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Maio-Junho 2000


Quando as empresas pensam na ecologia?






EUGENIO CLARIOND REYES-RETANA

O autor é presidente do Grupo IMSA, S.A. de C.V., importante conglomerado industrial do México, e presidente do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável—América Latina. Este artigo se baseia em discurso que apresentou durante a reunião anual do Banco em Nova Orleans.

Ninguém discorda de que a principal função social dos negócios é gerar riqueza, empregos e oportunidades. Mas há diferentes maneiras de criar riqueza. Nossa história está cheia de exemplos de casos em que tentativas de lucrar em curto prazo causaram sérios problemas no futuro. Em alguns casos, o dano ao meio ambiente ou ao tecido social foi irreparável. Já cometemos erros suficientes para saber que temos que fazer as coisas de outra forma.

Mas para que nós, empresários, mudemos o modo de fazer as coisas, precisamos receber do governo e das instituições financeiras sinais que promovam a sustentabilidade, em vez de desencorajá-la.

Muitos dos sinais econômicos que recebemos hoje são contraproducentes. Os órgãos fiscais de nossos países taxam o que é bom para as pessoas, como salários, poupança e criação de riqueza. Depois, usam a receita obtida para subsidiar coisas como consumo de combustível, uso de água e de pesticidas, coleta de lixo, encorajando dessa forma o consumo excessivo, a poluição e o mau uso dos recursos.

Os governos fornecem amplos subsídios aos habitantes das grandes cidades. Um exemplo é a Cidade do México, onde a água é bombeada com elevação de mais de 1.000 metros, fornecida às pessoas quase de graça e depois descartada sem tratamento. O transporte público também é subsidiado e o ensino não é financiado pelo governo municipal. A Universidad Autonoma do México, que apresenta um dos padrões acadêmicos mais baixos do país e tem o mais alto custo por estudante, é também a única universidade mexicana onde mesmo os estudantes mais abastados pagam apenas dois centavos por semestre. Levando em conta tudo isso, não é de admirar que os mexicanos queiram todos viver na Cidade do México.

Nossas sociedades precisam desenvolver um novo conjunto de incentivos econômicos que nos leve à ecoeficiência. Para a comunidade empresarial, "eco" se refere tanto a economia, como em aumento do lucro, da produtividade e da competitividade, como a ecologia, ou menos impacto sobre o ambiente.

Precisamos sinais do mercado que promovam o desempenho ecoeficiente. Não podemos esperar que as pessoas conservem recursos naturais cujo uso está sendo subsidiado. Subsídios são convites ao uso excessivo. Como podemos subsidiar água e combustíveis fósseis e depois esperar que as pessoas restrinjam seu uso? Parece-me igualmente contraditório esperar que as empresas invistam em tecnologias novas e eficientes quando o sistema fiscal pune o investimento de capital.

Os governos precisam fornecer incentivos ao comportamento adequado e penalidades para o comportamento errado. Mas embora os governos apóiem o desenvolvimento sustentável no nível da retórica, esta raramente se traduz em decisões econômicas reais. Na maioria dos casos, a questão do desenvolvimento sustentável não é nem levada em conta nos conselhos de formuladores de políticas públicas e econômicas. Para todos os efeitos práticos, a questão não existe.

O BID e outras instituições financeiras internacionais têm um papel decisivo a desempenhar na promoção do desenvolvimento sustentável, mesmo além do financiamento de projetos ecologicamente sólidos. O BID, o Fundo Multilateral de Investimentos, a Corporação Interamericana de Investimentos e outros podem usar sua influência considerável junto aos governos para promover políticas de desenvolvimento sustentável. Essa é a questão central para a qual o Banco pode dar uma grande contribuição.




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