|
|
Capa | Sumário |
|
|
|
|
|
RELATED LINKS: |
PAUL CONSTANCE No início da década de 80, muitos dos 10.000 moradores de Coto Sur, um exuberante pedaço da Costa Rica próximo da fronteira com o Panamá, se sentiam como que abandonados pela história.Alguns anos antes, uma combinação de disputas salariais, pragas agrícolas e queda acentuada no preço da banana levou o maior empregador da área, uma empresa estrangeira de frutas, a vender os seus 28.000 hectares ao governo. O Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) da Costa Rica distribuiu boa parte da terra em lotes a antigos trabalhadores da empresa e camponeses sem-terra, que construíram casas precárias no local e retornaram à agricultura de subsistência. Mas as coisas não iam bem. As estradas e os sistemas de drenagem, críticos para o cultivo em uma terra encharcada por chuvas pesadas, estavam sendo destruídos pelo tempo e pelo uso e não havia recursos para a manutenção. Boa parte da terra tinha sido danificada por fertilizantes industriais usados nos bananais, e o milho, feijão e arroz plantados pelos novos agricultores não estavam produzindo o esperado. Foi então que o IDA, trabalhando com uma cooperativa nascente de agricultores locais e funcionários do BID, elaborou um plano para a produção em larga escala de coco e azeite de dendê para os mercados nacionais e de exportação. Cerca de 13.000 hectares, divididos entre os agricultores locais em lotes que tinham em média 19 hectares, foram selecionados para um trabalho extensivo de recuperação nos sistemas de drenagem, nas pontes e nas estradas. Desse total, 3.900 hectares foram julgados ideais para o cultivo do dendezeiro e 500 hectares para o coco, duas culturas que se sabia que davam bem na região. O plano também previa a instalação de uma fábrica para a extração do óleo de dendê, com capacidade para processar a quantidade máxima de produção prevista da plantação e a contratação de assessores técnicos para elaborar os planos de produção e comercialização. Todas as instalações e os equipamentos relacionados deveriam ser propriedade dos agricultores locais por meio da cooperativa, que recebeu subseqüentemente o nome de Coopeagropal R. L. Os agricultores também deveriam receber o título de propriedade de suas terras, para que ocasionalmente as pudessem usar como garantia de empréstimos. O BID concordou em financiar US$33 milhões do total de US$51 milhões do projeto com um crédito canalizado por meio do Banco Nacional da Costa Rica e do IDA. Atualmente, a Coopeagropal gera vendas internas e internacionais de US$20 milhões por ano e é uma das cinco empresas mais lucrativas da Costa Rica, de acordo com um relatório recente da agência de notícias EFE. A cooperativa cresceu de 60 membros proprietários de terra para 435 e o total da área plantada com dendezeiro passou para 5.740 hectares. Os membros da cooperativa estão planejando o plantio de mais 4.000 hectares nos próximos anos com mudas produzidas em seus próprios viveiros. Embora tenha começado fornecendo apenas óleo bruto de dendê a companhias estrangeiras, a Coopeagropal hoje refina e processa o óleo em 15 produtos diferentes, que incluem óleos comestíveis e industriais, margarina e farinha de coco. Ao mesmo tempo em que se firmou como empreendimento comercial, a Coopeagropal conseguiu transformar as vidas dos moradores de Coto Sur. Água potável, praticamente inexistente no início dos anos 80, hoje jorra das torneiras de 75% das casas da região. O acesso a serviços residenciais de luz e telefone chega hoje em média a 93%, contra 30% e 3%, respectivamente. A área é atualmente atendida por cinco clínicas de saúde em vez de uma e as estradas em condições de uso pularam dos 20 quilômetros originais para 250 quilômetros. A cooperativa fornece a seus membros assistência técnica e treinamento, insumos agrícolas, crédito e serviços de manutenção da infra-estrutura. Financia também atendimento médico, moradia e escola para os membros das famílias. Não surpreende que os acionistas da Coopeagropal estejam determinados a fazer o seu empreendimento prosperar. "Em menos de 15 anos, os agricultores locais saíram da posição de confronto com as corporações e se tornaram eles próprios empresários", declarou à agência de notícias EFE em outubro Israel Avila, ex-deputado do Parlamento nacional que hoje ocupa o cargo de presidente do conselho administrativo da Coopeagropal. Edwin Oviedo, ex-líder dos agricultores que hoje possui 22 hectares plantados com dendezeiros confirma: "Começamos até mesmo sem a educação básica, mas hoje temos propriedade, crédito, conhecimento técnico, melhores condições de vida e responsabilidade". As notícias do êxito da Coopeagropal despertaram interesse fora da Costa Rica. Segundo a EFE, o Ministro da Agricultura da Colômbia Carlos Murgas se reuniu recentemente com funcionários do IDA e da cooperativa para ver como esse modelo empresarial pode ser aplicado em partes da Colômbia que estão tentando se reconstruir depois dos conflitos de guerrilha.
|
|
|