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Fernando
de Szyszlo (Lima, 1925)
Duino-Nueve
(Orrantia), óleo sobre tela, 1992
100 x 100 cm
"Em 1949, quando
o pintor peruano De Szyszlo regressou a Lima, depois de um ano na
Europa, transcorrido principalmente em Paris, seu estilo era totalmente
abstrato. No entanto, seu sentido de abstração estava
mais vinculado às antigas culturas do Peru do que à
linguagem internacional que se desenvolvera nos Estados Unidos e
na Europa na época. Suas combinações de cor
eram reminiscências de velhos tecidos e suas pinceladas evocavam
fibras e fios desgastados. Com o tempo, esses elementos se transformaram
em formas geométricas semelhantes às que se encontram
em peças de cerâmica e em decorações
em relevo, ou efeitos de textura emulando nós e tramas. Esses
são alguns dos elementos que caracterizam seu trabalho desde
então.
"Nesta peça
em particular, há uma referência figurativa inusitada
em forma de silhueta de um xamã índio. A imagem é
criada com a ajuda de signos e símbolos geométricos
e abstratos que interagem e se entrelaçam para cirar uma
presença quase mística. O fundo neutro contribui para
criar uma atmosfera da qual parece emergir, ou talvez dissolver,
essa imagem velada, como num sonho de oráculos e conotações
sinistras, rodeada pelo vasto espaço de um lugar abandonado.
As pinturas de Szyszlo sempre evocam o extraordinário passado
pré-colombiano do Peru e fazem referência estóica
a seu destino inquietante.
"Recentemente,
o National Trust for Museum Exhibitions, organização
sem fins lucrativos com sede em Washington, D.C., requisitou o empréstimo
dessa obra para que faça parte de uma mostra itinerante
De Volta ao Futuro (Back to the Future, em inglês)
que percorrerá os Estados Unidos em 2002-2003, com
obras dos artistas latino-americanos mais destacados do século
20.
"De Szyszlo
é reconhecido atualmente como o pintor peruano vivo mais
importante."
Félix
Ángel, Curador, Centro Cultural do BID
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