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O Suriname reconstruído
Um prisma estético de múltiplas faces








"Menino com acordeão", de Jules Chin A Foeng





"Máscaras", de Reinier Asmoredjo

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Centro Cultural do Banco

Paisagem e memória têm sido descritas como matérias-primas essenciais das artes visuais: uma propicia o tema e a outra o filtro por meio do qual se interpretam tempo e espaço. Mas a relação entre um ambiente geográfico particular e expressões artísticas locais raramente é previsível.

Vejamos, por exemplo, os artistas do Suriname, que têm um exuberante litoral em que inspirar-se. Uma nova mostra na Galeria de Arte do Centro Cultural do BID, em Washington, D.C., destrói todos os clichês que o público possa ainda ter sobre a arte "tropical". As pinturas, esculturas e cerâmicas de "Em Busca da Memória: 17 Artistas Contemporâneos do Suriname" revelam o seu país de origem obliquamente, por meio de um prisma estético com múltiplas faces étnicas, estilísticas e ideológicas.

Entre elas se encontram as sensibilidades contrastantes de africanos, holandeses, indianos, indonésios, judeus, portugueses e os grupos indígenas que compõem a sociedade surinamesa. O fato de muitos dos principais artistas do país terem completado pelo menos parte de sua formação na Europa é evidente na prevalência das correntes artísticas do século 20, como o expressionismo abstrato e figurativo. Os nus sensuais de Erwin de Vries, talvez o artista contemporâneo mais conhecido do Suriname, são apreciados igualmente por colecionadores de Paris e de Paramaribo. E mesmo nos casos em que se reconhecem aspectos da paisagem surinamesa, como nas vibrantes pinturas de Anand Binda, eles são interpretados de forma decididamente cosmopolitana.



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