|
|
Capa | Sumário |
|
|
|
|
|
|
Espremido entre vulcões adormecidos o e Lago Atitlán no departamento de Sololá fica o
Cerro de Oro. De acordo com os moradores locais, o seu nome não se deve à presença do metal
amarelo, mas à riqueza do seu solo. Para as comunidades que aí vivem, porém, a vida é tudo, menos rica. Sustentando-se com dificuldade a partir de minúsculas glebas de terra plantadas com milho e feijão, as pessoas vivem sem a maioria dos serviços básicos que os moradores de outras áreas dão por garantidos: luz elétrica, água potável, atendimento médico e escola. Até 1997, muito poucas das 350 crianças da aldeia de Pahuacal, a maior comunidade desta região de língua tzutuhil, conseguiam freqüentar mais de três anos de escola primária. Os alunos assistiam às aulas em barracos de chão sujo que podiam acomodar apenas algumas crianças de cada vez. Pedro Pacay Quivoc sonhava em dar educação escolar a todos os seus sete filhos. Em particular, ele estava determinado a proporcionar a suas filhas a mesma escolaridade dos filhos, embora as famílias rurais daqui e tipicamente de toda a América Latina dêem preferência aos filhos homens quando são obrigadas a decidir sobre quem permanecerá na escola. Como a escola mais próxima distava três quilômetros, Pacay enfrentava um obstáculo importante para realizar a ambição que tinha para os filhos. Ele e seus vizinhos teriam de encontrar uma maneira de construir uma escola em sua comunidade, desafio de grandes proporções, dados o isolamento e a pobreza em que viviam e a falta de fluência em espanhol. Pacay partiu para a Cidade da Guatemala onde bateu à porta de gabinetes governamentais e de agências não-governamentais. Mas as portas não se abriram. Entre as frustrações de lidar com as burocracias e as despesas de viagem, Pacay e seus vizinhos começaram a perder as esperanças. Entretanto, Pacay continuava a cultivar sua roça de milho e feijão, viajando ocasionalmente para o lago Atitlán, onde suplementava a sua renda trabalhando nas casas grandes construídas pelo pessoal da capital. Em certa ocasião, ele conheceu a representante do BID na Guatemala, Waleska Pastor, que visitava alguns amigos em uma dessas casas. Ela o aconselhou a fazer mais uma viagem à capital, desta vez para visitar o Fundo de Investimento Social, financiado pelo BID e administrado pelo governo. O propósito do fundo, ela lhe disse, é financiar projetos comunitários que são executados com a ajuda dos moradores locais. As coisas aconteceram rapidamente. A comunidade forneceu pedreiros para construir a escola, o Ministério da Educação contratou professores e o Ministério das Comunicações construiu uma estrada de acesso. O ano passado, Waleska Pastor foi uma das convidadas à inauguração da nova escola de Pahuacal, que já estava equipada com carteiras, quadro negros e áreas de recreação. Estimulados por seu
êxito, Pacay e seus vizinhos já se propuseram uma nova meta: a construção de um centro de
saúde que prestará serviços básicos à comunidade. |
|
|