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A América Latina terá uma chance única devido a condições demográficas ideais para reduzir o desemprego, aumentar a poupança e melhorar a educação nas
próximas duas ou três décadas, disse o Economista-chefe do BID Ricardo Hausmann num seminário sobre mercado de trabalho realizado em Cartagena, Colômbia, durante a
reunião anual do BID em março último. Durante esse período, o número de filhos por trabalhador cairá rapidamente na região, enquanto o número de pensionistas permanecerá relativamente baixo. Como resultado, uma proporção insolitamente alta da população da América Latina será economicamente produtiva, fator que deve permitir aumentos substanciais nos gastos com educação por criança - talvez mesmo sem ter que aumentar os impostos. Mais escolaridade é, segundo Hausmann, a chave tanto para a redução de desemprego quanto para o aumento dos salários. Enquanto persistirem essas condições ideais, os países que passaram dos sistemas de pensão baseados em regime de partilha para os esquemas inteiramente financiados devem conseguir impulsionar as taxas de poupança e acumular fundos para cobrir a aposentadoria dos baby-boomers [geração nascida nos anos de prosperidade depois da Segunda Guerra Mundial], segundo Hausmann. Nesse cenário, as economias das aposentadorias financiariam os investimentos necessários para ancorar o crescimento e construir um futuro econômico em que os trabalhadores não terão que enfrentar a angústia e os limites das atuais condições dos mercados de trabalho na América Latina. Mas, apesar das boas novas demográficas, os governos ainda terão que lidar com um sério acúmulo de problemas: altas taxas de desemprego, o crescimento de empregos no setor informal e a ampliação da defasagem salarial entre a mão-de-obra especializada e a não qualificada. Regulamentos trabalhistas rígidos permanecem em vigor na maioria dos países da América Latina. Impostos onerosos sobre a folha de pagamentos desencorajam o recrutamento de novos empregados e levam outros a lançar mão de arranjos no setor informal. Mais da metade dos jovens latino-americanos deixa a escola sem terminar o segundo grau e não terá oportunidade de auferir o tipo de salário pago aos formados nas universidades. A solução desses problemas exigirá
reformas trabalhistas e uma combinação de expansão dos recursos e instalações educacionais para os mais jovens e programas mais abrangentes e eficazes de treinamento de
mão-de-obra, disse Hausmann. |
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