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Na sede do BID, arte latino-americana está nas paredes
Corredores da sede expõem tesouros da região








"Kamanita"(1989), de Roberto Burle Marx, Brasil.





"Sueño" (1932), de Diego Rivera, México

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PAUL CONSTANCE

Os que visitam a sede do BID em Washington, D.C., são vistos às vezes passeando pelos corredores. O que chama sua atenção são obras de arte de diferentes estilos e temas variados de artistas famosos e desconhecidos de toda a América Latina e Caribe. Ao todo, perto de 1.500 pinturas, esculturas, desenhos, gráficos em todas as técnicas, cerâmicas, têxteis e fotografias enfeitam os dois prédios contíguos do Banco na New York Avenue.

Estão representados na coleção do Banco artistas de 40 nações, a maioria deles de 24 países latino-americanos e caribenhos e de Porto Rico. Segundo Félix Angel, responsável pela coleção como diretor do Centro Cultural e curador de seu programa de artes visuais, as obras foram adquiridas pelo Banco ao longo dos anos como parte de um esforço para criar um ambiente de trabalho estimulante. Mas eventualmente elas se tornaram mais do que isso.

Num esforço para mostrar a coleção do BID para um público mais amplo, o Centro Cultural montou em agosto passado na sua galeria do andar térreo uma exposição de obras escolhidas de 45 artistas. A mostra recebeu elogios de críticos do Washington Post e do Washington Times, os dois maiores jornais da cidade.

"Quando se entra numa instituição que representa a América Latina e o Caribe, é de se esperar que se encontrem obras de arte que exibam o talento criativo da região", diz Angel. "A coleção é um lembrete de que a região é extremamente rica do ponto de vista artístico e que os ‘operários culturais' que produziram essa arte precisam de meios para desenvolver suas capacidades e seguir carreiras recompensadoras. Nesse sentido, a coleção é consistente com a missão e o papel que o BID desempenha internacionalmente."

Coleções de arte de instituições não são novidade, é claro. A Organização dos Estados Americanos, que também tem sede em Washington, D.C., reuniu uma importante coleção e o Banco Mundial recentemente começou a catalogar seu próprio acervo.

Mas Angel diz que o BID tem sido inovador em seus esforços de melhorar a qualidade de sua coleção para que reflita o melhor que a região tem a oferecer artisticamente. Embora as obras de arte tenham sido em grande parte adquiridas com esse propósito durante toda a história do Banco, desde 1992 as novas aquisições passaram a atender a um critério rigoroso. As 500 obras consideradas como de valor artístico e histórico significativo compõem o que o Banco chama de Coleção Institucional.

Entre os artistas de renome representados nessa coleção estão Diego Rivera, José Clemente Orozco, David Alfaro Siqueiros, Rufino Tamayo, Roberto Matta, Francisco Zúñiga, Alejandro Obregón, Enrique Grau, Carlos Cruz-Díez e Fernando de Szyzlo. Estão também incluídos um pequeno número de desenhos importantes de Dr. Atl, Joaquín Torres García, Carlos Mérida, Emilio Pettorutti, José Balmes e Enrique Sánchez, bem como uma seleção de pastéis de Wilfredo Lam e Benjamín Cañas.

Os quadros mais valiosos da coleção são obras de Miguel Gaspar de Berrío, Pedro Figari, José Sabogal, Benito Quinquela Martín, Antonio Seguí, Humberto Jaimes Sánchez e David Manzur. Há também esculturas notáveis de Víctor Brecheret, José Zorrilla de San Martín, Juan José Sicre, Enrique Grau, Wilfredo Díaz Valdés e Edgar Negret.

O Centro Cultural está agora se concentrando na restauração de peças valiosas e na aquisição de um pequeno número de obras de alta qualidade de artistas reconhecidos e emergentes que não estão bem representados na coleção.



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