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Os países com alta volatilidade macroeconúmica, judiciário fraco e um setor bancário com considerável influência política e econúmica têm necessidade especial de um sistema sólido de supervisão bancária. Para que a supervisão realmente funcione, porém, é preciso que as autoridades reguladoras desses países recebam poderes superiores aos normalmente conferidos, segundo o economista Augusto de la Torre, ex-gerente geral do Banco Central do Equador. Falando recentemente em um seminário na sede do BID, em Washington, de la Torre pediu uma reavaliação do papel do Estado no sentido de garantir a disciplina de mercado. "Onde a percepção de risco sistemático é mais aguda, o papel do Estado deve ser mais amplo", disse ele, acrescentando que. as autoridades devem ter condições de punir os que cometem fraude e demonstrar que até os donos dos bancos podem perder dinheiro numa crise. As legislações que limitam o papel das autoridades reguladoras à simples liquidação de bancos em dificuldades podem funcionar em países com sistemas financeiros estabilizados, como o Chile, explicou de la Torre. Em países cujo sistema financeiro está em transição, porém, as autoridades devem ter mais liberdade para intervir. De la Torre declarou-se a favor do seguro de depósitos como medida de proteção para os depositantes, pois sua cobrança torna explícito um serviço que de outra forma ficaria disfarçado. Recomendou também concentrar a política monetária e a supervisão bancária num banco central independente. "Os sistemas judiciários corruptos e sujeitos a pressões políticas podem ser infiltrados por interesses de banqueiros", advertiu de la Torre, acrescentando que a reforma judiciária é indispensável ao êxito da reforma financeira. |
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