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As castanhas-do-pará são escolhidas e embaladas a mão.
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David Mangurian
Uma forma promissora de preservar as florestas tropicais é colocar no mercado os produtos que são naturais delas, produzindo assim renda e empregos para os
moradores locais e reduzindo o incentivo para cortar árvores. Mas freqüentemente as boas idéias se chocam contra as difíceis realidades econômicas.Esse não é o caso da
Amazônia boliviana perto da cidade de Cobija. Ali, uma empresa chamada Tahuamanu S.R.L. explorou com êxito uma invenção para tirar automaticamente a casca da
castanha-do-pará e criou um negócio próspero e sustentável e uma importante fonte de emprego. A Tahuamanu começou a produzir há quatro anos. Desde então, com a
ajuda de um empréstimo e de investimento de capital da Corporação Interamericana de Investimentos (CII), do Grupo do BID, capturou 10% do mercado mundial de
castanha-do-pará. A empresa emprega hoje quase 300 pessoas em sua usina de beneficiamento e proporciona emprego sazonal a outras 800, que colhem as castanhas quando
amadurecem e caem das altas árvores no meio da floresta durante a estação das chuvas. As castanhas-do-pará da Tahuamanu conquistam bons preços no mercado
mundial devido a sua alta qualidade. Em vez de quebrar as cascas a mão, o que freqüentemente resulta em danos à noz, a empresa emprega uma combinação de vapor a alta
pressão, um quebra-nozes mecânico e vibração. O laboratório de controle de qualidade certifica que as nozes estão livres de contaminação e a companhia conseguiu que seu
produto recebesse o rótulo de "orgânico" da Associação dos Estados Unidos para a Melhoria das Colheitas Orgânicas. Com o aumento da demanda de castanhas-do-pará,
os intermediários estão pagando aos apanhadores de nozes quatro vezes mais do que antes, segundo Enrique Nelkenbaum, gerente geral da Tahuamanu. Os apanhadores
ganham hoje uma média de US$1.200 por temporada, diz ele. Os bons negócios estão também trazendo benefícios secundários para a população local. Antes, os
caminhoneiros que traziam mercadorias para Cobija cobravam dos varejistas o dobro dos custos de transporte porque tinham que retornar vazios para La Paz. Agora, segundo
Rolando Apanza, gerente administrativo e financeiro da empresa, os caminhoneiros sabem que têm castanhas-do-pará para levar de volta - 13 ou 14 cargas por mês -, por isso
cobram as taxas normais. Com isso, os consumidores de Cobija encontram uma seleção maior de bens no varejo local a preços mais baixos. "Estamos recebendo produtos
que nunca tivemos antes, como verduras frescas", diz Apanza. Embora Cobija fique a apenas 615 quilômetros ao norte de La Paz, por avião, ainda leva quase quatro dias
para percorrer por terra os 1.300 quilômetros na estação seca e até dois meses durante a época das chuvas, quando os rios transbordam. Vários anos atrás, um caminhão caiu
no rio logo depois de sair de Cobija para La Paz e perdeu toda sua carga de castanhas-do-pará. "O motorista retornou a Cobija aos prantos", recorda Apanza. "Ele não tinha
seguro e ninguém para ajudá-lo e era a primeira vez que vinha aqui. Nós o ajudamos a tirar o caminhão do rio; depois que o motor foi lavado, voltou a funcionar e ele saiu
com outra carga de castanhas-do-pará." Mesmo com um descascador automático, a coleta e processamento das castanhas-do-pará é uma operação que requer mão-de-obra.
Os apanhadores passam mais da metade do tempo levando um a um os pesados sacos de 30 quilos cada até pontos de recolhimento na floresta, diz Nelkenbaum. Nesse
processo, cerca de 30% das castanhas se estragam. Os pontos de recolhimento estão em alguns casos a 170 quilômetros de Cobija e a viagem até a fábrica de
beneficiamento pode levar vários dias. Os caminhões levam moto-serras para cortar os grandes troncos de árvore que muitas vezes bloqueiam o caminho. Apenas cerca de
10% das castanhas recolhidas nas florestas finalmente chegam ao mercado. Devido a essas dificuldades, as vendas mundiais de castanhas-do-pará estão estagnadas desde
1992. Além disso, as queimadas na floresta amazônica reduziram o número de castanheiros. "O desmatamento diminuiu a população dessas árvores", disse Scott Mori, dos
Jardins Botânicos de Nova York. Acrescentou que há evidências de que a fumaça está também reduzindo a população de abelhas polinizadoras. Mas a crescente demanda
de fábricas de balas e nozes dos Estados Unidos e da Europa elevou os preços de exportação de cerca de US$2,00 o quilo para mais de US$3,50 em 1997, segundo a revista
de comércio Edible Nut Market Report. As castanhas-do-pará não são cultivadas em plantações porque precisam dos insetos polinizadores naturais da floresta
para produzir um grande número de castanhas. As árvores, entre três e seis por hectare, são encontradas nas florestas da Bolívia, Brasil e Peru.
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