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Quase todos os dias, ouvem-se notícias de mais incursões nas culturas e nos territórios dos povos nativos. Por isso, é reconfortante tomar conhecimento de um caso em que a comunidade indígena vem se saindo bem. "Descoberto" somente em 1982, o povo awá vive em 18 comunidades dispersas em uma vasta área de floresta tropical praticamente intocada ao longo da fronteira entre o Equador e a Colúmbia. Graças a uma parceria entre grupos locais e internacionais e ao apoio do governo equatoriano, os 3 mil awás resistiram com sucesso às numerosas tentativas de explorar o seu território feitas por forasteiros. Essa história foi objeto de um recente seminário no BID apresentado por três representantes dessa parceria: Julián Cantincuz Nastacuaz e Arturo Cantincuz Nastacuaz, da comunidade awá, e James Levy, coordenador binacional do Fundo Mundial para a Natureza. O trabalho para organizar as comunidades awás e demarcar sua terra começou em 1983, imediatamente depois do contato externo inicial. O primeiro passo foi o estabelecimento da Federação das Comunidades Awás, um órgão político que fala em nome de todas as comunidades. Com a ajuda de organizações dos direitos indígenas e do Fundo Mundial para a Natureza, a federação iniciou uma longa série de negociações com o governo equatoriano para conseguir o título de propriedade de suas terras. Em 1995, seus esforços finalmente foram recompensados. No meio tempo, a federação trabalhou para proteger o território awá de ameaças às vezes muito palpáveis, que chegavam na forma de empresas madeireiras e mineradoras e de colonos não-indígenas. A sua principal arma tem sido um conjunto de regulamentações para a gestão dos recursos naturais, decididas por consenso. Com a diminuição dos problemas trazidos pelos forasteiros, os awás voltaram sua atenção para áreas como a educação. Atualmente, professores awás bilíngües trabalham em todas as comunidades, o que representa uma grande melhoria em relação a apenas uma década atrás, quando somente três comunidades tinham escolas e os professores eram todos de fora. Os awás estabeleceram também um sistema de seminários participativos de planejamento para identificar necessidades e tomar decisões sobre a conservação e a gestão dos recursos naturais no longo prazo. O resultado foi a designação de uma área de cerca de 17 mil hectares como reserva de vida selvagem. A sa<de também se impús como uma das prioridades. Em anos anteriores, as campanhas de vacinação e as intervenções de emergência constituíam os <nicos serviços de sa<de da medicina ocidental prestados aos awás. Hoje, os awás têm promotores de sa<de que administram duas pequenas farmácias comunitárias; a meta a longo prazo é combinar a medicina ocidental com os conhecimentos medicinais dos awás. Outra prioridade é o transporte. O território não tem estradas, somente trilhas. Para obter serviços e ou comprar mantimentos é preciso caminhar de dois a quatro dias. As cheias dos in<meros rios da região, graças a precipitações pluviais médias de 10.000 milímetros, podem isolar completamente as comunidades. Doações de cabo de aço permitiram que algumas comunidades construíssem passarelas, mas o problema permanece basicamente sem solução. Finalmente, a federação está tentando identificar sistemas de produção compatíveis com as metas de conservação dos recursos naturais dos awás, inclusive agricultura, corte seletivo de madeira, caça e pesca, garimpo de ouro e artesanato. |
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