazer para se conectar, o serviço da Internet, mesmo "grátis", fica entre US$1,20 e US$3,00 por minuto.



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