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MEIO AMBIENTE
Uma janela para o mundo amazônico
Arte explica ecossistema natural único



Roger Hamilton

"A árvore turimá precisa de luz, ar, terra e água", dizia Ednelza M. da Silva a um grupo de amigos e vizinhos reunidos numa pequena sala de aula. "Os insetos, pássaros e peixes comem o fruto da árvore. O homem come o peixe. Por isso, o homem não deve cortar a árvore que nos alimenta a todos."

Ednelza era uma entre doze estudantes na comunidade amazônica de Vila Alencar, 600 quilômetros a oeste de Manaus, que participavam de um concurso de cartazes, uma das atividades das cerimônias comemorativas do Dia da Terra. Embora primitivos na execução, os cartazes eram fiéis ao propósito primordial da arte: compreender o mundo e comunicar-se com os outros. Os estudantes desenharam o que conheciam - golfinhos cor-de-rosa, macacos vermelhos, manatins paquidérmicos, peixes com aparência pré-histórica placidamente se alimentando de frutas, flores brilhantes e árvores numa variedade de formas. Reproduziram também o calor dos raios do sol, a chuva caindo, os peixes buscando alimento na floresta inundada. Desenharam gente e animais domésticos, mas na mesma escala das plantas e dos animais na natureza.

Os desenhos reproduziam um meio ambiente especial e extremamente complexo. A flora e a fauna desta parte da Amazônia precisam ajustar-se às vazantes e enchentes anuais deste rio poderoso. Na época da vazante, as pessoas plantam mandioca e milho na várzea e apanham o peixe onde o refluxo das águas os deixam concentrados e expostos. Na outra metade do ano, a terra seca praticamente desaparece e a vida se torna mais difícil.

A várzea, um ecossistema especial que cerca Vila Alencar, é parte da reserva administrada pela Sociedade Civil Mamiraurá, organização não-governamental que recebe fundos do Programa Nacional do Meio Ambiente apoiado pelo BID.

Acontece que o Dia da Terra na Amazônia cai no meio da estação das chuvas. A escolinha, com o assoalho quase sendo lambido pelas águas, estava cercada de canoas e barcos de alumínio. A audiência aplaudiu quando Ednelza terminou; um a um os outros foram tomando seu lugar, alguns falando com confiança, usando gestos dramáticos, outros timidamente, com vozes quase inaudíveis. Os ouvintes se esforçavam para ver cada detalhe, murmurando sua concordância com as interpretações oferecidas.

Ao final da cerimônia as pessoas se dispersaram, indo para casa em suas canoas e barcos, passando pelos turimás carregados de frutos.




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