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PESQUISAS DE OPINIÃO
Um veredito da democracia
Apoio a longo prazo mescla-se a decepções locais



Samuel Silva

A grande maioria dos latino-americanos prefere a democracia ao autoritarismo como forma de governo. Mas ao mesmo tempo mostra-se insatisfeita com o desempenho de seus próprios governos democráticos.

Estas percepções aparentemente incompatíveis sobre os benefícios da democracia estavam entre as conclusões de um levantamento geral de atitudes em relação ao governo, às políticas e à economia em 17 países latino-americanos, realizada em 1996 por Latinobarómetro, uma firma privada de pesquisas de opinião sediada em Santiago, Chile.

Bom para os outros.

Os resultados da pesquisa, recentemente apresentados no BID, dão uma idéia das percepções das pessoas que atravessaram um período de grande mudança social e econômica.

A pesquisa revelou que, mesmo nos países em que a grande maioria prefere a democracia, uma minoria significativa escolheria um regime autoritário em certas circunstâncias. Essa minoria era de 26% da população no Paraguai, 24% no Brasil, 23% no Chile e no México e 21% na Guatemala.

De acordo com Latinobarómetro, a Costa Rica e o Uruguai destacam-se como países em que a democracia goza do maior nível de apoio: 80%. Com uma exceção, pelo menos 50% dos cidadãos em cada um dos outros países pesquisados também preferem a democracia. Em Honduras, somente 42% dos pesquisados preferem a democracia, ao passo que cerca de 30% declararam-se indiferentes ao tipo de governo que tenham e 14% disseram que um regime autoritário às vezes é preferível.

Surpreendente é que as opiniões favoráveis à democracia não se tenham traduzido em aprovação da situação local. Exceto em dois dos países pesquisados, menos de 34% dos respondentes nos demais países estão satisfeitos com o funcionamento das respectivas democracias. Somente na Costa Rica (51%) e no Uruguai (52%) mais da metade das respostas foram positivas.

De acordo com Marta Lagos, diretora de Latinobarómetro, muitos respondentes da última pergunta estavam, na realidade, emitindo um veredicto sobre o desempenho do governo atualmente no poder, tendência que pode explicar a aparente contradição das suas opiniões sobre democracia.

Muitos observadores acreditam que as respostas enfatizam a importância de acelerar a chamada “segunda geração” de reformas na região. Se a distribuição da renda for mais eqüitativa, se os sistemas judiciais forem mais eficientes e independentes e se os políticos forem mais responsáveis, a percepção pública do funcionamento local da democracia provavelmente melhorará.

Dados úteis.

As conclusões de Latinobarómetro foram utilizadas pelo BID em vários dos seus estudos, notadamente nos documentos de pesquisa apresentados no seminário “A América Latina após uma Década de Reformas: O Que Virá a Seguir?”, realizado em março último, em Barcelona, durante a reunião anual do Banco. Os principais pontos desses estudos foram destacados na edição de maio de O BID.

Liliana Rojas-Suárez, assessora principal do Escritório do Economista-Chefe do BID, disse que os pesquisadores e formuladores de políticas usam cada vez mais as pesquisas regionais. O Banco, por exemplo, está realizando estudos sobre violência urbana e corrupção que utilizam resultados de pesquisas de opinião.

Contato para maiores informações: Marta Lagos, tel.: (56-2) 235-0574.



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