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DAVID MANGURIAN
Vista do alto, a nova rodovia expressa Linha Amarela domina a cidade, uma serpente de
asfalto de seis pistas que liga o sudoeste desta metrópole congestionada à zona norte e ao
aeroporto internacional. A maior obra pública do Rio já empreendida desde que o sistema de
água da cidade foi expandido há 30 anos, a Linha Amarela é um projeto de superlativos. Os seus
dois túneis paralelos de 2,2 km de comprimento, que atravessam morros sólidos de granito,
constam do Livro Guinness de Recordes Mundiais como os túneis urbanos mais longos do
mundo. O posto de pedágio com 19 cabinas são tão grandes quanto os complexos de
estacionamento de muitos centros comerciais suburbanos. Os 21 km de Linha Amarela que
cortam a quarta maior cidade da América Latina encurtou em 45 minutos o trajeto percorrido
antes da sua construção. Muitos cariocas economizam agora dez horas por semana em sua
viagem de ida e volta para o trabalho e estão felizes com isso. Várias semanas depois da
inauguração da via expressa em outubro de 1997, o jornal O Globo realizou uma pesquisa
na qual 90% dos usuários da Linha Amarela a consideraram "muito boa" ou "excelente". O jornal
também relatou que os camelôs de bairros da Zona Norte estavam começando a vender loção de
bronzear porque os seus moradores agora podiam chegar facilmente às praias mais conhecidas da
Zona Sul do Rio. "A Linha Amarela mudou a geografia do Rio", declarou Bruno Dauster,
presidente da LAMSA, companhia que opera a via expressa com pedágio. "Devido às montanhas,
havia muito pouco contato entre as zonas Norte e Sul da cidade." Após o primeiro ano de
operação da rodovia, o volume do tráfico cresceu para uma média de 68.000 veículos por dia no
primeiro trimestre de 1999 - 13.000 a mais que o esperado. No processo, a Linha Amarela
absorveu de 30% a 45% do tráfego das rotas alternativas em sua vizinhança, diminuindo os
congestionamentos de uma cidade famosa pelos engarrafamentos de trânsito. "A Linha Amarela
finalmente aliviou o tráfego do Rio", celebrava a manchete de um jornal. A Linha Amarela
fazia parte do plano-mestre do Rio há três décadas, mas a dificuldade de levantar os US$320
milhões necessários para a sua construção manteve o projeto em compasso de espera perpétuo.
Finalmente, em 1994 a cidade inaugurou as obras do projeto. Mas logo se tornou claro que o
município não dispunha de recursos para levá-lo a cabo. Sem desanimar, as autoridades
municipais solicitaram propostas de firmas de construção capazes de ajudar a financiar os 15 km
restantes. Como contrapartida, a cidade oferecia a concessão para operar esse trecho como uma
rodovia com pedágio. A Construtora OAS Ltda., empreiteira de grande porte do estado da Bahia,
bateu quatro outras firmas que apresentaram propostas, oferecendo-se para financiar 51,5% do
custo em troca de uma concessão de 13,5 anos para operar e manter a via expressa. A
Construtora OAS dispunha de US$57 milhões para investir no projeto. Mas conseguir
financiamento privado de longo prazo a taxas atraentes para os US$36 milhões que faltavam
acabou se tornando um problema sério. No início de 1996, o BID concordou em emprestar à
OAS US$14 milhões. Foi um dos primeiros empréstimos diretos do Banco ao setor privado
depois que a Assembléia de Governadores autorizou esse tipo de operação em 1994 como uma
maneira de encorajar a participação do setor privado na infra-estrutura do setor público na
América Latina e no Caribe. Esse financiamento ajudou a Construtora OAS a alavancar dois
empréstimos de US$11 milhões com prazo de seis anos, um de um banco privado internacional e
o outro do BNDES, o banco nacional de desenvolvimento do Brasil. "Quando o BID
concorda em financiar um projeto", diz Hazel Pordoy, o especialista do BID que trabalhou na
negociação do empréstimo à Construtora OAS, "os bancos comerciais participam sob a proteção
do Banco." "O empréstimo do BID deu credibilidade a todo o projeto", afirmou Dauster. "Foi
sumamente importante." De acordo com Luis Rubio, assessor sênior do Departamento do
Setor Privado do BID, o Banco foi mais do que simplesmente um catalisador financeiro. Foi útil
também para a modificação do projeto para que as 3.800 famílias deslocadas pela via expressa
recebessem novas habitações em vez de apenas indenizações. Insistiu também em que se
tomassem medidas para um melhor tratamento de águas pluviais, redução do ruído e permissão de
que ônibus públicos usassem a Linha Amarela. A Linha Amarela foi finalmente aberta ao
tráfico em outubro de 1997, mas o pedágio só começou a ser cobrado em 1º de janeiro de 1998,
para que os funcionários da LAMSA fossem treinados. O sistema de pedágio inclui a tecnologia
mais avançada do setor, um sistema de arrecadação sem fio que lê sinais de rádio emitidos por
etiquetas eletrônicas fixadas nos carros. Pessoas que usam com freqüência a via expressa e
desejam utilizar o sistema abrem uma conta eletrônica para pagamento do pedágio. Elas passam
diretamente pela cancela equipada com o dispositivo de leitura da etiqueta, que debita o pedágio
automaticamente na sua conta. Este serviço, que economiza tempo, é hoje utilizado por cerca de
11.000 usuários da rodovia. Recentemente, a Construtora OAS, holding da LAMSA,
negociou uma extensão da concessão do pedágio para 25 anos em troca de novo investimento de
US$40 milhões para o acréscimo de mais duas pistas ao trecho de 5,6 km construído pela cidade,
o que dará aos 21 km de extensão da Linha Amarela a mesma capacidade. Atualmente, a
passagem do tráfego de seis pistas para o trecho de quatro pistas provoca engarrafamentos
enormes que atrasam os motoristas em até 40 minutos, segundo Fernando Cohen, especialista do
BID em empréstimo para o setor privado, que está preparando os termos para um segundo
empréstimo do BID destinado a financiar até US$10 milhões do custo da ampliação. A expansão
incluirá ainda uma interligação entre a Linha Amarela e a Linha Vermelha, outra via expressa do
Rio, que conecta o centro da cidade à Baixada Fluminense, passando pelo aeroporto
internacional. A expectativa é de que a expansão, já em fase de construção, seja concluída em
meados do ano 2000. Dauster diz que o tráfico deverá aumentar em mais 9.000 veículos por dia,
chegando a 77.000.
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