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Judiciário de El Salvador iniciou em 1983 reformas que começaram a dar
frutos
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René Hernández Valiente, juiz da Suprema Corte de El Salvador
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PAUL CONSTANCE
Ele é chamado de o poder órfão do governo.Em uma democracia saudável, supõe-se
que o poder judiciário constitua, juntamente com os Poderes Executivo e Legislativo, um dos
pilares do governo que garantem a liberdade e o estado de direito. Mas, na maioria dos países da
América Latina e do Caribe, o pilar judicial tem fraturas e é fraco e incapaz de suportar o peso de
suas responsabilidades constitucionais. Procedimentos bizantinos por escrito. Demoras
intermináveis. Juízes irresponsáveis. Decisões judiciais questionáveis. Interferências políticas.
Suborno. Impunidade. Basta abrir um jornal latino-americano para encontrar essas palavras
associadas com o sistema judicial. Ano após ano, pesquisas de opinião pública mostram que os
tribunais são a instituição menos respeitada nos países da região. Um levantamento recente dessas
pesquisas feita por Pilar Domingo, estudante de direito da Universidade de Londres, constatou
uma coerência sombria. "Na Argentina, somente 13% do público têm algo de bom a dizer sobre o
judiciário; no Peru, 92% desconfiam dos juízes; no Brasil, 79% não acreditam no sistema
judicial." Durante boa parte deste século, a condição desoladora dos tribunais da América
Latina foi encoberta por guerras ideológicas e ditaduras militares. Mas nos últimos anos, à medida
que a estabilidade democrática foi se consolidando na região, o poder passou a ser objeto de
exame impiedoso por parte do público. Até certo ponto, isto se deve ao fato de que as regras do
jogo mudaram. Os conflitos em torno de políticas governamentais, que outrora eram resolvidos
por negociações de bastidores entre grupos políticos, hoje estão começando a ser levados aos
tribunais. Sentindo-se fortalecidos pela ratificação de tratados que protegem uma definição
ampliada de direitos humanos, milhares de indivíduos estão movendo ações para obter reparação
de erros que em alguns casos não estão sequer contemplados nos códigos legais de seus
países. Esta avalancha de ações despejada sobre sistemas judiciais já sobrecarregados e
vulneráveis a pressões provocou, em muitos países, uma crise institucional. Quase sem exceção,
os governos da América Latina estão sendo pressionados a reformar seus tribunais. São
numerosos os programas de reforma atualmente em andamento, mas os avanços têm-se mostrado
extremamente difíceis. Por que é tão complicado endireitar os tribunais? Quais são as origens
da crise atual? Pode a confiança no ser algum dia restaurada? Este suplemento especial examina o
caso de El Salvador, país que enveredou por um dos caminhos mais radicais na região para fazer a
justiça funcionar.
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